Economia

Surdos conquistam espaço no mercado de trabalho

Em Brasília, instituição prepara profissionais surdos para atuar em órgãos públicos

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Karen Elysee

A busca por trabalho é um direito de todos. A conquista de uma vaga é um exercício de cidadania. Instituições que atuam com profissionais PCDs – Pessoas com Deficiência , mais especificamente os surdos, têm um papel social importante para a inserção e inclusão dos deficientes no mundo do trabalho.

A supervisora Maria Joice Pereira, 34 anos, trabalha no Cetefe (Associação de Centro de Treinamento de Educação Física) há 3 anos e convive com essa dinâmica em dia rotina.  O Cetefe realiza a prestação de serviços a órgãos como o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) por meio de convênio, capacitando surdos para atividades administrativas e de apoio técnico na gestão de documentos.

Ela explica que a empresa tem um conceito diferente de outras empresas: “Faço um trabalho social com PCDs (Pessoa com Deficiência), de motivação e treinamento. É importante estar atenta às suas necessidades. Tento não ser uma chefe e sim uma líder”.

Maria Joice explica que uma das barreiras que os surdos encontram ao querer entrar no mercado de trabalho é a comunicação, pois é difícil encontrar alguém que sabe se comunicar usando a Língua Brasileira de Sinais (Libras), além do preconceito que se tem em relação aos surdos. “Eles são capazes e bem qualificados, mas poucos dão oportunidade de mostrar isso”, avalia.

Atuando com encaminhamento de centenas de surdos para diversos postos de trabalho em órgãos públicos e entidades em Brasília, ela se orgulha com o trabalho que desenvolve. “Para mim é motivo de muito orgulho e sensação de contribuição com a vida das pessoas.  Já trabalhei por anos em uma área que não gostava, hoje faço algo que me dá imenso prazer porque o foco é ajudar o outro. Também é bom saber que algumas habilidades e conhecimentos que já tinha foram úteis para o trabalho que realizo. Me dedico de coração”, conta.

No Cetefe a maior parte dos colaboradores são surdos, por isso surgiu a necessidades de supervisores com fluência em Libras. Isso torna o ambiente de trabalho acolhedor para os surdos que fazem da Cetefe seu lugar de refúgio, sabem que ali de fato terão atenção.

Centenas de surdos trabalham ou já passaram pela instituição, em sua estréia no mercado de trabalho. Além do aprendizado, a chance de trabalhar com o apoio da comunicação em libras representa dignidade e respeito pela comunidade surda.

Amanda Benaiter Doss, 24 anos e estudante de publicidade, trabalha validando processos, precisa de bastante atenção e preciso encontrar possíveis erros da digitalização, necessitando a correção em caso de erros. “É bem diferente pois a grande maioria com quem trabalho são surdos. Com isso há uma diversidade de cultura entre os surdos e ouvintes, o que é bem legal. ” Ela percebeu grande desenvolvimento pessoal nas atividades que realiza no TJDFT, onde trabalha por meio da parceria do CETEFE. “Tive chance de conhecer bastante gente também”, orgulha-se.

Os surdos contam com o suporte da supervisão nos trabalhos realizados nos órgãos. Se tem alguma dificuldade na comunicação, o supervisor sabe sinais como LIBRAS  e o condenador sabe apenas um pouco mas tem que chamar supervisão se traduzi para nós, assim a comunicação é tranquila”, releva Amanda.
Assim como dezenas de colegas de trabalho que compartilham suas atividades no TJDFT, ela analisa que precisa conhecer melhor algumas ferramentas do trabalho como o Excel. ” Minha meta é também melhorar o meu português para comunicação por e-mail. ”, finaliza.

Como participar

O Cetefe atua com profissionais com deficiência especificamente surdos, a empresa não possui número de telefone para trabalhar no CETEFE e preciso entrar no site http://www.cetefe.org/  e cadastrar o currículo ou comparecer a empresa no seguinte endereço Edifício Enap, Setor policial sul ao lado do corpo de bombeiros, ginásio sala G6. Assim que tive vagas de trabalho a empresa entra em contato solicitando documentos necessários para a contratação.

 

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