Educação

MEC antecipa formatura de estudantes da área da saúde

Os cursos que terão alunos com formação antecipada da área da saúde são: Medicina, Enfermagem, Farmácia e Fisioterapia

Por determinação da Organização Mundial da Saúde – OMS e, aqui no Brasil, pelo Ministério da Saúde, todos devem se manter em isolamento social. Em Brasília por decreto do governador, suspendeu as aulas presenciais das instituições de ensino. Por causa deste cenário, o MEC decidiu antecipar a formatura de estudantes da área da saúde, em especial os de Medicina, Enfermagem, Farmácia e Fisioterapia.

Na parte da educação, há estudantes de ensino superior, por exemplo, em fase final do curso, ou seja, TCC pronto e demais questões já organizadas. Com a chegada do coronavírus, instituições tiveram que adiar essa conquista. Uma preocupação que pegou a recém formada no curso de Medicina, Ana Neri, de 24 anos, e seus colegas de classe de surpresa. “Ficamos muito preocupados com o atraso em relação à nossa formação, pois já estávamos com grande parte do curso completo e todos os pré-requisitos básicos estavam preenchidos (TCC, Estágios em todas as áreas) Estávamos somente “repetindo” estágios no último semestre na área de saúde de família e outras de nossa escolha”.

Neri apontou outra questão que considera bem preocupante por envolver o internato, um dos ciclos do curso de Medicina em fase final que requer atenção e demais aprendizados na parte prática. “Enquanto estava tudo suspenso, as turmas do internato (que fazem os 2 anos obrigatórios de estágio) estavam completamente paradas, pois não há a possibilidade de fazer EAD”.

Diante desta preocupação pela recém formada em Medicina, uma MP – Medida Provisória, foi publicada no dia 01/04, do presidente Jair Bolsonaro, informando a autorização para formatura antecipada de estudantes da área da saúde sendo elas: Medicina, Enfermagem, Farmácia e Fisioterapia. Porém, Ana Neri informou que ficaram sabendo pelos noticiários, jornais, grupos de comunicação de estudantes de Medicina, entre outros. Mas, ainda faltavam algumas questões a serem revisadas, como a própria universidade que Ana estudou alegou para a completa formação antecipada desses estudantes. “Enviamos para a faculdade, porém a UNICEPLAC alegou que faltavam alguns critérios a serem regulamentados pelo MEC. Ficamos mais duas semanas no aguardo até sair a última portaria do MEC, regulamentando toda a colação e a faculdade liberar a mesma”.

Após divulgação da última portaria do MEC, as instituições de ensino superior passaram a tomar providências para a formação dos estudantes. Juntamente à MP, foram passados aos alunos os critérios para formação. Neri se encaixava nos critérios e logo deu entrada e conta o que foi passado para ela e demais estudantes do curso de Medicina. “Como critério, foi exigido 75% de conclusão do internato de Medicina, não ter pendência em nenhuma matéria (ou seja, não ter matérias reprovadas que ainda precisam ser realizadas), horas de atividades complementares finalizadas (que inclui congressos, cursos, entre outras atividade) e TCC pronto”.

Ana Neri teve a formação antecipada no curso de Medicina. É importante ter a presença, apoio familiar nesse momento tão importante.  Foto: Paloma Nunes fotografia

Ana Neri teve a formação antecipada no curso de Medicina. É importante ter a presença, apoio familiar nesse momento tão importante
Foto: Paloma Nunes fotografia

Para o bem estar de muitos estudantes, que ou são considerados do grupo de risco, como morarem com pessoas idosas e também com doenças crônicas, agora não há a obrigatoriedade desses recém formados atuarem apenas nos hospitais de campanha contra a covid-19. Era uma preocupação da Ana Neri assim como de outros recém formados.

