Educação

Escolas públicas do DF contam com mais de 15 mil alunos especiais matriculados

Dados da Secretária de Educação mostram que cada vez mais o DF avança na questão da inclusão de alunos com necessidades especiais

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Como previsto na Constituição de 1988, a educação é direito de todos, e é dever do Estado garantir que todos usufruam independente de condições financeira, físicas ou psíquicas. Para garantir este direito a todos os 15 mil estudantes matriculados, o governo disponibiliza sala de recursos, onde os alunos recebem atendimento especializado no contraturno escolar, para alunos que apresentam laudo médico atestando que é necessário um acompanhamento especial para não comprometer o aprendizado.

Para muitos pais a Rede Pública de Ensino tem se mostrado uma ótima alternativa para um ensino de qualidade para os filhos com algum tipo de deficiência. Mônica de Miranda, tem um filho de 12 anos, Gustavo, que sempre estudou em escola pública, e desde 2012, recebe acompanhamento no contraturno. “ A sala de recursos é essencial para o desenvolvimento do Gustavo. Lá, ele recebe atendimento individual e personalizado que estimula seu desenvolvimento e aprendizado de uma maneira super positiva. Não deixa nada a desejar.”

Além da Sala de Recursos, Gustavo, desde o Jardim de Infância, no Jardim de Infância na 314 sul, sempre estudou em turmas reduzidas, onde o professor pode ter atenção extra com os alunos com síndromes e déficits. Mas ao mesmo tempo as crianças estão sempre socializando com crianças que não têm necessidades especiais, o que para Mônica é ótimo: “Desde o primeiro dia de aula no Jardim de Infância, o Gustavo fez um amigo, o Douglas. E desde então os dois andam juntos para cima e para baixo. E eu acho isso muito importante, pois o Gustavo, apesar de ser muito bem resolvido, a gente percebia que às vezes ficava abalado com brincadeirinhas de coleguinhas. Mas o Douglas sempre está lá para defendê-lo”, afirma Mônica ao contar que, hoje em dia, Gustavo é um dos mais conhecidos e queridos por todos na escola.

Primeiro dia de escola. Gustavo já começara a fazer novos amigos.

Primeiro dia de escola, Gustavo já começou a fazer novos amigos

Além do acompanhamento de alunos com algum tipo de déficit de aprendizado, a Secretaria de Educação também oferece serviços especiais para alunos com Altas Habilidades (AH), também conhecidos por superdotados. Os AHs são indivíduos caracterizados por apresentarem facilidade de aprendizagem, por dominarem rapidamente conceitos e fundamentos.

Para Sarah Cruz, que tem um filho AH, o atendimento recebido na rede pública é de excelente qualidade. Caetano, pela manhã, estuda na Escola Classe 408 sul. No contraturno, frequenta uma escola no Guará, onde, há 5 anos, recebe atendimento psicológico, além das aulas de Robótica e Tecnologia da Informação (TI). Atualmente, está desenvolvendo um aplicativo. Por uma sala da Google, montada lá, no centro de apoio, conta Sarah.

Sarah conta que as crianças com Altas Habilidades tendem a se dispersar muito na aula, dormir e não se interessarem muito pelo conteúdo. “Eles têm que receber estímulos, senão podem ter o rendimento escolar afetado”.

A pedagoga Francisnilde Miranda da Silva, desde 1998, trabalha com a educação de Turmas Inclusivas que mesclam alunos especiais com alunos não especiais. E agora, trabalha em uma dissertação de mestrado voltada para metodologias educacionais para estudantes com Altas Habilidades/ Superdotação. Ela afirma que: “Há uma invisibilidade muito grande desses estudantes nas escolas devido ao não reconhecimento de suas características, potencialidades e fragilidades.” Por isso, o acompanhamento é muito importante para esses alunos. Não apenas o reforço pedagógico, mas principalmente o psicológico. Muitas vezes, os alunos com Altas Habilidades sofrem com “bullying” e isolamento social, pelo fato de serem muitas vezes chamados de “nerds”.

Em 2019, a Secretaria de Educação do Distrito Federal atendeu 15.540 estudantes com necessidades especiais. Deste total, 742 alunos eram Altas habilidades. Confira abaixo alguns dados.

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Sala de Recursos x Salas Especiais

Em 1994, na Cidade de Salamanca, na Espanha, houve uma convenção promovida pelo governo espanhol em parceria com a Unesco, para tratar de princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais. O Brasil incorporou as políticas ali debatidas.

Desde então, o Brasil regulamentou por meio do Decreto nº 3,298 de 20 de dezembro de 1999, a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. O decreto assegura que o poder público assegure à pessoa com deficiência o exercício de seus direitos básicos, no caso educação.

Como forma de garantir esse direito aos alunos, o Governo dispõe de Centros de Ensino Especial, geralmente frequentados por pessoas com deficiências visuais e auditivas. Já nos Centros de Ensino Regular, as Escolas Classe, os alunos com necessidades especiais, geralmente com síndromes, ou distúrbios de aprendizagem, dispõem de dois tipos de classes.

A classe mista é onde o aluno estuda normalmente com os outros alunos, mas recebe uma acompanhamento psicopedagógico no contraturno, as salas de Recursos. Nessas salas os alunos desfrutam de um atendimento individualizado, promovido por pedagogos especializados em educação especial. Assim o aluno consegue desenvolver melhor o conteúdo dado em sala de aula de maneiras didáticas voltada para cada caso.

Já as Classes Especiais são turmas reduzidas, em Centro de Ensino Regulares, que atendem poucos alunos, geralmente com maiores dificuldades de aprendizado. As Classes Especiais são organizadas de forma que constituam um ambiente próprio e adequado ao processo de aprendizagem dos alunos. Diferente das Salas Regulares, os professores são capacitados e selecionados para essa função e utilizam-se de métodos e recursos pedagógicos para a melhor absorção do conteúdo.

Essas ações contribuem com a socialização dos alunos, incluindo-os no meio social com as crianças que não portam necessidades especiais. Para Mônica de Miranda, a inclusão é vista com ótimos olhos. “Eu acho essencial! Dessa forma sinto que meu filho está sendo preparado para lidar com as dificuldades do mundo lá fora. Principalmente quando chegar à fase adulta”, afirma.

 

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