Cidadania

Solidariedade em tempos de pandemia

Com a determinação do Ministério da Saúde de pessoas, principalmente do grupo de risco, não irem às ruas, alguns brasilienses passaram a prestar solidariedade a esse grupo

No Distrito Federal já foram constatados mais de 460 casos do novo coronavírus, segundo dados atualizados todos os dias pelo Ministério da Saúde. Por causa desse acréscimo diário, decretos foram impostos pelo Governo do Distrito Federal para que as pessoas, principalmente do grupo de risco, ficassem em casa. Bares, restaurantes, academias, instituições de ensino, entre outros, foram fechados. Esta é uma forma de prevenção para a não contaminação e alastramento da doença.

Apenas estabelecimentos considerados essenciais podem permanecer abertos, são eles: mercados e farmácias, segundo decreto do GDF. Diante de todos esses acontecimentos, Brasília foi uma das cidades onde pessoas fora do grupo de risco passaram a ser solidárias com os grupos que devem ficar em isolamento.

Samara Costa Sousa, moradora de Águas Claras, está prestando solidariedade no condomínio onde mora. Ela deixou um aviso com o contato de WhatsApp na entrada do condomínio. A moça conta como tem feito e deixa sua opinião referente a essa solidariedade. “Eu vou até a casa das pessoas, geralmente elas me interfonam, tem o meu WhatsApp, mas o interfone é o que toca. Ao chegar na casa da pessoa, mantemos uma distância, pego a lista de compras, o dinheiro e vou comprar. Volto e entrego, mantendo a mesma distância. Acho importante fazermos isso, coisas que não nos custam nada, acho importante ajudar o próximo”.

Depois que foi declarado pelas autoridades de saúde que o dinheiro também é uma fonte de contaminação, Samara afirmou que daqui por diante vai sugerir o uso do cartão. Aldaraci Silva Ferrari, de 72 anos e moradora de Águas Claras, informou que está tomando todos os cuidados necessários. Dona Aldaraci, que recebeu a ajuda de Samara para fazer suas compras, conta como a encontrou. “No meu bloco, perguntamos ao porteiro pelo interfone se havia alguma pessoa se disponibilizando a ajudar pessoas do grupo de risco. Encontrei a Samara.”

Segundo dona Aldaraci, depois que encontrou a moça, ela se tornou o seu anjo da guarda. Diz que se sente um pouco constrangida com essa situação porque sempre ajudou o próximo e quase não precisava de ajuda, mas agora vê que é por um bem maior.

A presença da família também é um fator importante em qualquer tipo de apoio, nesses momentos de isolamento

A presença da família também é um fator importante nesses momentos de isolamento

O sociólogo e professor da UnB – Universidade de Brasília, Elimar Pinheiro do Nascimento, apresenta uma análise sobre a empatia, a ligação de pessoa para pessoa, toda essa presteza com o outro. “Os gestos de solidariedade com seus iguais é próprio do ser humano. Pode ser um sentimento mais ou menos desenvolvido, e as condições de vida podem ser mais ou menos favoráveis ao desenvolvimento deste sentimento. Em situações de risco geral, em que todos e cada um se sentem ameaçados, como atualmente, as pessoas tendem a desenvolver este sentimento”. O professor ainda acrescenta: “A solidariedade ou compaixão, como preferem alguns, não é algo etéreo, mas concreto”.

Experiência de ajuda e relato psicológico

Também existe um outro lado da ajuda ao próximo. As pessoas que já sofrem de ansiedade, depressão, stress, como lidam com toda essa questão? A psicóloga Lívia Borges conta: “Muitas pessoas compartilham diariamente conhecimento, sugestões e arte como forma de ajudar. Isso cria uma rede de apoio necessária para diminuir o impacto da solidão, estados depressivos, medo, sensação de abandono e impotência. Importante fortalecer as pessoas, de acordo com a faixa etária, para que possam encontrar um ponto de estabilidade diante de toda incerteza. Certa disciplina mental auxilia a não agravar os quadros preexistentes”.

Compartilhar conhecimentos, conversar, apresentar ao outro uma positividade, mesmo de longe mostrar com uma mensagem ou ligação, que estamos próximos foram fatos vivenciado por mim.

Mariana Xavier, amiga a qual prestei ajuda, mesmo distante, para enfrentar um momento de ansiedade por causa do isolamento social

Mariana Xavier, amiga a qual prestei ajuda mesmo distante, para enfrentar um momento de ansiedade por causa do isolamento social

Uma grande amiga, estudante, de 21 anos, passou por situações conflitantes nos últimos dias. Ela diz que foi tomada por uma grande ansiedade, que sentiu vontade de pegar o carro e sair dirigindo pela cidade. Ela estava passando por stress e ansiedade juntos, podendo arriscar sua vida em dirigir nesse estado.

Tudo foi relatado para mim pela mãe dela. Eu não exitei, entrei em contato com a minha amiga e ficamos conversando por um bom tempo. O nome dela é Mariana Veloso Portela Xavier. Ela relata como ficou depois que conversamos. Seu depoimento me deixou repleto de felicidade por ver que estava ajudando-a, tirando-a de uma rotina perturbadora. Todos da sua família vêm lutando juntos. “De certa forma, aqui na minha casa, eu e meus familiares temos tentado nos reunir com mais frequência para que possamos passar por isso juntos. Mas também tive a ajuda do meu amigo João Paulo. Certo dia ele acabou me ligando pra conversarmos e jogamos papo fora por cerca de quase 1 hora e isso me ajudou muito”.

A psicóloga Lívia Borges dá um adendo não menos importante, um desafio que trará dias melhores para todos. “O desafio é ensinar a esperar para retomar a rotina antiga, para rever alguém distante, para enfrentar o tédio e o desgaste nas relações quando ficam tão próximas sob estresse. Além de buscar aproveitar o tempo para viver o essencial e aceitar as incertezas da vida com algo natural, ainda que desconfortável e sofrido”.

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