Saúde

ESPECIAL: Alimentação restrita

Alimentação vegana traz benefícios para saúde; número de veganos cresce em todo DF nos últimos 5 anos

O número de pessoas que optaram por se tornar veganas vem crescendo. De acordo com dados de pesquisas do ano de 2012 pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, Ibope, 15,2 milhões de brasileiros se declararam vegetarianos. A estimativa sobre o número de veganos no país é feita com base na proporção veganos e vegetarianos de países que têm pesquisas específicas. Assim, os veganos seriam aproximadamente 20 a 25% do número de vegetarianos, um total de 7 milhões no Brasil.

O Distrito Federal tem 10% da população vegetariana, seriam entre 3 a 5% veganos. Houve um crescimento de veganos em todo DF nos últimos 5 anos.

Ong faz piquenique no CCBB, com palestras e vídeos de documentários sobre abates de animais

Ong faz piquenique no CCBB, com palestras e vídeos de documentários sobre abates de animais

A ONG Fala Frente de Ações pela Libertação Animal foi fundada em 2014, por Andrezza Bez, Sergio Augusto e Bruno Pinheiro. A ONG não recebe nenhum tipo de doação. Os trabalhos são totalmente voluntários e ninguém tem uma função definida. Ocorrem eventos todos os sábados na Rodoviária do Plano Piloto a partir das 16h. Esse evento conta com cerca de 4 a 5 voluntários com a finalidade de abordar pessoas e apresentar como funciona o projeto da ONG. Usam televisão para mostrar vídeos de documentários da realidade do país, os abates de animais. Os voluntários falam um pouco para as pessoas como tudo funciona com o intuito de sensibilizá-las.

A Falar trabalha também em conjunto com grupos mais ativistas que realmente vão bater nas portas de frigoríficos, em portos, para evitar exportações e abate de animais. A luta é muito desigual, mas depois de muitos desgastes algumas foram bem sucedidas.

Ativismo

Diversas pessoas que moram em Brasília estão aderindo a uma alimentação vegana que é uma dieta estritamente a base de vegetais, livre de todos os alimentos de origem animal. As pessoas que praticam o veganismo têm o foco de não contribuir com o sofrimento dos animais. Muitos pensam que as pessoas veganas se alimentam mal. Porém é o contrário. As pessoas que optam por terem uma alimentação sem nada de origem animal comem muito bem e de forma variada. São alimentos naturais como arroz, feijão, castanha, legumes, frutas, hortaliças e outros.

Geraldo Carletti Junior, técnico em radiologia, 40 anos de idade, é vegetariano desde 2008 e vegano há 1 ano e meio. “Tomei a decisão de ser vegetariano após fazer um exame de sangue e descobrir que tinha gordura no fígado e ácido úrico. A primeira coisa que o médico perguntou foi se comia muita carne. Então ele me indicou uma nutricionista para fazer uma dieta. E ao buscar ajuda do profissional, pude perceber que cada pessoa tem uma necessidade de vitaminas ou mesmo da proteína. Mas que temos algo para substituir. Nunca podemos tomar essa decisão por conta própria e sim com ajuda do profissional”, diz Geraldo.

Para Geraldo o objetivo do veganismo é a defesa dos animais na medida do possível. Hoje participa também da ONG Bendita Adoção, em São Paulo. O trabalho da ONG é fazer cartazes, ir na porta de frigoríficos protestar e defender a causa. No ano passado protestaram contra o transporte de cargas vivas. Foram cerca de 40 mil cabeças de gado vivos exportados para a Turquia, em uma viagem de navio com duração de 30 dias em condições deploráveis. Os representantes da ONG foram ao porto de Santos-SP com uma liminar da justiça impedindo a exportação, porém foi derrubada essa liminar e a carga seguiu dias depois.

Busca profissional

De acordo com o grande público a dieta vegana ou vegetariana estrita é mais limpa e mais leve, por ser baseada em legumes, vegetais, frutas entre outros. É uma dieta completa com proteínas, carboidratos, lipídios, vitamina e minerais. Apenas uma vitamina que o ser humano precisa suplementar é a vitamina B12.

A nutricionista Noemy Israel diz que em Brasília houve um crescimento desse público nos últimos 5 anos. Porém a grande maioria ainda não procura um nutricionista. “Alguns porque acham que dão conta sozinhos por conta da internet de fácil acesso com bastante leitura sobre o assunto. Mas uma boa parcela acaba não encontrando profissionais que os atendam adequadamente e às vezes por falta de pesquisa não encontram, por serem poucos os nutricionistas que atendem pessoas veganas. Acredito que tem só apenas 3 nutricionistas dentro de Brasília que atendam de forma adequada, que realmente entendem sobre o assunto”.

