Saúde

Saúde mental importa?

Investir em autoconhecimento, construção de auto estima e amor-próprio é a chave para uma mente mais saudável

Depressão, ansiedade, transtornos mentais, estresse pós-traumático são algumas das doenças mentais de que já ouvimos falar, mas como podemos ser saudáveis mentalmente? O que realmente é saúde mental? Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), saúde mental é o equilíbrio entre o bem-estar físico e social. “Viver em um ambiente que respeite e proteja os direitos básicos civis, políticos, socioeconômicos e culturais é fundamental para a promoção da saúde mental”, diz a Organização Pan-americana de Saúde /Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS).

Segundo a psicóloga e professora universitária Graziela Ferreira, coordenadora do curso de psicologia do Centro Universitário IESB, a ciência define a saúde mental como “o estado de bem-estar psíquico no qual a pessoa não apresenta grandes dificuldades nos seus aspectos sociais, pessoais e laborais”. Isolamento, solidão, perdas materiais e sociais, dentre outros efeitos, são algumas das causas da falta de saúde.

Problemas de saúde mental têm se tornado cada vez mais comuns no mundo, e no Brasil não é diferente. Segundo uma pesquisa da OMS, em 2019, as doenças mentais têm atingido cerca de 23 milhões de brasileiros, ou seja, 12% da população. Ainda de acordo com a pesquisa, ao menos 5 milhões, 3% dos cidadãos, sofrem com transtornos mais graves e persistentes. O número de casos tende a aumentar nas áreas urbanas e entre mulheres, aponta a pesquisa.

Segundo a OMS e o Conselho Federal de Psicologia, uma em cada seis pessoas que possuem doenças mentais estão na faixa de 10 a 19 anos, sendo que 16% das causas de doenças e lesões dessa mesma faixa estaria são por causa de mentes não saudáveis. Metade de todas as condições de saúde mental começa aos 14 anos de idade, sendo que nem sempre são diagnosticadas e geralmente a tendência é começar o tratamento depois de adultos.

A psicóloga Elaine Lima, que faz parte do Conselho Regional de Psicologia, comenta se há alguma possibilidade de doenças mentais serem uma epidemia. “Não posso dizer que se tornou uma epidemia, porém os dados da OMS nos chamam a atenção para a gravidade da questão. A população tem adoecido cada vez mais mental/emocionalmente. Creio que o entrelaçamento de vários fatores contribui para com as estatísticas e previsões alarmantes”.

Tratamentos

O remédio não é a única solução de tratamento. Atividades físicas, boa alimentação e boas  convivências  sociais são a chave para a saúde mental

O remédio não é a única solução de tratamento. Atividades físicas, boa alimentação e boas convivências sociais são a chave para a saúde mental

Antes mesmo de tomar qualquer decisão precipitada, procure um profissional que possa ajudar a entender e diagnosticar, caso for preciso, fazendo uma avaliação geral. Dependendo do quadro de adoecimento não se faz necessário o uso de medicação psiquiátrica. Mudanças de hábitos e psicoterapia podem surtir significativos resultados.

Exercícios físicos, terapia, acupuntura, alimentação saudável são alguns dos tratamentos mais eficientes. Mas caso necessário o uso de remédios, o profissional responsável irá se encarregar das melhores opções.

Porém nem todos têm a facilidade, nem o dinheiro para se consultar em psicólogos particulares. E como essas pessoas podem se tratar? O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito, mas não é tão fácil conseguir uma vaga. Thais Coelho, psicóloga do Hospital Municipal Materno Infantil Santa Rita de Cássia (HSRC), na cidade de Planaltina-GO, comenta o quanto as pessoas estão carentes de tratamento psicológico. “O SUS, apesar de oferecer tratamento, está sobrecarregado e não dá conta de um atendimento global desse paciente, considerando, também, as particularidades de cada um”, explica Thais.

A psicóloga ainda faz um apelo. “Bem, na minha experiência não somente no hospital público, mas no SUS como um todo, vejo a necessidade de mais profissionais para atender a grande demanda. Há também a dificuldade em obter recursos (sejam eles físicos, materiais, financeiros ou capacitações para atualização e adequação do profissional ao público atendido)”.

Thaís é a única psicóloga do Hospital onde trabalha, fazendo todo o tratamento psicológico dos pacientes que chegam precisando do atendimento e os que já possuem o tratamento pelo SUS. Ela trabalha na área obstétrica, atendendo mães, porém como única profissional na área, Thaís atende todo o Hospital. A psicóloga trabalha com pessoas carentes de tratamentos, o que dificulta ainda mais o acompanhamento dessas pessoas.

 

A psicóloga Thais Coelho pede para que as escolas também possam fazer um trabalho de base para que crianças crescem mais saudáveis mentalmente.

A psicóloga Thais Coelho pede para que as escolas também possam fazer um trabalho de base para que crianças cresçam mais saudáveis mentalmente.

 

É importante frisar que saúde mental envolve tudo aquilo que vivemos no dia a dia, por isso fique atento às dicas de prevenções das profissionais entrevistadas:

Ter uma vida regrada: boa alimentação, bom tempo de sono, qualidade nas relações sociais e afetivas, boa rede social (amizades e afetos), fazer o que se gosta (trabalho ou estudo), exercício físico etc. Ter uma um bom relacionamento social é importante para ajudar a passar pelos momentos ruins, compartilhar é importante.

Os profissionais de saúde estão aí para nos auxiliar: Líderes religiosos e familiares podem ser de grande ajuda quando compreendem que adoecer das emoções não é sinal de fraqueza, falta de vergonha na cara, frescura, falta de força de vontade ou a punição por um pecado cometido ou a ação maléfica de um ser espiritual.

Deve-se investir em autoconhecimento, construção de auto estima e amor-próprio, evitar ou se afastar de relações e ambientes tóxicos.

 

Doenças Relacionadas

Como somos uma totalidade, nosso adoecimento mental/emocional pode se manifestar no corpo de diferentes formas: por meio de doenças físicas e mentais/emocionais: depressão, ansiedade, pânico, surtos (psicóticos e paranoicos). Essas doenças estão crescendo durante esses anos, tornando-se uma preocupação para a saúde mundial.

Mas o que significa cada uma delas?

Depressão: A depressão é um transtorno mental frequente. Em todo o mundo, estima-se que mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofram com esse transtorno.

Ansiedade: Preocupação intensa, excessiva e persistente e medo de situações cotidianas. Podem ocorrer frequência cardíaca elevada, respiração rápida, sudorese e sensação de cansaço. A doença atinge mais de 260 milhões de pessoas. Aliás, o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas: 9,3% da população

Pânico: Um episódio súbito de medo intenso que desencadeia reações físicas graves quando não há nenhum perigo real ou causa aparente. Cerca de 6 milhões de pessoas sofrem com a doença, no Brasil

Surtos (psicóticos e paranoicos): O surto psicótico constitui uma alteração grave no juízo da realidade e exige um tratamento e uma compreensão adequados para melhorar a qualidade de vida da pessoa afetada. 2,5 milhões de brasileiros são afetados.

*Dados obtidos da Organização Mundial da Saúde, Conselho Regional de Psicologia e Ministério da Saúde.

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