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Caio Bonfim: “foi fundamental a Olimpíada ser adiada”

Em entrevista ao Portal Jornalismo IESB, o atleta brasileiro avaliou o adiamento do evento esportivo e contou como tem sido a rotina de treinos na quarentena

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Recordista brasileiro nas marchas atléticas de 20km e 50km, marcas que conquistou nas Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016, Caio Bonfim teve que adaptar toda a rotina de treinos, devido às medidas de isolamento social por causa do novo coronavírus. Acostumado com os treinamentos especializados na pista de atletismo do Estádio Augustinho Lima, em Sobradinho, Caio agora reveza a preparação entre corridas na esteira e em uma serra afastada da cidade.

Toda essa preparação é feita com um objetivo: as Olimpíadas de Tóquio, que ocorreriam em julho de 2020, mas, por conta da pandemia da covid-19, foram adiadas para o mesmo mês em 2021. O atleta vinha se destacando no circuito pré-olímpico e chegava como forte candidato na busca por medalhas no Japão.

Neste ano, Bonfim foi campeão da Copa Brasil, em Recife, e da Copa Sul Americana de Marcha, no Peru, mas o bom ritmo e retrospecto acabaram interrompidos com a pandemia.

Mesmo com a mudança na rotina, o atleta vê com bons olhos o adiamento das Olimpíadas: “Foi sensato, porque há atletas que precisam bater marcas para se classificar, agora podemos focar na nossa preparação física, porque a luta do mundo é outra hoje”, disse.

Confira a entrevista de Caio Bonfim ao Portal Jornalismo IESB:

O que te fez escolher a marcha atlética?

Escolhi a marcha por influência dos meus pais. Minha mãe foi marchadora, oito vezes campeã brasileira, e meu pai era treinador dela. Eles casaram, nascemos eu e meu irmão, e tivemos muita influência. Meu irmão não escolheu o caminho do esporte, mas era uma criança muito ativa, eu fiz alguns testes, fui treinando, me apaixonando, ganhando resultados e fiquei com a marcha atlética.

Caio Bonfim venceu a Copa Brasil, em Recife, e da Copa Sul Americana de Marcha, no Peru, em 2020

Caio Bonfim venceu a Copa Brasil, em Recife, e da Copa Sul Americana de Marcha, no Peru, em 2020

Desde quando pratica o esporte? Recebeu algum incentivo?

Comecei profissionalmente em 2007, mas antes já tinha feito algumas brincadeiras assim em algumas competições, mas não era sério, até que em 2007, quando eu era sub-18 na categoria, eu comecei. Nesse ano eu fui campeão brasileiro, me classifiquei para o campeonato mundial e fui 12° do mundo, fui para o Pan-americano e fiquei em 5° e para o sul americano e fiquei em 4°. Tudo no mesmo ano. Então, comecei a receber incentivos como a Bolsa Atleta, mas, claro, o primeiro incentivo foi dos pais.

Como tem sido sua rotina de treinos nesse período de isolamento? O que mudou?

Tem sido diferente, porque é um pouco mais cansativo. Eu treino muita esteira, e não estou podendo usar o estádio que tem uma pista de atletismo profissional. Montei em casa uma pequena academia e às vezes vou em uma serra aqui em Sobradinho, é um lugar bem isolado, então treino lá sem nenhum outro atleta. O treino é em uma estrada de chão, eu saio de casa, mas não tenho contato com ninguém. Vou e faço a quantidade de quilômetros que preciso fazer, depois volto direto para casa.

A ansiedade na quarentena afeta a todos. E para um atleta? Como tem feito para lidar com isso?

O atleta sabe lidar muito com as emoções. Já tive outros momentos isolados, onde ficava um mês só comendo, treinando e dormindo, é como uma quarentena. Então eu aguento bem ficar isolado. Tenho um filho recém-nascido e aproveito para ter um tempo a mais com ele, procuro fazer bastante jogos com a família para ficarmos mais tranquilos no dia a dia, mas no geral não sou ansioso.

Como vê o adiamento dos jogos Olímpicos? Qual a importância de se ter essa conscientização por parte dos eventos esportivos?

O adiamento foi importante, eu por exemplo tinha prova em março, abril e maio, mas não poderia participar de nenhuma delas, porque foram canceladas. Então assim, seria muito ruim ter uma Olimpíada sem as provas pré-olímpicas. Foi sensato, porque há atletas que precisam bater marcas para se classificar, agora podemos focar na nossa preparação física, porque a luta do mundo é outra hoje. Foi fundamental a Olimpíada ser adiada para vermos a importância, tanto atletas, quanto público, de tomarmos as devidas precauções. Fico feliz de fazer parte disso.

Você vinha com bom retrospecto neste ano. Dá uma frustração perder o ritmo de competição? Ainda mais estando bem?

Esse ano fui campeão da Copa Brasil, em Recife, e da Copa Sul Americana de Marcha, no Peru. Acho que tenho que manter o foco, treinar, esperar as competições retornarem, como as Olimpíadas e o retrospecto, eu tenho que usar para adquirir confiança e ficar mais focado.

Você já está com o nome conhecido no mundo do esporte. Tem alguma dica para um corredor que está iniciando agora?

É sempre difícil dar dica. Mas se um cara quer fazer um esporte de longa distância, ele precisa perseverar, são muitos quilômetros, mas tem que perseverar, ir plantando, plantando e plantando, que ele vai conseguir colher. É uma dica mais moral do que de treino.

 

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