É de suma importância ir em busca de um profissional independente de ser vegano ou não. “Por conta da saúde, de como você está, sempre buscar fazer exames para ter a certeza que está tudo bem com a sua saúde. Qualquer tipo de alimentação é muito pessoal, pois às vezes o que faz bem pra você, não faz pra mim”, relata a nutricionista.

O veganismo estabelece diferentes razões que contribuem para este desenvolvimento, incluindo a compaixão para com os animais, o impacto ambiental e, claro, as preocupações com a própria saúde.

Larissa Sarmento, com a rotina diária de trabalho e faculdade, sempre tem seu próprio lanche como abacate e torrada natural

Larissa Sarmento, com a rotina diária de trabalho e faculdade, sempre leva seu próprio lanche

 

Larissa Sarmento, 36 anos, é vegana há 3 anos. Sua alimentação hoje é com muitas frutas, verdura e arroz integral, sendo uma alimentação simples, mas saudável. “Venho tentando o vegetarianismo há mais de 10 anos. Mas não estava conseguido colocar em prática tornando muito difícil, pois esbarrava muito na questão social, achando que o social era a maior barreira. Acredito que as pessoas deixam de se tornar veganas não pela questão da alimentação e sim pela questão social pois se sentem pressionadas. Como me senti diversas vezes. Hoje não gosto de debater sobre isso para não me constranger e nem constranger ninguém”.

Veganismo

Ariana da Silva Pinho, 29 anos de idade, é vegana há 7 anos. Ela e o marido já eram vegetarianos quando se conheceram, há 13 anos, então a família acha natural a filha Maria Helena, de 2 anos e 6 meses, seguir o mesmo estilo de vida dos pais. “Quando veio a gravidez já tinha um acompanhamento com nutricionista, mas foi necessário continuar para ver a questão de enriquecer a alimentação e as vitaminas no organismo e na saúde da bebê”, relata Ariana.

Maria Helena, desde cedo com uma alimentação 100% natural com nada de origem animal, come seu lanchinho predileto: pão de batata baroa

Maria Helena,que desde cedo faz uma alimentação 100% natural sem ingredientes de origem animal, come seu lanchinho predileto: pão de batata baroa

 

Sua filha Maria Helena começou indo para a creche a partir dos 7 meses de vida. No início ficou preocupada e apreensiva. Maria Helena já está frequentando a segunda creche, porém na primeira eles já tinham muitas crianças com alergias alimentares e tinha um bebê que era “vegano”, mas não por opção. Ele tinha uma dieta 100% vegetariana por questões de alergias alimentares também. Então para eles não foi novidade ter uma criança a mais com restrição na alimentação.

Nesse ano de 2019 a creche fechou. “A preocupação é começar a busca de nova creche que possa atende-la, sendo que ela está maior e querendo ou não já tem vontades. Ao encontrar essa creche observei que já tem várias crianças com históricos de alergias alimentares e por conta disso já não usam o leite de vaca em nenhuma preparação nas refeições”, relata Ariana.

O Instituto de Educação Infantil Grãozinho de Ouro está no mercado há 8 anos. A dona e diretora da creche, Eloine Silva, diz que iniciou com parceria da sua irmã e sócia que é nutricionista. Temos a equipe de 22 profissionais para auxiliar essas crianças. “Temos todo o cuidado com alimentação, de uma forma preventiva. Então na alimentação até mesmo em crianças que não possuem restrições alguma, evitamos tudo com leite. Nossa alimentação já é natural de uma forma saudável, é mais voltada para frutas, suco naturais, na preparação das refeições não é utilizado nada com leite. Então buscamos de uma forma diária mesmo fornecer para essas crianças uma alimentação mais saudável possível”.

Ramo alimentício

Hoje, o DF conta com cerca de 15 estabelecimentos que são exclusivamente veganos e não vendem nenhum produto de origem animal. Um deles é o Apetit Natural Restaurante, Foodtruck & Not Dog Foodtruck (407 Norte). Esse restaurante começou como foodtruck e hoje serve almoço no buffet e sanduíches à noite. Nesses lugares, os veganos podem comer sem se preocupar, pois tudo é 100% vegano.

