Cultura

Cenário de quarentena ainda é desafio para quem vive da produção cultural

Crise desencadeada pela Covid-19 desafia setor cultural a se reinventar através das interações online

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Banquinho, mesa de som e microfone. Tudo acompanhado de uma pequena estrutura com luzes e câmera, prontas para a ação. Em casa, produtores culturais e artistas, acostumados com as grandes performances e plateias lotadas, estão buscando diariamente novas formas de contornar os desafios gerados pela pandemia do novo coronavírus.

Além das áreas de turismo e comércio, a pandemia também afetou, sobretudo, o setor cultural. Com a recomendação de evitar aglomerações e realizar o isolamento social dadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), boa parte das pessoas teve que ficar em casa. Sejam elas artistas, empresas, empreendedores, pastores ou produtores culturais. Através das plataformas online, como o Instagram e o Youtube, esses profissionais encontraram uma solução para continuar a prestação dos seus serviços para o público.

 Jorge Andrade também é conhecido como Jorge Recife,  atua como produtor cultural e músico na cidade de Valparaíso de Goiás || (Foto: Alexia Oliveira)

Jorge Andrade também é conhecido como Jorge Recife, atua como produtor cultural e músico na cidade de Valparaíso de Goiás || (Foto: Alexia Oliveira)

Jorge Andrade tem 45 anos, atua como produtor cultural e músico. Para ele, a crise em decorrência da covid-19 trouxe muitas dificuldades não somente para ele como para toda a classe dos profissionais que envolvem as áreas que demandam dos serviços culturais.

“Eu vivo da produção cultural e agora está tudo parado. Em meio à quarentena, busco me reinventar através da interação com o público através das lives, com composições de músicas e produções que eu faço em casa. Observo que o profissional da cultura está refém do sistema atual, porque hoje dificilmente há como ele se manter” – lamenta.

Um dos principais desafios que o setor cultural enfrenta neste momento de crise é o cancelamento dos eventos, que envolvem gastos tanto em equipe, quanto pessoais. Os profissionais que vivem da arte e produção de espetáculos e shows estão entre uma das áreas que mais sofreram impactos pela crise em decorrência do novo vírus.

Gabriel de Sousa também é um exemplo de profissional da cultura que enfrenta desafios no ambiente de trabalho || (Foto: Alexia Oliveira)

Gabriel de Sousa também é um exemplo de profissional da cultura que enfrenta desafios no ambiente de trabalho || (Foto: Alexia Oliveira)

Gabriel de Sousa é ator e produtor cultural independente. Além disso, também é outro exemplo de profissional que também está buscando por inovações no cenário de pandemia, por meio das reuniões online. Segundo ele, uma das maiores dificuldades que estão sendo enfrentadas no contexto atual pelos produtores são relacionadas às etapas de construção e execução dos seus projetos.

“Por exemplo, estou trabalhando em um espetáculo atualmente e a construção dos cenários está sendo um dos processos mais complicados. Além disso, não temos oportunidade de sair de casa para realizar buscas em relação a pesquisas de preços, serviços e materiais” – ele cita.

A ascensão das lives durante a pandemia

Lives, em inglês, termo que significa em sua tradução “vidas”, são a forma pela qual as transmissões ao vivo ficaram conhecidas. Através delas, é possível se captar a vida ou momento e reação do que estamos vivendo no agora. Não muito diferente dos realitys shows, que também ficaram conhecidos pelo mesmo motivo.

Para Daiana Paes, editora chefe do site Lorena Bueri, no Portal R7, as lives, além de serem uma oportunidade de promover o entretenimento, também são vistas como uma inovação já que muitos artistas estão utilizando como ferramenta para promover seus trabalhos.

“Nós temos que nos reinventar a todo momento. Essas lives, além de promover o entretenimento, estão servindo como formas para arrecadação de alimentos para as pessoas e estão vindo em forma de boas ações. O mundo e as pessoas estão mudando e existem muitas coisas além do entretenimento que estão sendo discutidas e debatidas através desse conteúdo online” – explica.

Público alvo

Na quarentena as transmissões ao vivo atingiram um grande sucesso de público nas diversas áreas. Como através da música e na comédia, com nomes de sucesso como Anitta, Wesley Safadão, Marilia Mendonça, Gusttavo Lima e Leo Santana. Na comédia, com nomes do stand-up comedy como os humoristas Thiago Ventura, Bruna Louise, Afonso Padilha, Tirullipa e Whindersson Nunes que movimentam bastante suas redes sociais, nesta quarentena, com a interação ao vivo e regado a muito humor.

Thiago Ventura é humorista e considerado um dos principais nomes do Stand-Up Comedy do país. Além do mais, cita que uma das suas maiores saudades nesta quarentena tem sido os palcos.

“Nós não vemos a hora de voltar a fazer shows. Somos viciados por comédia e buscamos estudar isso sempre. Notamos que existe uma diferença entre o virtual e o show presencial pelo fato de que, no online a gente não consegue ver a reação do público. E no show, de fato, nós conseguimos ter aquela troca real de conexão com as pessoas” – ele argumenta ao responder perguntas dos participantes em live.

Dados

Segundo dados do YouTube obtidos pela revista Exame, a procura por conteúdos ao vivo aumentou em 4,9 % no Brasil nesta quarentena. O fenômeno atinge todos os dias uma dimensão mundial, que vai desde o público mais jovem aos mais velhos. Em outra pesquisa, é constatado uma estimativa de que as lives são assistidas por três vezes mais tempo que vídeos comuns. As transmissões ao vivo recebem também 10 vezes mais comentários. Esses dados são revelados através das pesquisas divulgadas pela plataforma Facebook.

Em meio ao contexto de pandemia, as pessoas têm se conectado através das lives não somente para ver uma apresentação de determinado artista ou performance na internet. Em um mundo onde o confinamento virou uma questão de se manter em segurança, as pessoas buscaram através das redes sociais a interação como uma forma de se manter atualizados e próximos uns dos outros, mesmo estando em isolamento social.

Caio Souza tem 20 anos e usa as plataformas sociais para assistir filmes e séries, lives e também conversar com os amigos. Para ele, as lives têm uma importância para que as pessoas fiquem em suas casas durante a quarentena e obedeçam as normas estabelecidas.

“Eu acho as lives importantes, porque eles estão tentando neste meio, através desse conteúdo que está sendo gravado online, trazer entretenimento em casa para as pessoas e ajudam a evitar que as mesmas saiam para outros lugares e promovam algum tipo de aglomeração” – explica.

Além do mais, em decorrência do isolamento social, há pessoas que relatam situações de estresse ou até mesmo tristeza em relação ao cotidiano. Ellen Alves tem 22 anos e tem como seu maior hobbie nesta quarentena assistir filmes, séries e lives. Para a estudante de medicina, as lives promovem um momento de descontração, que é essencial para aliviar o estresse e tensão que todo o momento tem causado.

“Eu adoro ficar em casa, embora não consiga ficar assistindo talvez uma live que dure 3 ou 4 horas, assisto algumas sempre que possível. Alguns dias a quarentena chega a ser estressante, mas faço o possível para lidar bem com toda essa situação. Além das lives para me distrair, eu assisto filmes e seriados, organizo minhas coisas e busco também fazer exercícios físicos” – finaliza.

Através da interação online, seja com os amigos ou por meio das lives, as pessoas têm encontrado uma nova oportunidade para se divertir e distrair. Seja assistindo um show de stand-up comedy ou ao som das músicas prediletas do artista favorito.

 

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