Entrevistas

Jovem vê a tatuagem como um estilo de vida

Apaixonado por arte, Henrich Fiorge viu na tatuagem um meio para se sentir bem

Tags:
#tatuagem #emprego #preconceito tatuagem

Henrich Fiorge, 23 anos, é profissional de tatuagem. No começo, decidiu entrar nesse ramo por causa do dinheiro. Antes disso, era apaixonado por arte. Com isso, a tatuagem o ajudou a continuar no meio da arte, aquilo de que ele gostava desde mais jovem. A família, no início, não aceitava, mas apoiava por ver que era o que ele gostava de fazer. O tatuador divide o estúdio onde trabalha com mais outros sete profissionais da área.

Tatuagem de um cliente feita pelo Henrich

Tatuagem de um cliente feita pelo Henrich

O que o levou a entrar no mundo da tatuagem?

No começo foi por dinheiro. Eu já estava no meio da arte há muito tempo. Quando eu tinha 18 anos, eu comecei a tatuar pela questão financeira porque eu, como artista, não via um mercado bom para mim. Hoje em dia eu sou uma pessoa realizada graças a tatuagem. Posso dizer que conheci o mundo da tatuagem pela influência da paixão que eu tinha por arte. Hoje eu levo muito a sério meu trabalho, levo como um estilo de vida.

Você teve alguma influência para começar a tatuar?

Para mim a influência foi muito do modismo. Eu via meus amigos tatuando, ingressando no meio da tatuagem e eu sentia falta disso, porque eu já estava no meio da arte há tanto tempo e eu não conseguia encontrar uma maneira exata. Eu pude desenvolver a minha história da arte com a tatuagem.

Quantas tatuagens você tem? Conte um pouco sobre as suas tatuagens.

Algumas têm significado para mim, outras apenas foi para preencher um espaço que me incomodava, tipo, eu não estou me sentindo completo, então preciso me tatuar. Das 23 tatuagens que eu tenho só uma tem significado muito importante para mim. Não adianta você fazer um desenho na sua pele, tem que ter maturidade para assumir aquilo que você fez, tem que ter uma história para fazer a primeira tatoo.

Você acha que antes o preconceito era maior do que hoje?

Quando eu era mais novo sofri muito preconceito por outros motivos. Tenho apenas 23 anos. Pela tatuagem, sofri muito pouco preconceito, em casa ou na rua. Para mim, antes, as coisas eram muito difíceis de serem aceitas, o homossexualismo, enfim. Hoje em dia é bem mais aceitável, apesar de eu ser negro, das pessoas falarem que tatuagem é coisa de bandido, essas coisas todas, eu não sofri muito em relação à tatuagem. Para mim ela me revelou.

Seus pais te apoiaram?

Uma questão difícil.  No começo, eles não aceitavam por ser uma família tradicional. Meu pai, militar, minha mãe, dona de casa, então eles não aceitavam. Não tinham muito conhecimento sobre isso, mas eu consegui mostrar para eles o lado positivo pra mim, que faz parte do meu ser, porque sou apaixonado por arte, conseguiram aceitar bastante por eu mostrar a tatuagem de uma forma saudável. Me apoiaram, sou muito grato a eles. Mesmo no início eles me ajudaram e torcem muito pelo meu sucesso.

Como você vê o mundo da tatuagem?

Infelizmente, eu vejo o mundo da tatuagem muito carente de conhecimento, porque tem muitas pessoas que têm acesso aos aparelhos profissionais de tatuagem e essas pessoas estão contaminando o meio.  Esse tipo de pessoa acha que por ter acesso aos produtos de um profissional podem tatuar. Não é qualquer pessoa que vira tatuador. Tem que estudar, saber o que está fazendo, não é só comprar os produtos pela internet e virou um tatuador. Lutamos por uma causa, todo tatuador não tem apoio nenhum do governo, familiares, então lutamos para que seja muito valorizado. Só o tatuador de verdade sabe como é difícil ser autônomo, administrar um estúdio e lutar contra todo preconceito possível que pode existir no meio da tatuagem. Respeito acima de tudo, não trabalhamos apenas com a estética da pessoa, mas também com o emocional.

O que mais te surpreende no mundo da tatuagem?

O que me surpreende é essa possibilidade de poder trabalhar o emocional do cliente, a estética, tudo o que envolve fisiologicamente, fisicamente, psicologicamente. Vamos supor que se o tatuador faz um trabalho ruim na pele de um cliente vai ficar para o resto da vida e ele vai lembrar daquilo como uma sensação muito ruim. Temos uma responsabilidade muito grande com nossos clientes, apesar de muitos acharem isso fútil. Eu vejo meu futuro promissor como tatuador, porque eu sei da minha responsabilidade como tatuador. A tatuagem, hoje, é muito aceitável, então temos que representar isso.

Henrich em uma sessão de tatuagem

Henrich em uma sessão de tatuagem

Notice: Tema sem comments.php está obsoleto desde a versão 3.0 sem nenhuma alternativa disponível. Inclua um modelo comments.php em seu tema. in /var/www/publicacao/jornalismo/site-root/wp-includes/functions.php on line 2957

Deixe uma resposta

Turismo e Lazer
capa Nova edição da revista Redemoinho discute temas polêmicos
Economia
1 Surdos conquistam espaço no mercado de trabalho
Esporte
_CSC0014 Crianças sofrem discriminação de gênero dentro de esportes

Mais lidas