Restaurante Faz Bem Casa Vegana. Atendem todos os públicos

Restaurante Faz Bem Casa Vegana atende todos os públicos

O restaurante Casa Vegana de Brasília está no mercado há 6 anos. Foi um dos primeiros restaurantes veganos, aberto em 2014, por três sócios. Um deles, ao observar que não via opções nas redondezas, teve a ideia de abrir a loja vegana, com o intuito de suprir a necessidade de pessoas veganas que estavam precisando de um local para alimentação.

Elizabeth de França,   social mídia da Casa Vegana de Brasília

Elizabeth de França,
social mídia da Casa Vegana de Brasília

Elizabeth de França, 23 anos de idade, social mídia da loja, conta que a clientela é bem diversificada. “Apesar de ser um restaurante vegano, tem pessoas que tem alergias, pessoas que querem fazer uma dieta mais natural. E até mesmo o público carniça (que come carne). Nem todos os funcionários são veganos e não são proibidos de comerem carne, porém não podem consumir dentro da loja. Temos o buffet livre e cada dia temos buffet diferente. Um exemplo é o prato árabe”.

O conceito desses restaurantes naturais é priorizar que não entra nenhum ingrediente de origem animal e optam também em trabalhar com produtos orgânicos para assim obter o equilíbrio no uso desses ingredientes na preparação das refeições.

Marley Symon, 25 anos de idade, sócio e administrador há um ano da Casa Vegana de Brasília, diz que tem crescido bastante e o público a cada dia que passa é diferente. “Tem os clientes antigos que continuaram com a fidelidade e tem os clientes novos. Os três restaurantes veganos que são nossos concorrentes estão todos cheios. Os três cheios significam que está crescendo bastante o estilo vegano em Brasília. A questão financeira está muito boa, pois os restaurantes usam carne que tem um custo mais alto e como não utilizamos, torna-se barato para a empresa”.

Marley quis desistir assim que entrou na empresa. “Cheguei numa fase muito ruim do restaurante. E até se ajustar, é meio desmotivador. Mas com as parcerias dos outros sócios, tivemos a contribuição de um bom trabalho de todo mundo. Tenho muita admiração pelo veganismo, pelas pessoas, pelo que prega, é muito importante isso. E quando você vê a casa cheia, é o fruto do meu trabalho, fico feliz”.

As refeições sem nada de origem animal são mais baratas para consumir em casa. Jady Alcântara, vegana há 2 meses relata que às vezes compra 50 reais no verdurão. “Dura 2 semanas se eu conseguir guarda esses alimentos, lavo bem e guardo numa vasilha adequada e assim passo a semana com isso. No veganismo eu economizo mais, gasto bem menos do que quando comia carne”.

Jady Alcântara, 22 anos, é mãe do Vicente de 11 meses e vegana há 2 meses. “É mais fácil adaptar seu filho no veganismo, por estar descobrindo os alimentos agora. “Sou rígida com sua alimentação. Ele tem alergia a proteína do leite de vaca. A partir daí que tive a iniciativa de mudar minha alimentação e a dele. Minha motivação é pela minha saúde e, principalmente, pela saúde do meu filho por conta das suas alergias”.

Os vegetarianos são divididos em quatro grupos

1º Os ovolactovegetarianos são pessoas do tipo vegetariano que não comem nenhum tipo de carne, mas consomem laticínios e ovos.

2º Os lactovegetarianos agregam as pessoas que excluíram todo tipo de carne da sua dieta, quem não comem ovos. Esse tipo de vegetarianismo está ligado a razões religiosas, como acontece na Índia.

3º O vegetariano estrito são pessoas que não consomem nenhum tipo de carne, laticínios ou ovos em sua alimentação.

4º O veganismo é uma postura política e não apenas uma dieta. Então, por motivações éticas, os veganos não consomem nada de origem animal em nenhuma área de suas vidas: alimentação, vestuário, espetáculos ou qualquer outro tipo de atividade que envolva sofrimento animal. Para as pessoas veganas é de suma importância mostrar a filosofia de vida às empresas, através de boicote a produtos e serviços obtidos com sofrimento de animais.

Fonte Portal Vista-se

Países onde mais cresce o veganismo no mundo

1º Espanha

2º Reino unido

3º Suécia

4º Israel

5º Índia

6º Alemanha

7º Canadá

8º Estados Unidos

9º Nova Zelândia

Ainda não há dados concretos e oficiais sobre o número de veganos no Brasil, contudo, uma pesquisa Ibope realizada em outubro de 2012 revelou que 8% da população brasileira se declara vegetariana. A cidade de São Paulo é que mais possui restaurantes vegetarianos com mais de 60 opções.

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