Ciência e Tecnologia

Inclusão tecnológica ainda é desafio para a terceira idade

Eles encontraram um novo jeito de se aproximar da família, através das redes sociais e videochamadas

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Há quem diga que a internet dificultou o relacionamento familiar, todavia a busca por estar conectado nos dias atuais tem sido motivo para aproximar muitas famílias. Em tempos de pandemia, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde declararam o grupo dos idosos como um dos mais vulneráveis e com maior risco de letalidade à Covid-19, doença causada pelo coronavírus. Por essa razão, com a ajuda da tecnologia, os idosos estão buscando cada vez mais um espaço de voz ativa nos meios virtuais. Seja para fazer compras, efetuar pagamentos, ler livros, assistir filmes e séries ou até mesmo navegar pelas redes sociais.

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Nazilde Pinheiro adora se manter ligada nas redes sociais, seja para conversar com os amigos ou ler as notícias diárias || (Foto: Alexia Oliveira)

Nazilde Pinheiro tem 61 anos e trabalha como operadora de caixa. Segundo ela, as redes sociais têm sido um ótimo ambiente de oportunidade para que ela possa se manter atualizada sobre as notícias do mundo, mas lamenta se sentir abalada emocionalmente em razão das informações relacionadas ao Brasil.

“Particularmente, as notícias sempre chegam até mim pela TV. Eu gosto de compartilhar vídeos e me divirto na internet como posso. Ver e conversar com a minha família é uma das coisas que também faço. Busco estar atenta às notícias, mas na maioria das vezes estou presente nas redes sociais, como Facebook e o WhatsApp. Não vejo a televisão com muita frequência, porque as notícias são sempre muito tristes”, relata.

Em contrapartida, ainda são muitos os idosos que comentam as suas dificuldades em obter o acesso às plataformas digitais e sofrem com inúmeros desafios ao utilizar os meios de comunicação. Eles destacam os principais pontos, como: o vasto número de informações, a complexidade em manusear os dispositivos móveis ou smartphones, a dificuldade de leitura com as letras muito pequenas e os variados tipos de botões.

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Esperidião do Nascimento usa apenas as ligações para se comunicar com a família e para se distrair durante a quarentena criou seu próprio método || (Foto: Alexia Oliveira)

Esperidião do Nascimento é irmão de Nazilde e tem 68 anos. Trabalha como pedreiro e diz que não se vê como um grande admirador das redes sociais. Para se distrair durante a quarentena tem como passatempo jogar cartas com os irmãos, porém, para se manter perto dos familiares distantes, prefere fazer o bom uso do celular analógico.

“Na minha época, quando éramos jovens, nós não tínhamos internet como agora. Antigamente, a escrita era nas máquinas de datilografar e quem tinha aquilo eram consideradas pessoas ricas. Me preservei dessa forma, sem usar internet e apenas com celular, porque vejo que são tantas as notícias que são publicadas nos jornais que nos deixam desanimados, e até mesmo com medo de sair de casa, com ansiedade”, argumenta.

Ele também fala que a distância da família é um dos maiores desafios no período de quarentena, para isso não abandonou totalmente o celular e usa as ligações para que possa se manter presente. “Uso apenas as ligações para me comunicar com os meus parentes de longe, que moram no Maranhão, Rio de Janeiro e até mesmo nos Estados Unidos. Eu ligo para meus irmãos todos os dias e conversamos bastante, é importante trocar experiências e dar notícias mesmo de longe. O celular é simples e com poucos botões, eu acho bem mais fácil. Gostamos de falar das coisas boas da vida, esquecendo as ruins, pois assim podemos manter o sentimento de que atraímos boas vibrações” – explica.

Dados

Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre os anos de 2012 e 2017, os dados apontam um crescimento significativo de quase 25,9% da população idosa com acesso à internet no país.  O celular dispara como a principal forma de acesso aos meios de comunicação. A faixa etária compreende as idades entre os 60 anos ou mais. Em outra pesquisa, o IBGE cita que as mulheres representam a maior parte no grupo, com uma média de 56%. Enquanto os homens atingem quase 44% da população.

João Saraiva é especialista em ciências da informação, e atua como docente na modalidade de Ensino a Distância pelo Instituto de Ensino Superior de Brasília (IESB). Segundo ele, a tecnologia da informação está cada vez mais presente na vida das pessoas e expõe: “É um fato positivo as pessoas da terceira idade terem acesso aos meios de comunicação. Gerenciar o mínimo de opções que possam favorecê-las é um fator positivo, porque as pessoas vão procurar por informação, mas sempre estarão dentro das suas próprias limitações”.

Inclusão digital

No dia 1° de outubro é comemorado o Dia do Idoso. Declarado por lei, é todo aquele que possui idade igual ou superior a 60 anos. A inclusão digital também é uma das vitórias conquistadas pela terceira idade. Tem como objetivo proporcionar por meio da tecnologia da informação a oportunidade de inserção no ambiente virtual.

O Centro Universitário IESB, em parceria com outras instituições e com os alunos de todos os cursos, possui um projeto social chamado IESB em Ação. Um programa com fundamentos voltados para responsabilidade social com o objetivo de desenvolver atividades para o desenvolvimento do coletivo em sociedade. Entre as principais propostas de ações a serem realizadas dentro do projeto estão atividades como a inclusão digital.

São oferecidas oportunidades de cursos de informática básica realizados por voluntários, onde o aluno pode desenvolver habilidades e o estudo das áreas de animação, planilhas eletrônicas e edição de texto. O curso é gratuito e voltado para atender pessoas tanto da comunidade, quanto os alunos dos campi Sul, Oeste e Norte.

Erci Ribeiro é especialista em política social e coordena a equipe de serviços sociais no Campus Oeste situado na Ceilândia Norte. Para ela, a atividade de inclusão digital exerce uma extrema importância na vida do ser humano. E ressalta a importância da inclusão da pessoa idosa no ambiente virtual: “Deve-se, antes mesmo de pensar na questão do preconceito enfrentado por muitas pessoas idosas, tanto nas áreas de comunicação, quanto nas redes sociais, observar a questão de como eles são concebidos e conceituados em determinadas culturas. Por exemplo, as pessoas idosas em determinadas culturas, são concebidas como pessoas infantis e terminais. Eles não dessa forma, eles possuem uma voz, eles são adultos com idades avançadas e com limitações ou não. Eles têm necessidades que incluem o direito de aprendizagem, comunicação, de acesso as informações e, principalmente, de serem ouvidos”.

A tecnologia da informação dispõe de uma gama de conteúdos e informações que podem ser acessadas livremente. E segundo os especialistas são muitos os benefícios da tecnologia para a terceira idade. São eles:

  • Promovem uma maior socialização;
  • Melhoram a concentração e a memória, evitando doenças como o Alzheimer;
  • Proporcionam uma maior independência;
  • E por fim, o uso da tecnologia também mantém e estimula o uso do raciocínio, proporcionando grandes momentos de aprendizado.
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