Comportamento

Aplicativos também podem gerar relacionamentos duradouros

Pesquisa do Happn Brasil indica que 20% dos usuários de aplicativos de relacionamento iniciaram o namoro através dos apps

Amanda e Izaac se conheceram pelo tinder e estão de casamento marcado para o mês de julho.

Amanda e Izaac se conheceram pelo Tinder e estão de casamento marcado para o mês de julho

De chamar para um encontro a trocar likes em aplicativos de celular. Atualmente, cerca de 124 milhões de brasileiros estão registrados em algum app de relacionamento, segundo uma pesquisa realizada pelo Happn Brasil. O que desperta uma certa curiosidade em tentar entender o real motivo das pessoas em aderir a esse movimento para se relacionar. Esse número representa 60% da população do país e surpreende pela quantidade de pessoas que aderem aos aplicativos.

Isso gera um breve debate que, segundo o professor de sociologia Julio Castro, 45 anos, se explica pela objetividade que as pessoas têm, nos aplicativos, em conhecer outras que se encaixem nos seus critérios de exigência. “Se uma pessoa tem a possibilidade de conhecer alguém em um ambiente qualquer em que esteja ou em um aplicativo, a chance de ela preferir o aplicativo é maior. Na tela do celular, a pessoa pode selecionar, entre tantas, aquela que mais agrada não tendo essa mesma facilidade e agilidade caso estivesse em uma festa, por exemplo”.

Amanda Bosco, 23 anos, e Izaac Mendes, 25 anos, já namoram há dois anos e estão de casamento marcado. O casal faz parte dos 20% dos usuários de aplicativos de relacionamento (ainda segundo a pesquisa citada) que se conheceram e iniciaram o namoro a partir de um app. O número mais relevante da pesquisa indica que 71% dos usuários têm o intuito de fazer novas amizades e não necessariamente construir um relacionamento, mas para o casal a realidade foi outra. Ela buscava um homem segundo um perfil pré-estabelecido e, pelo aplicativo, achou alguém que se adequasse às características. “Eu sabia que o cara não podia beber, que ele tinha que trabalhar, ter mais de 1,75 de altura, vontade de ser pai, tinha que querer casar na igreja. Isso eram sonhos meus que eu não estava disposta a abrir mão”, diz Amanda.

Amanda conta que não fazia uso de apps, mas após o fim de um relacionamento quis testar para passar o tempo. Acabou conhecendo Izaac e foi surpreendida com a forma pela qual ele a abordou. “Já tínhamos dado match e estávamos conversando por Whatsapp e ele me mandou uma mensagem dizendo ‘Oi, “tinderela”‘. Eu achei muito criativo e isso me chamou muita atenção”, contou a empresária. Eles moram e trabalham juntos e o casamento que está para acontecer consolida o relacionamento que construíram através de um aplicativo

Atualmente os aplicativos de relacionamento são utilizados por mais da metade da população brasileira.

Atualmente os aplicativos de relacionamento são utilizados por mais da metade da população brasileira

Mesmo que dê certo para alguns, nada garante que funcionará com todos. Kléber Martins, estudante de 22 anos, já utilizou alguns aplicativos de relacionamento, porém não encontrou o que queria. Segundo ele, procurava por relacionamentos casuais, mas nunca deu “match” com alguém que fosse como ele queria. Ele, inclusive, julga que isso possa ser indicativo de que os desenvolvedores do aplicativo fazem isso de propósito para conseguirem vender os planos “vip” dos aplicativos: “A maioria dos aplicativos é grátis, mas tem a parte paga onde você tem alguns ‘benefícios’. Acho que essa questão de eu não conseguir dar match com algumas garotas está ligado diretamente ao fato de eles quererem que eu compre o plano do aplicativo”.

O uso de aplicativos, por mais comum que possa ter se tornado, não se mostra ser a solução para conhecer e se relacionar com alguém. Para alguns, funciona de forma perfeita, para outros não têm tanta eficácia. Julio Castro justifica que o uso desses aplicativos pode ser benéfico em determinados momentos já que possibilita, mesmo que uma simples conversa, uma interação com outras pessoas. O professor faz um alerta quanto ao uso excessivo para que isso não se torne um vício e acabe por prejudicar a forma com que a pessoa interage com outras pessoalmente: “Isso pode acabar se tornando vicioso, prejudicando a comunicação da pessoa com o meio externo. Ela se fecha naquele ambiente e desaprende a como viver socialmente”.

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