Cidadania

Isolamento social une pessoas, que demonstram solidariedade

Em meio à pandemia do coronavírus, há quem demonstre empatia pelo próximo em atitudes que fazem a diferença

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou no dia 30 de janeiro de 2020 Emergência em Saúde Pública de importância internacional. Essa declaração aconteceu devido aos casos de contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19). A OMS considerou a atual situação como pandemia mundial. Informado o estado de emergência, países em todo o mundo teriam que se atentar às medidas de proteção em seus territórios. O vírus, que foi descoberto em 31 de dezembro de 2019, na cidade de Wuhan – China se espalhou por todo o globo. Diante da gravidade da situação, todos os países aderiram às medidas de isolamento social para a contenção do novo coronavírus. Como toda medida possui consequências, os casos de isolamento social, para muitos, têm sido períodos de angústia e sofrimento.

Com o isolamento social e o afastamento das pessoas de suas rotinas, com o passar dos dias, consequências surgiriam. Por se tratar de um isolamento que foi imposto como medida de proteção a fim de evitar a disseminação do vírus, pessoas foram pegas de surpresa. As consequências às quais a população está sujeita ao passar pelos dias de isolamento são também psicológicas. Para aqueles que já tinham algum problema psicológico ou emocional o isolamento os prejudicará ainda mais, os que não tinham nenhum tipo de problema estão a mercê de desenvolvê-los.

O isolamento foi adotado como medida de proteção para a contenção do vírus

O isolamento foi adotado como medida de proteção para a contenção do vírus

A psicóloga Débora Rosa, disposta a ajudar pessoas que precisam de atendimento e encontram-se sem devido aos cancelamentos dos psicólogos nessa pandemia, está atendendo quem precisa cobrando um valor negociado com o paciente, de acordo com o que pode pagar. Ela afirma que, “aqueles que já tem problemas com ansiedade, depressão, e luto, seja por perda de pessoas, perda do trabalho ou relacionamento, terão um aumento nos sintomas e na vulnerabilidade”. A psicóloga completa explicando que aqueles que não tinham um quadro clínico poderão apresentar dificuldade em lidar com a mudança da rotina, sair da zona de conforto, assim como frustração por adiar metas e compromissos planejados.

Solidariedade

Em decorrência daqueles que estão tendo dificuldades com o isolamento, pessoas dispostas a ajudar fazem a diferença. Um exemplo de solidariedade com o próximo é o de Luly Silva. Ela conta que sempre fez ação social entregando marmitas com seu marido e filhos dentro do hospital de Ceilândia, mas devido à situação atual de isolamento social algumas pessoas pararam de ajudar aqueles em situação de rua. Disposta a ajudar, juntou-se com amigas para fazer entregas de marmitas e frutas aos domingos para as pessoas em situação de rua.

Ela explica que as marmitas são feitas por ela, e completa dizendo que por ser classificação de risco não pode sair às ruas, ficando suas amigas encarregadas das entregas. Luly também possui um grupo de meninas no Facebook e no Whatsapp, que recebe o nome de “Juntas somos fortes”. Segundo ela, percebeu em conversa nos grupos que algumas garotas estavam passando necessidades de alimentos e tomou providências para ajudá-las dividindo o que tinha. Para Luly Silva, “alguns atos por menores que sejam, podem mudar a vida das pessoas”, finaliza.

Luly Silva, faz ação social entregando marmitas com ajuda de amigos e filhos

Luly Silva faz ação social entregando marmitas com ajuda de amigos e filhos

CVV

O Centro de Valorização da Vida (CVV) é uma Organização Não Governamental (ONG) que possui voluntários dispostos a dar apoio para aqueles que passam por problemas psicológicos e emocionais. O intuito é dar apoio emocional e ajudar na prevenção do suicídio. A porta voz Leila Herédia, voluntária do CVV há quase 9 anos, explica que o Centro de Valorização da Vida atende as pessoas com total sigilo e anonimato. Para ela, nesse período de isolamento, falar sobre as emoções, sejam elas quais forem, ajuda as pessoas a se sentirem melhor. Ela compara a ONG a um pronto socorro emocional. Conta que o CVV está mantendo os atendimentos 24 horas por dia, através do telefone 188. Leila relata que ano a ano um número maior de pessoas tem ligado, e completa dizendo que o CVV recebe uma média de 8 mil chamados por dia.

No ano passado, recebeu uma média de 3 milhões de ligações. E sobre as formas de ajudar aqueles que precisam, a voluntária fala que “a empatia não está ligada necessariamente a estar presente fisicamente com outro, é possível compreender e respeitar o outro mesmo não estando presente”. E dá exemplos dos aplicativos de vídeo que podem aproximar as pessoas umas das outras nesse período. A voluntária completa alertando as pessoas a prestarem atenção em quem demonstra mudanças, seja no afastamento ou estando mais quieta, pois essas são maneiras de ajudar quem precisa. A voluntária ressalta que no CVV são todos voluntários, e não profissionais, que não substituem qualquer tipo de serviço profissional, pois atendem e falam sobre emoções no momento em que as pessoas ligam.

Um outro exemplo de solidariedade é o de Marilda Lopes, 53 anos. Viúva e diagnosticada com depressão, há duas semana foi demitida da empresa na qual trabalhava por conta da pandemia. Marilda conta que, mesmo com as dificuldades desse período, ainda encontra motivos para ajudar quem precisa. Fazendo parte dos casos de risco por ser hipertensa e ter uma mãe idosa de 94 anos dentro de casa, tem crises de pânico. Conta apenas com a renda de um salário mínimo e desse salário tira sempre um pouco para ajudar quem precisa seja através de grupos do Facebook, pessoas que vendem rifa e precisam das vendas para colocar o necessário dentro de casa, com “vaquinhas” online, e até mesmo ajudando com doação de alimentos aos que necessitam. Marilda diz: “conto com um salário mínimo e agradeço todos os dias, pois existem pessoas em situações piores que a minha”, conclui.

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