Meio Ambiente

Cruciais na reprodução das plantas, abelhas sofrem risco de desaparecer

As principais causas são os usos de dos pesticidas e as pragas

Segundo a Associação Brasileira dos Estudos das Abelhas (A.B.E.L.H.A)  as abelhas são responsáveis por 80% de toda a polinização de plantas com flores no mundo, elas possuem função de manutenção e continuidade dos ecossistemas, sendo assim um bioindicador de qualidade ambiental e crucial na reprodução das flores que resulta na produção de frutos de melhor qualidade e maior número de sementes. Dessa forma, elas exercem um papel importantíssimo para que a proliferação de vida não seja descontinuada e garantindo assim o surgimento de alimentação para várias espécies.

 Nesse sentido, é necessária muita cautela e atenção para lidar com esses insetos, pois assim como outras espécies, algumas abelhas correm risco de desaparecer com o tempo em decorrência de diversos fatores, os mais comuns são as pragas e o uso de pesticidas. Dentre as espécies que aparecem em estado gradual de extinção, estão a abelha de cara amarela (Hylaeus anthracinus), a Hawaiian yellow-faced bee (Hylaeus longiceps), e a Assimulans (Hylaeus assimulans). Por coincidência, todas são nativas do Havaí, nos Estados Unidos. Do seleto grupo de abelhas que já estão extintas está a Apis armbrusteri e a Apis lithohermaea, ambas as espécies são pré-históricas e só podem serem estudadas por meio de fósseis.

 

Declaradas ser vivo mais importante do planeta terra pela Royal Geographical Society, sociedade erudita do Reino Unido que estuda geografia, abelhas são bioindicador de qualidade ambiental

Declaradas ser vivo mais importante do planeta terra pela Royal Geographical Society, sociedade erudita do Reino Unido que estuda geografia, abelhas são bioindicador de qualidade ambiental

No Brasil há três espécies que estão ameaçadas de extinção, a melipona scutellaris (também conhecida como “uruçu” ou “uruçu-nordestina”), a melipona capixaba (popularmente conhecida como “uruçu-negra”) e a melipona rufiventris ( também chamada de tujuba ou uruçu-amarela). Todas as abelhas citadas são de um grupo que não possui ferrão.

 Por meio de fenômeno conhecido como colony collapse disorder (síndrome do colapso da colônia, CCD) algumas colônias de abelhas começaram a simplesmente desaparecer. Segundo um levantamento do Coloss, rede de cientistas de mais de 60 países que estuda o sumiço das abelhas, algumas regiões perderam até 53% de suas colônias. O Japão, a China e o Brasil também reportaram problemas – apicultores de Santa Catarina relataram que um terço das 300.000 abelhas do Estado bateu asas em 2012. As informações são do portal da VEJA.

Para o professor do departamento de Biologia da Universidade de Brasília e especialista em entomologia (ramo da zoologia que estuda os insetos), Antônio Aguiar, caso as abelhas desaparecessem, haveria uma perda muito grande na reprodução das plantas como um todo. “Nós poderíamos perder serviço, além de ser um desequilíbrio muito radical nos ecossistemas. Caso elas desaparecessem, seria uma redução gradual. A não ser em casos de aplicação de inseticidas. Como um todo, haveria uma extinção gradual das plantas também.”

Antonio é entomólogo e estuda especificamente as abelhas

Antonio é entomólogo e estuda especificamente abelhas

A polinização é a transferência do pólen (gameta masculino) da estrutura reprodutiva masculina de uma flor (antera) para a estrutura reprodutiva feminina (estigma) da mesma flor ou de outras flores da mesma espécie. Dessa forma, o gameta masculino alcança o gameta feminino (óvulo) e o fecunda. Alguns grupos seletos de abelhas são capazes de produzir mel, e nessa seleção está a abelha europeia (também conhecida como abelha-de-mel), a asiática, a asiática anã e a abelha gigante, esses são os tipos mais conhecidos que produzem a substância açucarada e viscosa.

 

É por meio das plantas com flores que as abelhas realizam a polinização

É por meio das plantas com flores que as abelhas realizam a polinização

A produção do mel é realizada por meio das abelhas operárias, um conjunto que trabalha fora da colmeia e coleta o néctar das flores, o néctar é  processado pelas enzimas digestivas desses insetos, e é armazenado em favos em suas colmeias que os serve de alimento. Essa é a matéria-prima é conhecida como mel verdadeiro, as operárias coletam qualquer líquido açucarado que possa ser usado para fazer o alimento. E por isso que é tão comum avistar abelhas coletando restos de refrigerante, por exemplo.

 Antônio reforça que as abelhas são parte essencial para o meio ambiente. “Falar de abelhas é falar de meio ambiente. Elas são importantes para a alimentação orgânica e humana, não simplesmente só pelo mel, mas  pela polinização. E além disso servem como bioindicador de qualidade ambiental. Abelhas para a vida.”

A espécie mais comum encontrada no Brasil é a abelha-de-mel (Apis mellifera), elas podem ser facilmente encontradas em cidades, matas e campos em geral. Esse é o  tipo de abelha mais utilizada para produção de mel em grande escala pelos apicultores (ciência, ou arte, da criação de abelhas com ferrão. É um ramo da zootecnia). Além da abelha-de-mel, é possível encontrar espécimes nativas, como a Jataí da Terra, que como o próprio nome já diz ela é encontrada em colmeias feitas no solo. Além dessas e também comuns no Brasil, são a Jataí comum e a lambe olhos. Ao todo são segundo o Catálogo Moure, existem 1500 espécies de abelhas no Brasil, esse valor pode chegar até 3000 espécies, incluindo as que ainda não foram catalogadas. No cerrado, por exemplo, uma área conservada pode chegar a possuir mais 200 de espécies. Cada conjunto polinizando determinado tipo de flores.

Educação Ambiental

 Fundado em 1986 inicialmente como uma chácara particular pela odontopediatra Maria Abadia e pelo engenheiro civil Marcelino Barberato e localizado na setor rural de Taguatinga, o Sítio Geranium é um centro de referência no âmbito da Educação Socioambiental e produção de alimentos orgânicos. O espaço realiza visitas guiadas para  estudantes de diversas idades, e além disso, possui um meliponário que reúne colmeias de abelhas nativas sem ferrão. Dentre elas, a Jataí comum e a da terra. O local possui diversas espécies de abelhas criadas em caixinhas próprias para a reprodução dos insetos. O meliponário visa ajudar na visualização e estudo das abelhas durante as visitas ecopedagógicas e demais atividades desenvolvidas no Sítio Geranium.

As abelhas nativas do meliponário do Sítio Geranium são criadas em pequenas caixas propicias para a reprodução dos insetos

As abelhas nativas do meliponário do Sítio Geranium são criadas em pequenas caixas propicias para a reprodução dos insetos

 

    Notice: Tema sem comments.php está obsoleto desde a versão 3.0 sem nenhuma alternativa disponível. Inclua um modelo comments.php em seu tema. in /var/www/publicacao/jornalismo/site-root/wp-includes/functions.php on line 2957

    Deixe uma resposta

    Turismo e Lazer
    capa Nova edição da revista Redemoinho discute temas polêmicos
    Economia
    1 Surdos conquistam espaço no mercado de trabalho
    Esporte
    _CSC0014 Crianças sofrem discriminação de gênero dentro de esportes

    Mais lidas