Educação

Com a pandemia do coronavírus, alunos estão se adaptando à nova rotina de estudo

Aulas suspensas desde março, ainda não tem previsão para voltar de forma presencial

Em razão da pandemia global de coronavírus, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, decretou a suspensão de aulas em escolas da rede pública e privada, além de universidades e faculdades.

As medidas adotadas para que as crianças e adolescentes fiquem em casa são os estudos feitos de forma remota. Para isso, professores, pais e alunos estão se adaptando à nova rotina, enfrentando dificuldades com a nova forma de ensino para conseguirem manter os alunos em contato com o ensino.

Para o professor Roger Nunes, a rotina tem sido mais trabalhosa com as aulas online devido a atenção e preparação redobradas. “Sempre há possibilidade de algo dar errado, a conexão com a internet, o aluno ter algum problema. É necessário ter vários planos e possibilidades de como trabalhar em cada aula”, diz Roger.

Mesmo com essa forma de dar aula, é importante manter um feedback e contato com os alunos para não se sentirem desmotivados. “Acredito que a maior dificuldade e desafio para essa forma de ensino é manter o aluno interessado, concentrado, sem perder o foco, e sem perder a motivação para os estudos”, comenta o professor.

Manter a atenção nos estudos em casa é um desafio para os alunos

Manter a atenção nos estudos em casa é um desafio para os alunos

A rotina e o planejamento são prejudicados, é preciso criatividade para sempre mudar os planos e manter a atenção dos estudantes. “Planejar atividades diferentes, manter o contato com os alunos ajudam no engajamento. E acredito que seja possível manter a mesma produtividade com as aulas online, uma vez que os alunos consigam dentro da rotina deles, se comprometer com o conteúdo, fazer as atividades extra classe, participar das aulas, e estar presente”, completa Roger.

Rede Pública

Cerca de 460 mil alunos da rede pública do DF estão sendo afetados com a suspensão das aulas devido a pandemia. A Secretaria de Educação (SEE-DF),pensando em uma alternativa para crianças e adolescentes não se prejudicarem e não perderem o contato com os estudos, disponibilizou conteúdos por meio de uma plataforma Google.

As atividades não substituem os dias letivos nem as aulas presenciais, mas são importantes para os alunos não perderem o foco, e manter um cronograma escolar ativo. A adolescente Maria Eduarda Rodrigues, de 12 anos estuda na rede pública de ensino, está na 7ª série do ensino fundamental e tem utilizado a plataforma. “Não estou me adaptando com as aulas online, não é a mesma coisa das aulas presenciais. Sinto falta de ouvir os professores explicando, tirando minhas dúvidas, e pela plataforma é muito difícil manter esse contato com o professor”, conta a adolescente.

Além da mudança na rotina, Maria Eduarda tem se organizado para rever conteúdos já vistos dentro da sala de aula. “Meus pais têm me ajudado a revisar os conteúdos. Reviso meus cadernos da escola, e acesso as aulas. Mas me sinto muito prejudicada em relação a produtividade que não é a mesma, além disso me preocupo em como serão as reposições das aulas. Se eu pudesse escolher, com certeza faria novamente a série no próximo ano, para não me prejudicar no futuro”, relata.

Rede Privada

A realidade dos alunos de escolas privadas tem sido diferente dos alunos da rede pública. Com todos os recursos disponíveis, as escolas têm mantido as aulas de forma remota e os pais têm sido aliados fundamentais para ajudar os filhos a enfrentarem esse momento.

A Paula Guedes é mãe de duas crianças do ensino básico, Lívia, com 7 anos, e Davi, com 9. Ela tem usado alguns artifícios para manter os filhos concentrados nos conteúdos mesmo com as aulas online. “A rotina mudou bastante, como estou trabalhando de forma presencial, não posso ajudá-los durante a semana, e optei por contratar uma professora particular para que eles tenham um auxílio maior e o desempenho não diminua. A Lívia de 7 anos está na alfabetização, então tirar ela desse contato com o professor, pode ser prejudicial”, conta Paula.

Uma das maiores dificuldades encontradas pelas mães é manter a atenção dos filhos para as aulas. “A educação EaD já não é fácil para o adulto, para criança se torna ainda mais difícil. Elas são mais dispersas, a concentração é diferente, principalmente por estarem dentro de casa. Acredito que o ensino fique prejudicado pela mudança na metodologia. Mesmo com todo recurso da plataforma online, crianças têm mais dificuldades em se concentrar, logo, em casa esse desafio é maior”, completa a mãe.

Crianças são mais dispersas, principalmente quando estão em casa

Crianças são mais dispersas, principalmente quando estão em casa

O cenário atual mudou completamente a rotina de muitos pais e filhos, conciliar trabalho em casa com os estudos dos filhos, pode ser uma tarefa árdua para muitos. “Nós mães não temos a mesma dinâmica para ensinar como os professores ensinam, mesmo ajudando e auxiliando a criança, é muito confuso e difícil para nós. Tem sido um desafio geral, para nós, para eles, e para as escolas. Além disso, é preciso dar um suporte emocional para explicar o período que estamos vivendo, porque eles sentem falta das rotinas”, completa Paula.

Sobre as aulas

O secretário de Educação do Distrito Federal, João Pedro Ferraz, em entrevista ao portal de notícias G1, afirmou que não existe nada definido sobre a retomada das aulas nas escolas do DF. No decreto assinado pelo governador Ibaneis Rocha prevê que as atividades permaneçam interrompidas até o dia 31 de maio.

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