Entrevistas

“Se enxergar como potência é um grande fator para que a criança cresça fortalecida”

Em entrevista ao Portal IESB, Rodrigo França conta sobre a produção do livro “Pequeno Príncipe Preto”, lançado em janeiro de 2020

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Ressignificar uma história, trazer representatividade e protagonismo a uma criança negra. Assim, o ator, diretor, dramaturgo e articulador cultural Rodrigo França adaptou e modificou uma peça teatral e uma clássica obra literária para mostrar a importância de promover o fortalecimento das identidades negras desde a infância.

Inspirado no livro “O Pequeno Príncipe”, do autor francês Antoine de Saint-Exupéry, Rodrigo traz especificidades que uma criança negra passa em sua fase de crescimento, no livro “Pequeno Príncipe Preto”, lançado em janeiro de 2020. O livro é também uma adaptação do texto da peça, que leva o mesmo nome, e percorreu o Brasil durante dois anos.

Dessa forma, a obra literária traz a tona temas como ancestralidade, coletividade, união e respeito. “Tem no livro clássico a Baobá como uma erva daninha, que o Pequeno Príncipe deve matar. No livro ‘Pequeno Príncipe Preto’ a Baobá se transforma em uma personagem importante. É dela que o menino aprende sobre ancestralidade, respeito aos mais velhos, autoamor, autocuidado e toda filosofia de Ubuntu”, conta Rodrigo.

Sem poder contar com recursos pertencentes a um espetáculo teatral, como trilha sonora, luz, sonorização, linguagem corporal e efeitos de luz, o autor, que tem 29 anos de carreira no teatro, precisou se reinventar a cada página, para que o público pudesse construir um cenário na imaginação, apenas com a leitura.

Confira a entrevista com Rodrigo França:

Rodrigo França fez adaptações na história do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry para o livro "Pequeno Príncipe Preto". Foto: Júlio Ricardo/Divulgação

Rodrigo França fez adaptações na história do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry para o livro “Pequeno Príncipe Preto”. Foto: Júlio Ricardo/Divulgação

Como surgiu a ideia de transformar a peça em uma obra literária?

Fizemos o espetáculo ao longo de quase dois anos, com uma média de mais de 60 mil espectadores. Mesmo assim, percorrendo o Brasil com um enorme sucesso, não chegamos a todos. Um livro pode ser mais acessível em uma biblioteca pública, por exemplo.

Quais as dificuldades e facilidades no processo de adaptar um texto do teatro para o livro?

Somente ter a consciência que a trilha sonora, as marcações, o efeito de luz e o cenário ficam por conta do leitor. Então, a literatura tem que provocar tais estruturas.

Qual a importância de trazer essa representatividade desde cedo nas crianças?

Se enxergar como potência, nas representações positivas. Isso é um grande fator para que essa criança cresça fortalecida.

Muitas pessoas sentem falta de representatividade em desenhos animados e brinquedos. Você também? De que forma isso pode ter te ajudado a escrever?

Com certeza. Serve como estímulo. Se tem pouco ou não tem (representações negras), vamos preencher. Vamos criar! Essa foi minha ideia ao escrever.

Em que o “Pequeno Príncipe Preto” se assemelha a história de Antoine de Saint-Exupéry? E em que se diferencia?

Na relação da existência de um menino em um planeta e no momento da raposa. Mas tudo ressignificado. A diferença começa que esse menino é negro e traz as suas especificidades enquanto criança negra. Tem no livro clássico a Baobá como uma erva daninha, que o Pequeno Príncipe deve matar. No livro “O Pequeno Príncipe Preto” a Baobá se transforma em uma personagem importante. É dela que o menino aprende sobre ancestralidade, respeito aos mais velhos, autoamor, autocuidado e toda filosofia de Ubuntu.

Apesar de trazer referências, o Pequeno Príncipe Preto tem a cara de Rodrigo França?

No livro tem tudo que aprendi de melhor dos meus pais e da minha avó, quando eu era pequeno.

De que forma sua experiência como diretor, dramaturgo e articulador cultural te ajudou na escrita?

São 29 anos de carreira no teatro. Então, creio que já tenho uma sensibilidade para criar, o mais importante está na narrativa não hegemônica que está presente no livro e nos outros trabalhos artísticos. A minha vida acadêmica ajudou muito a construir esse livro, assim como projetos teatrais, que obedecem uma narrativa antirracista.

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