Economia

Parados em meio a pandemia, motoristas autônomos ficam sem renda

Motorista feminina relata que é importante ter uma segunda alternativa

Dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2019 apontavam cerca de 38,6 milhões de brasileiros trabalhando na informalidade. Boa parte desse número é de motoristas de aplicativo. Devido ao atual cenário de pandemia, os autônomos são pessoas bem afetadas, sendo também motivo de preocupação por parte do governo.

Andreia Silva, 29, motorista de aplicativo há pelo menos 1 ano, relata que alugava um veículo, mas teve que devolvê-lo por conta da pouca demanda em meio a pandemia, visto que ela não ia conseguir pagar as obrigações junto à empresa. Ela diz estar desesperada por não ter uma reserva financeira. Sua maior preocupação atualmente é pagar seu aluguel e não ser despejada, assim como conseguir manter a alimentação da Kiara, sua cadelinha de estimação.

Andreia com sua cadelinha Kiara (arquivo pessoal)

Andreia é motorista de aplicativo e foi prejudicada com a pandemia

Andreia ainda vê uma luz no fim do túnel com a ajuda de R$ 600 que o governo prometeu aos autônomos. “Não é muita coisa, mas é de grande ajuda”, diz ela. Outra possibilidade que Andreia está buscando é conseguir uma bicicleta para começar do zero, fazendo entregas de comida também por meio de aplicativos.

Karla Oliveira, 28, motorista de aplicativo há pelo menos 6 meses, guarda uma certa quantia para momentos de emergência. Segundo ela, é importante ter outros meios, além dos aplicativos. Ela diz que não contava com essa pandemia, mas que alternava as corridas de aplicativos, com uma segunda função que é fazer entregas de alimentos pelo Ceasa-DF. “Devido aos aplicativos estarem em baixa, eu continuei fazendo apenas entregas”, comenta Karla.

Rodrigo Sales, 29, motorista de aplicativo há 2 anos, não vê com bons olhos o tratamento das empresas com os motoristas. Rodrigo relata ter uma reserva em dinheiro para momentos de lazer, que será utilizada nesse momento de pandemia. Segundo ele “dá para ficar de boa por um tempo”. Mesmo se precavendo, ele relata que o atendimento das empresas de aplicativos é muito desamparador. “Elas poderiam ajudar os motoristas que não contraíram a doença em meio a esse caos, mas nem isso elas fizeram, não se importam”, disse Rodrigo. Ele ainda pondera que conseguiu negociar com o banco o pagamento das parcelas do seu veículo, jogando as parcelas para o final, aliviando ainda mais as despesas.

Rodrigo (arquivo pessoal)

Rodrigo é um dos poucos motoristas de aplicativo que todo mês guarda parte dos ganhos como reserva

João Victor, 32, auxiliar administrativo que trabalha no atendimento pessoal da Uber em Brasília, informou que a empresa está dando todo apoio necessário aos motoristas, dando suporte financeiro aos parceiros motoristas que estão em quarentena devido ao fato de terem contraído o coronavírus e também custeando com R$20 o uso do álcool em gel dos motoristas que continuam trabalhando.

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