Cultura

Filmaê: o festival de filmes produzidos pelo celular

Em meio a dificuldades na área cultural, o cineasta brasileiro pode apostar em um novo tipo de filme: o gravado pelo smartphone

A indústria do cinema é uma das que mais lucra anualmente. Grandes polos, como Hollywood, nos Estados Unidos, e Bollywood, na Índia, são centros que produzem centenas de filmes anualmente, com movimentações de dinheiro bilionárias. O cinema independente no Brasil, por outro lado, ainda luta por espaço na produção e nas salas de cinema. Cortes de verbas na cultura pelo atual governo dificultam ainda mais os pequenos produtores audiovisuais. Sem recursos, é praticamente impossível gravar e produzir um filme.
Uma maneira de tentar contornar isso é por meio da apropriação de materiais mais simples para a produção cinematográfica. O Festival de Cinema Filmaê foi criado, em 2019, com a intenção de dar visibilidade a esse modo de produção.
Nesse festival, cuja segunda edição deve acontecer este ano, em Brasília, são aceitos apenas filmes, seja de ficção, seja documental, produzidos exclusivamente com celulares e GoPros. Para o evento, que aconteceria no mês de março, mas foi suspenso por conta do novo coronavírus, foram inscritos 330 filmes brasileiros, 117 deles sendo selecionados como finalistas, além de diversos filmes internacionais, na mostra não-competitiva.
O documentário “Eu tenho um teto”, produzido pelos estudantes de Jornalismo Pedro Nascimento e Manuela Corrêa é um dos finalistas. O projeto foi desenvolvido como trabalho para as matérias de Telejornalismo e Audiovisual, no Instituto de Educação Superior de Brasília (IESB). Os dois estudantes tiveram a ideia de explorar o tema de déficit habitacional, muito comum dentro do Brasil, e, nesse caso, nos arredores da capital federal.
Eles foram até a então comunidade Sol Nascente, próximo de Ceilândia, para tratar do assunto em um documentário. Hoje, a área já se tornou uma Região Administrativa do Distrito Federal.
Produzido no primeiro semestre de 2018, o documentário foi gravado com o celular e com a GoPro dos estudantes: eles decidiram usar esses equipamentos pela facilidade de transporte e manuseio. E deu certo. Além das altas notas alcançadas na faculdade, Pedro, hoje com 21 anos, e Manuela, com 25, se tornaram finalistas do Filmaê.
“Mandamos para vários festivais, e esse se aplicava muito bem dentro do nosso conceito”, destaca Pedro. “O que a gente puder fazer aqui dentro do IESB e levar para fora, pra mostrar para as pessoas, eu acho legal”,

O filme gravado para a faculdade levou Manuela e Pedro à final do festival

O filme gravado para a faculdade levou Manuela e Pedro à final do festival

continuou o jovem, que pretende seguir os caminhos do audiovisual, mas carregando a bagagem recebida no seu atual curso. “O jornalismo é legal que dá pra conversar com tudo isso. Se você fizer cinema, você só vai fazer cinema. Mas o jornalismo consegue ser bem mais abrangente”.

Manuela falou sobre as possibilidades trazidas pelo festival Filmaê: “esse festival é uma oportunidade de mais reconhecimento ainda, e podemos mostrar que fazemos coisas boas aqui dentro da faculdade, que dá para ir além do meio acadêmico”. Para ela, juntar tantos filmes feitos com baixos orçamentos e sem grandes produções mostra o poder que o formato pode alcançar.
Ela ainda lembra que, como o filme tem o teor jornalístico, a mudança pode chegar na vida dos personagens: “a coisa mais importante de tudo isso é a visibilidade que os temas recebem. O sol nascente está sendo asfaltado, por exemplo. É muito importante essa visibilidade para um lugar totalmente esquecido”, finalizou.
Você pode assistir ao documentário ‘Eu tenho um teto’ clicando aqui.
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