Entrevistas

Coleção: uma paixão para a vida toda

Fã de carrinhos possui cerca de 1.500 exemplares em seu acervo

Colecionar é muito mais do que um hábito. É uma paixão que transforma a vida de quem faz uma junção de memórias ao longo da sua trajetória. Há dois tipos de colecionadores: o sazonal e o temático. Um exemplo do último é o aposentado Aden Testi, 70, que possui em casa um acervo de miniaturas de Ferraris em escala 1:18.

A paixão começou desde cedo, Aden sempre foi aficionado por carros. Compartilhava a mesma paixão do pai e se empenhou em cultivar seu tesouro que atualmente vale muito mais do que um carro zero de marca boa.

O colecionador Aden Testi trabalhando com restauração de miniaturas.

O colecionador Aden Testi trabalhando na restauração de suas miniaturas

Quando foi que começou a colecionar?
Comecei essa coleção de agora em 1993. Já faz 26 anos que me dedico a isso. Antes, quando jovem, não dava valor para os carros que eu tinha, então ficaram todos velhos e amassados. Como estavam jogados, decidi jogar fora e recomeçar levando a sério.

Quais são os tipos de miniaturas?
Coleciono miniaturas de verdade, de escala 1:18, são de ferro e não tão fáceis de achar. Já passei meses procurando uma Ferrari que eu ainda não tinha, mas no final consegui comprar de uma pessoa pela internet. Dessa forma, consegui fazer muitas amizades no meio de colecionadores que gostam tanto quanto eu.

Quantas miniaturas você possui?
Eu possuo cerca de 1.500, todas estão catalogadas e organizadas por marca.

De quais você mais gosta?
Eu não tenho uma favorita. Eu gosto de todas as Ferraris. Mas se eu precisasse escolher uma, ficaria talvez com a Ferrari 458.

Você já expôs? Como foi a experiência?
Eu expus em 2008, levei 250 miniaturas para o Museu Nacional da República. Fiquei surpreso com a quantidade de pessoas que visitaram a exposição e se interessaram pela minha coleção. É gratificante ver que as pessoas valorizam seu esforço para tornar aquilo perfeito.

Qual a importância da coleção para você?
A minha coleção, sem sombra de dúvidas, é o meu maior bem. Há 26 anos eu desenvolvo esse acervo. Eu não só coleciono, como restauro miniaturas antigas que me dão de presentes, gosto de mexer com a mecânica dos carros. Meu carro de verdade é sempre bem cuidado, eu sou bem sistemático com essas coisas.

O que te levou a colecionar?
Desde pequeno eu me interesso por carros. Aos 10 anos, já conseguia ver qualquer veículo na rua e dizer o nome e a marca sem precisar pensar muito, só de olhar.

Qual foi o preço mais alto que você já pagou por uma miniatura?
Já cometi algumas loucuras e uma delas foi ter pago 3.500 Euros em um único carro, quando fui pra Maranello, na Itália. Lá é a cidade da Ferrari, tem o museu, o restaurante, a fábrica e toda a economia da cidade gira em torno da marca.

A sua família apóia a sua paixão?
Com certeza. Minhas filhas respeitam e conversam comigo. Minha mulher sabe o tanto que eu gosto. Não perco um treino ou uma corrida de Fórmula 1. Ela coloca despertador, mesmo que a corrida seja 4h da manhã pra me acordar. Compram presentes relacionados, perfumes da Ferrari, relógio, camisa. Sabem que não tem como errar se o presente tiver a ver com o que eu gosto.

Qual a melhor coisa que essa coleção te proporcionou?
É uma paixão. Mais do que isso, é um estilo de vida. Posso dizer que minha coleção me proporcionou muitos amigos que gostam de colecionar carros. Também consegui contatos que me permitem assistir a corrida de Fórmula 1 todo ano em camarotes, em Interlagos-SP. E como me aposentei, passo o dia restaurando e trabalhando na minha coleção, isso me acalma e não me deixa ficar na ociosidade.

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