Cultura

Projeto musical se reinventa para levar arte às famílias isoladas

A brasiliense Sunflower Jam se apresentou, ao vivo, em trio elétrico para o público em quarentena

 

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O movimento musical Sunflower Jam tem feito ações culturais adaptadas para a quarentena, com apresentações em trio elétrico para entreter e incentivar as famílias a continuarem com o isolamento social preventivo à Covid-19. Tomando as medidas de proteção orientadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde), o grupo criado em 2017 encontrou a alternativa para continuar com os shows ao vivo, com apoio de comerciantes e parceiros. Os primeiros shows ocorreram em Águas Claras e na Asa Norte.

Além disso, decidiram usar o período da quarentena para o lançamento e divulgação dos novos trabalhos: um single, Goin’ Home e faixas de seus novo EP, completamente autoral, chamado VERT. O EP, gravado ao vivo no Vert Café, tem 5 faixas e será lançado oficialmente em 22 de maio.

A Sunflower Jam é um projeto musical brasiliense fundado pelo guitarrista Hermes Reis e pela cantora Taís Reis. O projeto convida vários artistas, mas tem seus membros mais fixos, Hermes Reis (guitarra), Amaro Vaz (bateria), Rafa Black (Bateria), Jadão Big J (Baixo), Jônatas Santana (Teclado e produção), Sasha (Teclado e Sax), Paulo Black (Trompete), Gugu (Percussão) Negu Sillas (Teclado), Raildo (Saxofone).  Além dos instrumentistas, compõem o projeto os vocalistas Taís, Fred Ramos, Allan Massay, Gael, Joey Santiago, entre outros cantores convidados.

O projeto é inspirado nas jam sessions características de estilos musicais como jazz, que possui um forte tom de improvisação e estímulo à criatividade.

Como está sendo lançar projetos em tempos de pandemia e como essa nova realidade afetou os projetos que tinham para 2020?

Hermes – Tivemos que nos reinventar, mas estamos produzindo em um ritmo maior, além de lançar músicas novas, como o single instrumental Goin’ Home, por exemplo. Estamos fazendo novas produções pelo computador e pela internet, tenho trabalhado bastante com o Jônatas Santana nesse formato.

Taís – Esses meses foram naturalmente reservados como um período de reclusão para podermos focar na divulgação dos nossos novos trabalhos. Tivemos o single Goin’ Home, e agora as faixas do novo EP que se chama VERT, o último lançamento foi a faixa In Your Bed, que estará no EP.  A pandemia afetou muito a gente no sentido de desestabilizar agendas que já tínhamos programadas para depois do período de divulgação. Isso tem acontecido com artistas do mundo inteiro, pois o ponto principal é que não pode haver aglomeração e a gente vive de aglomerações, então foi muito chocante no começo. Até que surgiu a ideia de levar o show até as pessoas.

E como surgiu a ideia de fazer shows nos trios?

Hermes – Fizemos parceria com alguns comerciantes e, a partir disso, pudemos levar a nossa música por meio do trio elétrico em pontos das duas cidades para que o público pudesse acompanhar de suas janelas. E eu fiquei muito feliz, muito contente de poder levar um pouco da nossa arte até as pessoas e fazer com que se sintam melhor nesse momento complicado. Entravamos nas quadras pedindo licença para as pessoas para trazer paz, amor e música.

Pode me falar das inspirações para o conceito de Vert?

Taís – É o nosso primeiro álbum completamente autoral. A gente sempre coloca algumas músicas autorais aqui e ali, mas dessa vez a gente quis focar nisso. A gente quer mostrar para as pessoas que a Sunflower tem canções próprias e um estilo próprio. Acho que as pessoas já conseguiram sacar isso, mas a gente sempre fez muitas versões. Somos compositores e artistas autorais também. O EP tem 5 músicas e se chama é VERT em homenagem ao café em que gravamos o disco ao vivo. Significa verde em francês.

Como surgiu a Sunflower Jam e o conceito visual dela?

Hermes – Eu morei em Los Angeles junto com a minha irmã, somos os fundadores do projeto. Fomos estudar música e ficamos 4 anos lá. A experiência que tivemos em Los Angeles serviu de inspiração para a criação do projeto. Eu frequentei muitas jam sessions, conheci músicos e pessoas do mundo inteiro. Essas trocas deram o embasamento para começar o projeto.

Quando eu voltei eu sentia muita necessidade de abrir espaços na cidade para fazer o som como eu fazia lá, a necessidade de me comunicar musicalmente, da maneira que eu queria me comunicar e assim nasceu o projeto. A primeira noite da Sunflower Jam foi no pub O’Riley e começou como Hermes Reis convida. Eu convidei vários amigos e músicos para fazer parte da noite e foi um super sucesso. E a partir do segundo show, com a Sunflower Jam, eu comecei a ter inspirações e ideias para o projeto.

Gosto sempre de enfatizar e valorizar os músicos que fazem parte da banda. Sempre convidamos novos artistas para as sessions, mas temos um time fixo que está sempre nas mídias sociais e faz a maior parte dos show. E eles representam a filosofia do projeto.

Quanto à parte visual e os conceitos, sempre tenho grande parte das ideias quando eu estou me preparando para dormir. E pensei, ‘a gente precisa de uma identidade visual’, e na hora veio a imagem de macacões, e a cor amarela foi meio que óbvia por conta dos girassóis e a gente já tinha escolhido o nome.

Sobre nosso processo de divulgação de shows, a produção de materiais audiovisuais também define a identidade do projeto. Eu escrevo o roteiro mas tenho que frisar que eu trabalho junto com a minha irmã em tudo que a gente faz. O João Renato, Johnybub, trabalha com a gente na captação e edição desses vídeos. Um dia pensei que deveríamos fazer vídeos mais interativos e mais criativos para poder despertar interesse nas pessoas, pra fazer com que tenham vontade de ir assistir a gente ao vivo.

Qual a proposta do projeto?

Taís – A gente sempre gosta de usar o termo Movimento Musical para descrever a Sunflower Jam, por realmente sentirmos que é isso que ela é. Ela vai juntando pessoas, não só as que participam dos nossos eventos, que estão lá fisicamente com a gente ou que gravam nas lives sessions. Também envolvemos as pessoas que assistem nossos vídeos, que escutam no Spotify, que veem no YouTube. A gente sempre teve uma mensagem para passar e nunca quis só fazer música pela música. A mensagem que queremos passar em todos os tipos de linguagem é a de união.

Eu comecei a minha carreira lá [em Los Angeles] e o Hermes já tinha uma aqui no Brasil e a volta foi muito chocante pra gente, principalmente eu que nunca tinha lidado com o cenário da música aqui no Brasil. A princípio, eu senti que tinha muita competição e pouco espaço para o novo aqui em Brasília. A Sunflower nasceu dessa necessidade, para sacudir a poeira. Muita gente falava que Brasília não era um lugar para florescer musicalmente e a gente nunca acreditou nisso. O conceito do movimento musical é o de poder arrastar todas as pessoas que têm os mesmos ideais, anseios, desejos e sonhos, e continuar caminhando, porque tudo que é bom tem que ser compartilhado. A mensagem principal do projeto, que é tão importante nesse momento também, é ‘se movimentar em direção à luz’, por isso que é Sunflower Jam, porque os girassóis se movimentam em direção a luz.

 

 

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