Ciência e Tecnologia

Brasileiros enfrentam desafios por não usarem os serviços online

41% das pessoas que não possuem acesso à internet são de área rural, aponta pesquisa

Os serviços online têm o objetivo de facilitar o contato e a solução de problemas, sem que as pessoas precisem se locomover ao estabelecimento físico. Afinal, fazer o serviço pela internet, como pagar boletos, impostos, buscar informações sobre empresas ou órgãos,  gera maior conforto e rapidez. Um exemplo são os impostos (IPTU e IPVA), que recentemente deixaram de ser entregues nas residências, para que as pessoas paguem preferivelmente via online.

Em 2018, 83% dos brasileiros que não possuíam acesso à internet eram analfabetos ou tinham apenas a educação infantil. Também, 41% viviam em área rural e nunca acessaram a internet. Com isso, os principais motivos das pessoas não realizarem serviços pela internet são: falta de habilidade, por ser muito caro, preocupação com segurança ou privacidade e por evitar o contato com conteúdo perigoso. Esses são dados do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). Em relação aos dados de 2019, o centro afirma que “as pesquisas de 2019 ainda serão lançadas”.

Entretanto, há pessoas que não possuem o acesso à internet ou não sabem usar os serviços online. A servidora pública aposentada Maria de Fátima conta que tem dificuldades na hora de acessar a internet. “Eu tenho praticamente todas as dificuldades, como por exemplo, pagamento de contas, abrir e-mails, até mesmo baixar aplicativos e outros. ”

48% das mulheres e 42% dos homens não usam a internet por preocupação com segurança ou privacidade.

48% das mulheres e 42% dos homens não usam a internet por preocupação com segurança ou privacidade.

Sendo assim, essas pessoas precisam ir até o estabelecimento físico, o que nem sempre é o meio mais acessível. Para a servidora pública Garben Hellen as pessoas que optam por não usarem os serviços online acabam sendo prejudicadas. “O grande problema é que temos que esperar muito tempo nas filas. Além disso, eu trabalho e moro longe do banco, então tenho um grande deslocamento até o lugar físico para cadastro de senhas ou pagamento de contas”, afirma.

Além disso, a questão da confiabilidade na internet também é um problema. 48% das mulheres e 42% dos homens não usam a internet por preocupação com segurança ou privacidade. Garben Hellen afirma que se sente insegura na hora de utilizar a internet, por não saber diferenciar os sites seguros e acabar sofrendo golpes ou outros tipos de prejuízos. “Várias vezes, já aconteceu de eu entrar em sites perigosos e o site apagar os meus arquivos por exemplo.

“O grande problema é que temos que esperar muito tempo nas filas.", afirma a servidora pública Garben Hellen.

“O grande problema é que temos que esperar muito tempo nas filas”, afirma a servidora pública Garben Hellen.

A advogada Ana Victória de Moraes, especialista em Direito do Consumidor, aconselha que os consumidores devem tomar cuidado com a empresa da qual estão contratando serviços online. “Os cuidados a serem tomados pelo consumidor se referem à confiabilidade da empresa em que se está contratando ou comprando produto, verificando se no site desta possui CNPJ, se há reclamações em sites específicos sobre os serviços e se este fornece alguma forma de contato”, declara a advogada.

As empresas sempre devem oferecer uma forma de contato, seja e-mail, telefone ou endereço, para que no caso de problemas, o consumidor tenha a quem recorrer. “Inclusive esse é um ponto que deve ser observado pelo consumidor na hora de contratar qualquer serviço ou até mesmo comprar qualquer produto pela internet ”, esclarece Ana Victória.

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