Cultura

Revogação de verba do Fundo de Apoio à Cultura mobiliza a classe artística do DF

Cortes do edital do FAC 2018 afetam projetos culturais

O cancelamento do edital de 2018 do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) afetou 269 projetos culturais locais. Segundo o governo do Distrito Federal, 40 milhões de reais do orçamento direcionado ao FAC foram comprometidos com ações da gestão anterior, afetando o atual orçamento do fundo.

Após a divulgação de que esses projetos previstos no edital não poderiam ser financiados pela verba do governo local para apoiar a cena cultural brasiliense, a classe artística, com apoio da “Frente Unificada da Cultura do DF”, se mobilizou e realizou manifestações em prol da Lei Orgânica da Cultura (LOC). A LOC, sancionada em 2017, garante o pleno funcionamento da cultura local e a manutenção de verbas de apoio a esses projetos.

O FAC voltou a ser discutido no TC-DF após adiamento da primeira reunião

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Artistas, produtores culturais e apoiadores do movimento defenderam  no  Tribunal de Contas do DF a revogação do cancelamento do edital de 2018. A votação, que seria realizada em 6 de junho, foi adiada, mas levou até o plenário do órgão federal centenas de apoiadores. O maestro Rênio Quintas lamenta o corte e conta como isso afeta a vida de quem trabalha indiretamente com arte na capital e tem seu emprego afetado: “A cadeia econômica da cultura tem uma capilaridade muito grande, quando a gente faz um espetáculo a gente contrata desde a pessoa que faz os cenários até quem faz os figurinos, toda uma cadeia que não é artística e alimenta nosso trabalho”.

O maestro Rênio Quintas defende que a cultura é transformadora e merece atenção

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O apoio do governo possibilita levar cultura para áreas mais sensíveis onde não existem estruturas fixas para a realização de peças ou exposições. Com os cortes teatros infantis que acontecem em regiões administrativas como Ceilândia, Gama e Taguatinga estão interrompidos. “Projetos que são estruturantes pela carência que as cidades administrativas tem, não tem teatro lá, quem faz o teatro são o artistas que vão com esses recursos do FAC até lá”, enfatiza Rênio.

Segundo a Secretaria de Cultura do DF, o FAC, que recebe 68 milhões de reais anualmente, segue em funcionamento, apenas o edital anterior foi paralisado. “O FAC não está parado, sai edital deste ano, inclusive para o “Conexão”, projeto que leva produções locais para o exterior e trás algumas para cá”, destaca a assessoria do órgão.

O projeto “Culturas Vivas”, organizado pelo Centro de Trabalho Indigenista juntamente com a Secretaria de Cultura do DF, anunciou o encerrado devido à falta de financiamento. O projeto cultural promovia a ocupação do memorial dos povos indígenas através de exposições, rodas de conversas, projeção de filmes entre outras atividades para promover a cultura de povos indígenas. Maria Augusta, que esteve a frente do projeto, conta que a iniciativa foi o principal meio para reativar o memorial: “O projeto tinha o intuito de dinamizar e preservar o memorial, que em 2015 teve o maior número de visitantes”.

Segundo Maria Augusta, o “Culturas Vivas” não tem previsão de voltar sem o apoio do FAC, apenas se a secretaria tomasse a frente do movimento. Além do  Culturas Vivas, o festival Criolina, que acontece todos os anos no Setor Comercial Sul desde 2016 e recebe ajuda do FAC, também teve sua edição 2019 cancelada.

A produtora cultural Rosidete Maria Rosa, que promove espetáculos com pessoas em situação de vulnerabilidade, como depressão e mutilados, conta que a burocracia em torno do fundo também impossibilita muitas vezes seu uso: “Eu nunca usei o FAC, porque nunca aceitavam o projeto e sempre com uma burocracia enorme. Então, você acaba sendo autônomo, acaba fazendo sem cache, uma série de coisas que prejudica”.

 

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