A recém formada relata como estava sua situação antes de tudo vir à tona. Estava em um estágio eletivo, no caso, estágio no qual o aluno pode escolher a área para atuar. Era na parte de UTI, do Hospital Regional do Gama. “Eu estava bem focada, aprendendo bastante e a cada dia ganhando cada vez mais habilidade e segurança, me preparando para quando iniciasse minha carreira”. Além dessa questão, Ana conta que estava focada e se preparando para a residência médica, pois o processo seletivo, segundo ela, ocorre no fim do ano. Mas, teve que ser adiado.

Algumas burocracias ainda estão pendentes, porque segundo Ana Neri foi tudo muito rápido e alguns de seus colegas ainda não conseguiram emitir o CRM (registro para atuação profissional). Conta também como está a sua atuação e a dos demais colegas nos hospitais. “Em relação aos hospitais, ainda não temos muitas informações, pois como não há obrigatoriedade no sentido de atuação contra o coronavírus, muitos de nós estamos conseguindo locais de atuação por meios próprios como UPAs, Hospitais, etc. Mas logo a situação irá se estabilizar”.

Como ficam Enfermagem, Farmácia e Fisioterapia

Relembrando, com a MP de Jair Bolsonaro, publicada no dia 01/04, informando a antecipação da formação de alunos dos cursos da área de saúde, como: Medicina, Enfermagem, Farmácia e Fisioterapia e com a regulamentação alteradas e publicada pelo MEC. Agora estes recém formados podem correr atrás de seus registros profissionais.

Enfermagem é uma profissão que dá grandes auxílios na parte hospitalar e que lida ao lado de médicos, com a função de tratar pessoas enfermas. Portanto, a sua atuação permitiu a inclusão desa profissão na MP do Presidente da República. O professor de Enfermagem e enfermeiro, Alexandre Jorge, relata que essa decisão de formação antecipada “é uma possível estratégia para suprir a possível falta de profissionais na área de saúde nos serviços para enfrentar essa pandemia. Portanto, tem sim uma grande importância dentro da sociedade já tentando formar um quadro de profissionais caso haja a necessidade de atuação”.

Ao mesmo tempo que se ver a preocupação da formatura antecipada dos estudantes da área da saúde, também veem o grau de importância.

Formatura antecipada dos estudantes da área da saúde também traz preocupações

Em visão geral, os já profissionais veem uma preocupação para essa formação, como os próprios estudantes. O professor conta qual é sua preocupação: “Mesmo que esses estudantes estejam no último ano do curso e a antecipação ocorrendo no último semestre, 25% da carga horária poderia ser reduzida, de qualquer forma são estudantes que estão em processo de formação. Estão ainda adquirindo competências, habilidades e atitudes para enfrentar o mercado de trabalho para poder atuar de uma forma mais adequada quando estivessem realmente trabalhando”. Alexandre Jorge relata também que é uma questão que pode causar inseguranças nos alunos. “Esse é um questionamento que as entidades de Enfermagem fazem, até que ponto isso seria mais prejudicial do que benéfico na atuação do formando. Para terem uma ideia temos aí mais de 50% das formas de contaminação hoje nos profissionais da saúde, na hora de você tirar a vestimenta. Portanto, seria importante, também, além da graduação antecipada uma capacitação especificamente voltada para atuação em casos de pandemia , momentos de pandemia”.

Mantendo sua preocupação, Alexandre deixa questões, como esses recém formados vão ser recebidos. “Quem vai estar recebendo esse profissional; o serviço está preparado para fazer treinamento; será que eles estão conseguindo treinar ao menos os profissionais que estão hoje atuando? Vemos aqui no DF, relatos, queixas de profissionais, dos que já atuam há muitos anos que não têm preparo e não tiveram a capacitação por enfrentamento adequado nesse momento”. E ele exclama que formando esses estudantes, não saberão até quando e onde a preparação deles vai ser adequada para enfrentar esse momento.

Já a parte de Farmácia, também vista com o seu grau de importância, entrou na MP para a formação antecipada. A professora do curso de Farmácia, Carla Terci, vê como positiva essa decisão, mas que se preocupa com os equipamentos para os recém formados e lembra. “Esses profissionais devem ter equipamentos de proteção individual”.

