Esporte

Crianças sofrem discriminação de gênero dentro de esportes

Piadas, assédio moral e desprezo são algumas das coisas que crianças enfrentam ao iniciar esportes que não são vistos como do seu “gênero”

Em ano de copa mundial de futebol feminino, no qual as atletas do time brasileiro estão jogando sem patrocínio, pois se recusaram a aceitar de patrocinadores um valor muito inferior ao que é oferecido ao time masculino, é evidente o quanto a sociedade ainda sofre por causa do preconceito de gênero. Entretanto, tal preconceito não se restringe à população adulta, chegando a afetar a vida de crianças que decidem fugir do “comum” quando escolhem o esporte que vão praticar.

Lara Félix, 12 anos, segurando sua antiga bola de futebol, que guarda como lembrança da época que praticava o esporte.

Lara Félix, 12 anos, segurando sua antiga bola de futebol, que guarda como lembrança da época em que praticava o esporte

Lara Félix tem 12 anos e afirma ter um carinho pelo esporte desde muito nova, começando com o futebol: “é meu esporte favorito. Tudo o que eu queria era jogar”. Lara começou a fazer aulas de futebol aos 7 anos, desistindo da modalidade aos 9, após sofrer inúmeros assédios morais, chegando ao assédio físico que culminou na sua desistência.

“Ela chegava em casa claramente abalada, mas se recusava a contar o que estava acontecendo”, revela a mãe de Lara, Niquelina Félix. “Eu cheguei a dizer para ela desistir logo no início, mas ela queria continuar tentando pelo seu amor ao futebol”.

Porém, tal problema não se restringe ao futebol, atingindo outras crianças em outras áreas esportivas, como é o caso do estudante Gustavo Souza, 17, que fez 3 anos de balé clássico, antes de desistir por causa do bullying. “Eu amava dançar e detestava apanhar por causa disso. Hoje, eu me arrependo de ter desistido e penso em voltar”, diz o estudante, que considera o sucesso a melhor arma contra aqueles que lhe fizeram mal.

“Essas crianças são o reflexo de toda uma sociedade”, declara Niquelina, “chega a ser ridículo o que pensamentos completamente atrasados e machistas fazem com crianças que deveriam ser puras e livres de preconceitos”. A mãe ainda afirma que a educação se dá em casa e que os pais deveriam prestar mais atenção no que ensinam aos seus filhos. “Eu tive que explicar para minha filha, de 9 anos, na época, que a culpa não era dela, ao mesmo tempo que eu me culpava por tê-la deixado entrar naquele meio”.

Ao ser questionada sobre uma possível volta aos campos de futebol, Lara confessa pensar na hipótese: “eu ligo a tv, vejo todas aquelas mulheres maravilhosas na copa de futebol feminino e penso em voltar a jogar. Um dia eu sei que vou jogar futebol de novo”. Niquelina garante que quando esse dia chegar, sua filha terá seu total apoio: “ela é forte e eu não posso protegê-la para sempre. Se ela decidir jogar novamente tudo o que eu posso fazer é estar lá para apoiar”.

Alguns alunos da turma do professor Wanderson Siqueira jogando em campo.

Alguns alunos da turma do professor Wanderson Siqueira jogando

Wanderson Siqueira é professor de Educação Física, mas em seu tempo livre possui duas turmas, separadas por faixa etária, nas quais ensina futebol em um centro comunitário na Candangolândia.

Wanderson afirma que as turmas são compostas, em sua maioria, por meninos: “ano passado eu tinha uma menina na dos pequenos [entre 5 a 10 anos], mas ela desistiu. Na turma dos maiores [a partir dos 10 anos] eu tenho duas garotas muito boas e eu tento incentivá-las para que não desistam”.

Com uma média de 30, 25 alunos por turma, a diferença de quantidade entre crianças do sexo masculino e do sexo feminino é grande. Quando questionado sobre futuramente abrir uma turma apenas para garotas, Wanderson respondeu: “não descarto essa ideia, mas ainda não tenho a procura necessária para seguir com um plano assim”.

 

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