Cidadania

Iniciativa de psicólogos oferece serviços gratuitos online em tempos de pandemia

Eles se mobilizaram para ajudar as pessoas através das redes sociais, com atendimentos via WhatsApp, chamadas de vídeo e ligações

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A pandemia do novo coronavírus reuniu psicólogos do mundo inteiro para tratar e exercer a cidadania em tempos de crise. Os profissionais da saúde oferecem o serviço voluntário com atendimento psicológico online e gratuito disponível à população. As pessoas que sentem os sintomas da depressão, ansiedade ou solidão podem ser atendidas através de consultas pelas redes sociais, grupos de mensagens ou por meio de ligações.

A psicanalista Teresa Matos, 50 anos, é um destes profissionais que juntamente a outros terapeutas começou a liderar grupos de terapia online gratuitos pela plataforma do WhatsApp. São mais de três salas de bate-papo que oferecem o atendimento. Segundo ela, a iniciativa começou após a sua chegada da Itália onde residiu durante quatro anos. O método utilizado para atender os pacientes é a escuta, que visa sanar as dúvidas dos pacientes.

“Quando voltei da Itália, percebi que as pessoas não frequentavam a terapia. Desde que vi que entraríamos em quarentena, pensei em criar um grupo de assistência terapêutica em fases de crise, 100% voluntário, voltado para ajudar as pessoas para que elas se sintam melhores e menos ansiosas nesta situação. Acho que é importante estarmos fazendo cada um, como seres humanos, a nossa parte pois estamos enfrentando um momento de crise e precisamos de uma união total”, ela explica.

Além do atendimento personalizado ou em grupo, os responsáveis pelas ações, médicos e psicólogos, utilizam suas redes sociais para oferecer ajuda, através de postagens nas plataformas como o Facebook e o Instagram. O interessado deve entrar em contato através de suas redes sociais ou pelo número de contato disponibilizado nas postagens. Uma das novidades também utilizada entre eles são as conversas ao vivo por intermédio do Youtube e pelo aplicativo de vídeo chamadas Zoom.

Teresa também lembra a respeito dos grupos de risco, como os idosos, diabéticos e hipertensos, e recomenda algumas atividades para realizar durante este período de quarentena, que ajudam a aliviar os sintomas de estresse, ansiedade e manter uma saúde mental de qualidade:

“Criar uma rotina saudável dentro de casa é uma ótima dica para todos. Também atividades como a leitura, costurar tricô e crochê, assistir filmes e séries, fazer cursos online gratuitos, tudo que puder fazer para que não se sintam presos em casa são ótimas opções. Além disso, se as pessoas puderem fazer atividades para agregar em suas vidas, como o estudo ou aprender outras línguas e buscar por novas experiências online como podemos encontrar uma infinidade de coisas, elas vão estar sempre ganhando”, aconselha.

Execícios

Especialistas recomendam que a prática de exercícios físicos em casa também é valida no período de quarentena || (Foto: Alexia Oliveira)

Conheça e previna-se contra a Covid-19

A Covid-19 é uma doença nova que causa graves infecções respiratórias. O Ministério da Saúde publicou uma série de recomendações que devem ser mantidas pela população para reduzir o risco de contágio e transmissão da doença. Algumas delas são: lavar as mãos frequentemente com água e sabão ou aplicar álcool em gel, evitar tocar os olhos, o nariz e a boca sem a higiene adequada e cobrir a boca com o antebraço quando for tossir ou espirrar.

Para todos estarem em segurança, uma das medidas também adotadas pelo Ministério da Saúde foi o isolamento social e a quarentena. O isolamento social acontece em um período de 15 dias, sendo determinado para as pessoas que estiveram em contato com um caso confirmado. É em definição o intervalo de tempo que leva para o estágio de mutação da doença.

Já a quarentena entende-se como um procedimento administrativo realizado pelos estados e municípios com a finalidade de garantir a manutenção dos serviços de saúde. A medida tem validade em um prazo de 40 dias, podendo se estender pelo tempo necessário.

Saúde mental em tempos de pandemia

No Distrito Federal a população tem adotado as medidas de contingência ordenadas pelo ministério. Porém em contrapartida, segundo estudos realizados pela Secretaria de Saúde no ano de 2018, os transtornos mentais como a depressão, a ansiedade e o TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) foram responsáveis por 19% das licenças em saúde no ano. No Brasil, em outra pesquisa realizada no ano de 2019, segundo os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o país lidera os rankings de pessoas com diagnóstico de depressão e ansiedade, são quase 19,4 milhões de pessoas com a doença, um percentual de 9,3% dos brasileiros.

Ana Cristina Rocha, 50 anos, é servidora pública e conta a respeito dos seus maiores desafios no período de quarentena: “Um dos meus maiores desafios no cotidiano no período de quarentena é o fato de não poder ter contato com as pessoas que eu gosto, com meus familiares e irmãos, é muito típico do brasileiro ter o toque físico, como abraçar e beijar. Tem sido muito difícil, tenho sentido falta daquele aconchego” – cita.

Beatriz de Castro é estudante de medicina e recomenda a leitura como uma forma de controlar a ansiedade || (Foto: Alexia Oliveira)

Beatriz de Castro é estudante de medicina e recomenda a leitura como uma forma de controlar a ansiedade || (Foto: Alexia Oliveira)

Ana não está sozinha. Juntamente a ela também existem outras pessoas que compartilham do mesmo problema. Uma delas também é a Beatriz de Castro e o Renato Ferreira.

Beatriz tem 20 anos de idade, é graduanda de medicina, e um dos seus maiores desafios é controlar a ansiedade e levantar da cama. Segundo ela, as atividades da faculdade e a atividade física são as formas com que se mantém ocupada. “Eu também faço terapia, como forma de me aliviar do estresse e equilibrar a saúde mental. A faculdade e a academia tomam a maior parte do meu tempo. Porém venho enfrentando problemas com as crises de ansiedade durante a quarentena”, relata a estudante.

Renato Ferreira tem 21 anos e trabalha como atendente na Universidade Federal do Amapá. Ele recomenda alimentar o tempo do cotidiano realizando atividades prazerosas e de lazer estando em casa: “Busco me distrair com coisas que eu gosto, não assisto muito a TV pois acredito que são muitas as notícias negativas, e também busco fazer exercícios físicos em casa. Aconselho também as pessoas a buscarem ajuda profissional em tempos de crise, pois é um assunto muitíssimo delicado que precisa ser conversado”, explica.

Pensando nisso, a Organização Mundial de Saúde preparou uma cartilha com as principais recomendações para manter uma saúde mental de qualidade em tempos de pandemia. São elas:

  • Não haja com preconceito em relação às outras etnias e nacionalidades, sejam elas diferentes da sua ou não;
  • Evite o bombardeio de informações, tire um tempo para si mesmo, lembre-se de checar a veracidade das informações sempre que necessário antes de repassar;
  • Mantenha uma rotina de exercícios para aliviar os sintomas como estresse e ansiedade (mesmo estando em casa);
  • Procure manter o sono em dia, e alimentar-se com qualidade;
  • Peça ajuda se precisar, em tempos de crise, é importante agir em prudência consigo e com o próximo. Não negligencie a sua saúde. Para encontrar ajuda, se perceber que está com sintomas de depressão, estresse ou ansiedade, busque a ajuda de um psicólogo ou médico especializado. Também para encontrar ajuda entre em contato com o Centro de Valorização à Vida (CVV), disque 188 ou pelo site https://www.cvv.org.br/.

 

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