Esporte

Cresce o espaço do futsal feminino no Distrito Federal

Escolinhas e times amadores são possibilidades para quem quer começar

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#esporte #mulheres

O ano de 2019 foi marcante para as mulheres no futebol. A Copa do Mundo na França bateu recordes de audiência nos jogos femininos e gerou reconhecimento do esporte pelo mundo. De quebra, o futebol de salão também ganhou visibilidade e o time brasileiro foi campeão da Copa América Feminina de Futsal (Conmebol).

No Distrito Federal, iniciativas incentivam o desenvolvimento do esporte. Além dos times profissionais, há quem promova espaço para aquelas que desejam aprender o futebol de salão. A Ludus Futsal Feminino é uma escolinha que surgiu em 2015 com intuito de acolher quem tivesse interesse em praticar o esporte de forma descontraída, sem o viés da competição.

“Eu observava que só as meninas que se destacavam ou as que já estavam em um time formado tinham espaço para jogar”, comenta Pedro Leal, fundador da Ludus. A escola começou os treinos com uma turma de 15 alunas, hoje, são sessenta. O educador físico comenta que no período da Copa a procura por vagas cresceu. A média de alunas em cada quadra aumentou e duas novas turmas surgiram, uma adulta e outra infantil.

Atletas debatem estratégia de jogo antes da partida - Arquivo Pessoal

Alunas da Ludus debatem estratégia de jogo antes da partida (arquivo pessoal)

Rafaela Pinheiro, 23 anos, gosta de futebol desde a infância, mas quando procurava por escolas, só encontrava de times masculinos, onde acabou se inserindo. “Eu não tinha oportunidade de desenvolver minhas habilidades porque eu não recebia a bola e eu me sentia completamente excluída. Os meninos achavam chato jogar com menina”, relata.

Com o tempo, Rafaela desenvolveu o interesse pela Educação Física e, ao se formar na área, viu a oportunidade de trabalhar com futsal para mulheres. Hoje ela é professora em duas escolas, uma delas, a Ludus: “Eu sou tão feliz fazendo o que eu faço que eu, facilmente, seria uma aluna ali”.

Também visando incentivar mulheres no futsal, mas com participação em campeonatos amadores, surgiu o Reverso. O time, criado em 2017 com 20 meninas, já passou pelo número de 40 jogadoras e hoje conta com 16 atletas constantes em treinos e campeonatos.

Camila Martins, 24 anos, é uma das mulheres que viveu a fundação do time. Ela joga desde os 4 anos de idade e tem o esporte como “válvula de escape”: “É tudo para minha saúde mental”. A atleta percebe que muitas mulheres procuram espaço no futsal e que, desde 2019, a valorização do esporte feminino cresceu, assim como o interesse pelo futebol e a opção de iniciar no futsal.

Nara Paiva, 27 anos, treina o Reverso há cerca de dois anos. Ela conta que jogou futsal a vida inteira, mas esse é o primeiro time que atua como técnica e conta com orgulho: “Ganhamos o primeiro campeonato que participamos esse ano”. “A intenção é ganhar todos, se não ganhar, chegar o mais longe possível”, completa.

Para a treinadora, as dificuldades que uma mulher enfrenta no mundo do futsal são muitas, desde a falta de respeito, o tratamento de inferioridade e associações a sexualidade das atletas. “Afinal, esporte de homem, você só pode ser masculinizada para jogar”, ironiza Nara.

Apesar da discriminação, ela enxerga o momento em que o futebol feminino está sendo visto e televisionado: “Estamos em um momento em que as atletas cansaram de apenas estar ali por estar, os investimentos estão chegando, é o melhor momento para o futebol”.

Reverso posa com troféu e medalhas - Arquivo Pessoal

Reverso posa com troféu e medalhas (arquivo pessoal)

Sobre a importância do futsal, Pedro, Rafaela, Camila e Nara compartilham de uma mesma crença: o esporte pode melhorar a vida das pessoas. “Acredito na grandeza do esporte e do futsal feminino, além disso, na imensidão que é o Reverso”, compartilha Nara Paiva. A professora Rafaela Pinheiro diz: “Eu vejo o esporte como algo revolucionário”.

Em tempos de pandemia

Com as recomendações para evitar aglomerações e, de preferência, não sair de casa, os times estão com os treinos suspensos temporariamente. Mas, para não ficar parado e manter o corpo e a mente ativos, cada um trabalha como pode.

A Ludus lançou um desafio nas redes sociais e não parou de passar atividades funcionais e com a bola. Essas aulas online são abertas ao público.

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