Cultura

Artistas locais utilizam redes sociais para serem reconhecidos pelo público

Produções musicais saltam em visualizações com o uso da internet para impulsionamento; lives são alternativas para continuar os shows mesmo durante a quarentena

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Cantores do Distrito Federal têm construído comunidades, a partir de conteúdo nas redes sociais, como vídeos, postagens e interações com o público, que impulsionam as visualizações. Foi o que aconteceu com a cantora Ediá Danny, de 18 anos, que começou cedo no caminho musical e já é conhecida pelo vozeirão. A cantora utiliza as redes sociais para a divulgação de seu trabalho e para ampliar a rede de contatos por todo o DF. O Instagram possibilitou que Ediá Danny recebesse convites para se apresentar em colóquios realizados pelo governo e no Show da Virada em 2019, na Esplanada dos Ministérios.

As postagens nas redes sociais e os vídeos no YouTube mostram para a cantora se o caminho está certo e o que funciona ou não. “Junto com Weberth Firmino, meu produtor, analisamos os gráficos e indicadores das publicações nas redes sociais, com base nos melhores dias e horários de postagem dos conteúdos e interações”, revela Ediá. Até o momento, a cantora possui 2,7 mil seguidores no Instagram e mais de 540 inscritos no YouTube.

A última produção de Ediá Danny foi a música I Wanna Be, com a cantora Ana Lélia

A última produção de Ediá Danny foi a música I Wanna Be, com a cantora Ana Lélia

Nascida no Pará e radicada no Distrito Federal, Ediá tem contato com a música desde pequena. “Meu pai, que também é músico, foi minha primeira e maior inspiração para gostar de arte. Lembro dele cantando e eu sempre do lado, para acompanhar todo o show”, conta Ediá. A última produção que a cantora participou foi a música I Wanna Be, da cantora Ana Lélia. “Todo o processo dessa canção foi intenso e de muita presença! A música fala sobre a essência feminina. É uma mensagem de muito amor e reflexão.”

Outra produção da qual a cantora se orgulha é a música Pássaro Forte, produzida em parceria com Sonny Heros. “Pássaro Forte é sobre um ser iluminado que muito enfrentou, mas seu coração nunca se fechou diante das tempestades”, diz. O sentimento que Ediá transparece nas canções é reconhecido pelo público que a acompanha. “Sou grata e entregue à música. Ela não parou em mim, ela segue transmutando e ressignificando outras vidas através da minha”, afirma.

Made in DF 

Criada em 2017, em Taguatinga, a gravadora BC Music busca dar espaço para os artistas locais e movimentar a cena cultural do DF. A gravadora oferece aos artistas do quadradinho preços mais acessíveis na criação de beat, captação de voz, mixagem e masterização. “Queremos que esses grupos alcancem números e resultados maiores, tanto no alcance quanto financeiramente”, diz Felipe Phyre, 25 anos, engenheiro musical e produtor da BC. Entre os artistas locais que já gravaram com a produtora está o grupo Puro Suco e os cantores Jean Tassy e Guerreiro On.

Uma das metas do estúdio é colocar os artistas produzidos pela BC Music na vitrine nacional, para que sejam conhecidos pelo grande público. “O objetivo profissional da produtora é trazer mesmo reconhecimento que os artistas de São Paulo e do Rio de Janeiro tem para Brasília”, conta Felipe. Para tanto, realizam diversos projetos e divulgações, sobretudo nas redes sociais dos artistas e do time de produção. A música produzida pela BC que mais teve visualizações no YouTube foi a música Pequeno Blues, de Jean Tassy, que bateu 1.228.930 visitas.

Além de gravadora, a BC Music também trabalha com cursos sobre produção musical. Atualmente, devido a quarentena, as aulas presenciais estão suspensas, mas a gravadora disponibilizou um curso online de auto-tune. “Além dos cursos, na quarentena também estamos recebendo muitos trabalhos. A galera que tem microfone em casa, grava e nós masterizamos”, conta Felipe.

O álbum Rataria Popular Brasileira foi gravado na BC Music

O álbum Rataria Popular Brasileira foi gravado na BC Music

Um dos álbuns produzidos pela BC Music foi o Rataria Popular Brasileira, primeiro disco de carreira do grupo Puro Suco. Os músicos Murica e Prs, em parceira com o beatmaker MK, lançaram o álbum em novembro do ano passado, com letras que misturam rap a ritmos tradicionais brasileiros como o samba e o maracatu. A próxima música a ser lançada é Joalheria Lírica, no início de abril. “A gente trabalha na ambição da melhoria. Temos o pensamento de que temos que trabalhar tão bem quanto o pessoal da padaria, que acorda cedo e que se faltar cinco dias na semana cai o rendimento”, explica Prs. O grupo já possui mais de 19,2 mil inscritos no Youtube, com mais de 1,7 milhão de visualizações.

Alternativa no meio do caos 

A pandemia do covid-19 fechou bares, festas e cancelou eventos. Muito artistas tiveram que reprogramar suas estratégias de divulgação de trabalhos e agenda de shows. Uma das soluções encontradas foi a realização de lives nas redes sociais, principalmente no Instagram, no YouTube e no Facebook.

Cantores de todos os estilos abraçaram a iniciativa, como o cantor Di Ferrero, que foi diagnosticado com coronavírus, e o cantor sertanejo Gusttavo Lima, que realizou 5h de live seguidas no Instagram com mais de 10 milhões de espectadores. Recentemente, o Puro Suco foi atração no Festival Fico em Casa, que é um evento online. Em sua primeira edição, entre 24 e 27 de março de 2020, 76 artistas participaram em mais de 40 horas de programação.

Apesar de ser uma boa alternativa em tempos de pandemia, a live não gera os mesmos resultados que os shows presenciais. Isso porque não é possível cobrar ingresso dos fãs que assistem. Apenas o YouTube gera algum recurso com as lives, por meio de anúncios. No entanto, o mesmo vale para qualquer vídeo na plataforma e não há especificação sistemas de distribuição por direitos autorais ou engajamento.

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