Comportamento

Vida produtiva na madrugada?

Os impactos positivos ou negativos na vida de quem troca o dia pela noite, por escolha própria ou não

Acordar cedo e tomar um belo café da manhã. Sair para o trabalho, almoçar, voltar ao trabalho e, ao fim do expediente, seguir para casa. Jantar, ficar com a família e dormir para, no dia seguinte, seguir a mesma rotina. Esse é o estilo de vida da maioria das pessoas no mundo: produzem durante o dia e descansam durante a madrugada. Mas há também muitas pessoas que fazem o oposto e buscam ser mais produtivas durante a madrugada.

Com os dias cada vez mais corridos, encontrar um tempo livre ficou cada vez mais difícil, especialmente para a prática de atividades que exigem concentração. Não é difícil encontrar pessoas que escolhem estudar durante as primeiras horas do dia. A escolha não é difícil de explicar. Silêncio e poucas distrações são os pontos positivos encontrados por quem faz essa escolha.

Esse ambiente mais favorável à concentração não atrai apenas estudantes. O aficionado por jogos online, Pedro Henrique Pereira dos Santos, de 22 anos, decidiu praticar sua atividade favorita durante a madrugada há seis anos, após concluir o ensino médio. Segundo Pedro, essa escolha foi baseada na qualidade dos oponentes que também jogam no horário. “Na madrugada, tem um público diferenciado, um cenário mais difícil e desafiador. São pessoas que levam mais a sério o jogo, pois deixam de fazer outras coisas, como dormir, para jogar”, explicou.

Pedro Henrique dedica-se aos jogos online durante a madrugada há seis anos

Pedro Henrique dedica-se aos jogos online durante a madrugada há seis anos

Apesar da alta competitividade, Pedro explica que jogar durante a madrugada não melhorou seu rendimento. “Ficou cada vez pior. Porque eu via como obrigação evoluir no jogo, já que eu estava trocando o dia pela noite. Então, quando eu não conseguia esse resultado, eu acabava me frustrando bastante. Essa situação tem me pressionado e me estressado”.

De acordo com Ana Paula Faber, psiquiatra especialista em distúrbios do sono, esse tipo de comportamento é altamente prejudicial à saúde, especialmente para as pessoas que optam por este estilo de vida, que é o caso de Pedro Henrique. A doutora explica que dormir bem durante a noite é imprescindível, pois é neste período que o corpo libera substâncias, como, por exemplo, a melatonina, que é responsável por organizar o sono humano.

A emissão de luz, mesmo que seja a luz da tela do computador, tablet ou celular, impede a liberação dessa substância. “A luz emitida por esses aparelhos dá a informação para o cérebro de que ainda está de dia, de modo que a melatonina não é liberada. Essa não liberação gera agitação, irritação, interfere no crescimento, e até no desempenho sexual deste indivíduo, entre outras sérias complicações”, observou.

Diferente de Pedro, nem todos escolhem voluntariamente a madrugada. Muitos são os que trabalham nesse período do dia. Médicos, policiais, seguranças e muitos outros profissionais viram a noite para se sustentar. A bartender Dayce Lacerda de Sousa, de 31 anos, trabalha em eventos há mais de cinco anos, quase sempre das dez horas da noite às quatro horas da manhã, durante o fim de semana. Mesmo com essa rotina exaustiva, Dayce acredita que sua produtividade durante o dia não foi afetada, apesar de algumas ressalvas. “Eu não sinto muito desconforto com isso, não. Mas notei que no dia seguinte ao expediente, tenho dores de cabeça, não me alimento como deveria”, analisou.

Dayce trabalha em eventos em todo o Brasil, quase sempre aos fins de semana

Dayce trabalha em eventos em todo o Brasil, quase sempre aos fins de semana

A bartender conta que sempre dormiu pouco e que essa rotina possibilitou a ela aproveitar ao máximo o dia para outras atividades. “Gosto de ter o dia disponível para outras coisas, para mim é bom”.

Segundo a especialista Ana Paula Faber, as pessoas são classificadas em três categorias em relação a quantidade de horas de sono necessárias: médio-dormidores, maioria da população, que necessitam de 7 a 8 horas de sono por dia; os curto-dormidores, que precisam de menos de 6 a 7 horas; e os longo-dormidores, que necessitam de mais de oito horas para descansarem o suficiente.

Para a psiquiatra, Dayce deve se encaixar na categoria de curto-dormidores e é beneficiada por não repetir essa rotina todos os dias, mas apenas no final de semana. “Nos dias em que não está trabalhando nas festas, ela deve ter noites mais tranquilas, o que gera um equilíbrio, já que ela dorme bem durante quatro dias, contra apenas três noites mal dormidas”.

Ana Paula Faber explica, ainda, que a madrugada pode sim ser útil para estudar, por exemplo, mas apenas em períodos curtos e com o devido cuidado. “É necessário identificar o perfil de sono dessa pessoa, pois no caso dos longo-dormidores será prejudicial. E, em qualquer caso, uma boa saída é dormir um pouco, mesmo que sejam trinta minutos, no horário pós almoço, pois é um período extremamente reparador”, alertou.

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