Economia

Jovens se endividam para não passar o carnaval em Brasília

Mesmo com 180 blocos cadastrados para o Carnaval 2020, brasilienses preferem se endividar com viagens do que passar o feriado na Capital

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Neste ano, o Carnaval do DF contou com 180 blocos cadastrados para sair nas ruas do Plano Piloto. O Governo do Distrito Federal (GDF) garantiu, por meio do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), a contribuição de 3,9 milhões de reais para a folia. No entanto, moradores da Capital optaram por viagens para aproveitar o feriado em outros Estados.

Embora inferior aos anos anteriores, a estimativa era de que 200 mil pessoas saíssem do DF no feriado. O desejo de deixar Brasília era tanto, que o endividamento não pareceu um problema para Bárbara Malato. A social media de 22 anos foi para o Rio de Janeiro comemorar o carnaval com os amigos mais próximos.

Bárbara analisa planilha de gastos

Bárbara analisa planilha de gastos

Bárbara conta que, desde 2017, tem um acordo com a namorada de viajar no feriado. “O carnaval em Brasília é desanimado e a gente gosta muito do Rio, sempre vamos para lá”, revela. Um pacote de viagens para o Rio de Janeiro pode chegar a 2 mil reais em feriados e altas temporadas. Para arcar com os custos, Bárbara se planeja com três meses de antecedência, mas este ano, o prazo não foi suficiente para equilibrar o orçamento. “Definitivamente, eu gastei um pouco acima do previsto”, afirma.

Da mesma forma, Ana Quésia Silva, revisora de textos de 23 anos, viajou para Caldas Novas, cidade do Goiás. A jovem embarcou contando apenas com o cartão de crédito para pagar as contas do passeio. “Estava cansada de passar o carnaval em Brasília e nunca tinha viajado com a família do meu namorado, então topei na hora ir com eles, antes mesmo de fazer as contas”, revela.

Para viajar, Ana Quésia precisou solicitar aumento do limite de crédito ao banco e recorrer à poupança que fez em 2019. Os planos para o dinheiro que guardava eram outros, uma viagem ao exterior. Entretanto, não foi a primeira vez que a jovem teve de dispor das economias. Ana acredita que em abril as dívidas já estarão quitadas: “março vai ser apertado para pagar tudo”, pondera.

Para fugir do vermelho

O gerente de investimentos Matheus Falcão afirma que o principal motivo para o endividamento é a falta de planejamento das finanças pessoais. “Muitas pessoas têm medo de acessar a conta corrente ou olhar o extrato bancário para não ver os gastos”, conta o administrador.

O início do ano é um período que surgem várias despesas ao mesmo tempo, como matrículas de escolas e faculdades, impostos e seguros. O carnaval também tem sua contribuição nessa história, visto que as pessoas tendem a viajar, muitas vezes sem planejamento. “A quarta-feira de cinzas de fato se torna de cinzas com uma tremenda dor de cabeça e boletos para pagar”, afirma Falcão.

Atualmente, 37% das pessoas com o nome sujo no país têm entre 25 e 40 anos. De acordo com o administrador, despesas excessivas com lazer contribuem para o endividamento: “Todos esses gastos pagos com cartão de crédito, cheque-especial e empréstimos”.

O gestor financeiro recomenda o uso de ferramentas para acompanhar os gastos e se planejar. “Existem diversos aplicativos que nos ajudam. Caso não se adeque a algum, monte uma planilha no excel ou, até mesmo, use um saco de pão da padaria”, enfatiza Matheus Falcão.

Matheus Falcão recomenda aplicativos como alternativa de controle financeiro

Matheus Falcão recomenda aplicativos como alternativa de controle financeiro

O gestor alerta que não sair do orçamento previsto é o segredo para se ver livre das dívidas. “Não necessariamente você precisa gastar pouco, você pode gastar muito e não entrar no vermelho”.

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