Comportamento

Para complementar renda, motoristas de app relatam ficar horas on line

Para especialista, prática pode acabar acarretando falta de concentração, o que é muito perigoso para quem dirige por muitas horas

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Nos últimos anos, houve uma explosão de aplicativos de transporte no Brasil. No Distrito Federal, são cerca de 22 mil motoristas cadastrados nesses aplicativos, segundo estudo da Secretaria de Mobilidade, em 2018. No Brasil, a Uber tem mais de 600 mil motoristas parceiros da empresa norte-americana. Porém, por motivos financeiros, alguns motoristas dos aplicativos acabam comprometendo a própria saúde.

Desde 2013 a crise econômica vem acompanhando os brasileiros e para fugir dela, alguns aproveitaram a popularização de aplicativos de transporte para tentar um acréscimo de renda. José Ricardo Moura, de 30 anos, é bancário e também trabalha como motorista de aplicativo há 6 meses. Segundo o brasiliense, a entrada na atividade foi por motivos financeiros. “A crise no país me fez perder algumas posses, então decidi trabalhar como parceiro da Uber para tentar diminuir os prejuízos econômicos que tive’’, disse o motorista.

Perguntado sobre as características de se trabalhar como motorista de aplicativo, João relatou que para atingir metas financeiras, já passou noites sem dormir. “O lado bom de se trabalhar como motorista da Uber é que você faz o seu próprio horário, não tem chefe para encher o saco e nem nada. Mas já aconteceu de eu definir que queria ganhar 300 reais em um dia e acabei rodando das oito da noite até meio dia do dia seguinte. E o mais estranho foi que as 16 horas para mim passaram voando’’, contou José.

Com muitos brasileiros, José decidiu trabalhar como motorista de aplicativo para complementar a renda

Como muitos brasileiros, José decidiu trabalhar como motorista de aplicativo para complementar a renda

Nos Estados Unidos, a Uber implementou em 2018 que seus motoristas tirem pelo menos seis horas de folga toda vez que trabalharem por 12 horas consecutivas, como parte de uma iniciativa para combater trabalhadores sonolentos no trânsito, algo que pode resultar em acidentes fatais.

Tânia Vieira, de 48 anos, está desempregada e tira toda a sua renda nas corridas pelo aplicativo 99. A maranhense que vive em Brasília há 20 anos também contou que para atingir metas financeiras já passou noites inteiras dirigindo. “Acho que como estou desempregada, a questão financeira acaba pesando mais para mim. Então, quando comecei as corridas, eu ficava muitas horas on-line de propósito para ter um ganho maior. Mas depois de um tempo, eu percebi que comecei a ficar dirigindo no ‘automático’. Quando eu percebia, já estava há 10 horas sem parar’’, disse Tânia.

‘’Quando eu percebi que estava dirigindo mais do que devia, parei de dirigir e voltei há pouco tempo, regulando bem o meu horário. Porém, apesar de hoje eu estar bem, conheço muitos amigos motoristas que estão passando pelo mesmo problema que tive’’, finalizou Tânia.

Renata Figueiredo, de 34 anos, é psiquiatra e conta que o trabalho em excesso pode acarretar em muitos problemas psicológicos e até físicos. ‘’Um dos principais efeitos colaterais do excesso de trabalho é a falta de sono, e isso pode acabar acarretando na falta de concentração, o que é muito perigoso para quem dirige por muitas horas. Além de que coisas importantes para a nossa saúde física e mental, como um horário regular de alimentação e a vida social são jogados para segundo plano’’, explanou a psiquiatra.

Lei do Descanso

No Brasil, a Lei 12.619, conhecida como Lei do Descanso, determina que os motoristas tenham direito a repouso de 11 horas por dia, além do descanso de 30 minutos a cada 4 horas ininterruptas de direção. Porém, a norma é direcionada apenas a motoristas que transportam carga com peso bruto superior a 4.536 quilos, aos motoristas de transporte escolar e de passageiros em veículos com mais de dez lugares. A Lei ainda não foi atualizada para motoristas de aplicativo.

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