Carla conta que a atuação do farmacêutico é vasta, a formação antecipada de estudantes vai ajudar e auxiliar bem. “Sua atuação pode se dar em diversos cenários desde atenção farmacêutica ao doente, a análise de exames, controle de equipamentos e insumos, ações de biossegurança, farmacovigilância até na educação em saúde”.

Um dos auxílios dos farmacêuticos é na análise de exames. Porém, são capacitados para demais auxílios, segundo Carla Terci, professora do curso de Farmácia

Um dos auxílios dos farmacêuticos é na análise de exames, segundo Carla Terci, coordenadora do curso de Farmácia

Segundo a professora, as diretrizes curriculares nacionais do curso de Farmácia orientam para a formação por competência dos estudantes, ou seja, dando formas e meios mais efetividade e segurança para a atuação desses futuros profissionais. “Esse tipo de formação desenvolve além da dimensão teórica de estudos, as habilidades e as atitudes sócio afetivas dos profissionais. O curso de Farmácia tem 5 anos, com 20% de estágios obrigatórios. Normalmente no último semestre os estudantes se dedicam ao estágio e produção de artigos científicos. Acredito que a formação por competências que vem sendo trabalhada no ambiente acadêmico vai minimizar as inseguranças e que os estudantes concluintes estarão aptos a atuarem profissionalmente”.

No entanto, a professora se mantém confiante e mostra como serão supervisionados. “Esses estudantes concluintes serão supervisionados e orientados por profissionais que já atuam na saúde pública”.

Fisioterapia também teve sua inclusão na MP. De forma simplificada sobre a atuação desta área ela lida com a parte de reabilitação, formas de melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Perante a atuação dos recém formados do curso, a professora e doutora e Fisioterapeuta Cláudia Leite demonstra que é uma questão não tão assertiva, mas deixa seu posicionamento referente a decisão de formação antecipada. “Geralmente na grade curricular de um curso de Fisioterapia os primeiros três anos são teórico-práticos em sala de aula e laboratórios e o último ano ocorre nos hospitais e outros centros de reabilitação. Antecipar a formação de um estudante de Fisioterapia significa interromper justamente os estágios práticos dentro do hospital”.

Ela também complementa como poderia ser essa questão. “Acredito que a implementação de pós-graduação intensiva para fisioterapeutas formados teria sido mais assertiva. As linhas de estudo deveriam ser especificamente em Terapia Intensiva, Mecânica Respiratória, Ventilação Mecânica e Fisiopatologia do Coronavírus.

Cláudia Leite fisioterapeuta, coloca dois tipos de grupo de pacientes covid-19. Dentre esses grupos, ela aponta onde os estudantes recém formados conseguirão atuar com mais segurança. Temos dois grupos de pacientes COVID: Grupo A aqueles que estão com respiração espontânea, Grupo B aqueles que estão em ventilação mecânica.

Os estudantes que tiveram formação antecipada não conseguirão atuar no manejo do “Grupo B”. A Ventilação Mecânica é extremamente complexa. Poderão contribuir no manejo do “Grupo A” sob supervisão de profissional experiente.

Cláudia se preocupa por ser uma doença desconhecida, relata sobre até profissionais experientes na área de Terapia Intensiva e Respiratória estarem preocupados por não saberem totalmente como atuar com os pacientes com covid. Mas também deixa claro que todos estão indo atrás incansavelmente de informações e que estão em treinamento constante. E mais. “São profissionais com experiência no manejo de H1N1, SDRA, KPC e mesmo assim estão com certa insegurança. Esses alunos com formação antecipada só conseguirão atuar com mais segurança, evitando erros, se trabalharem em equipe com um supervisor experiente”.

Na instituição de saúde na qual ela atua, informou que estão colocando os esforços na preparação apenas de profissionais da saúde já atuantes. E, que até o momento, não receberam nenhum profissional que passou pela formação antecipada.

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