Saúde

Como foi conviver com o coronavírus por 20 dias

Momentos em que eu e minha família tivemos contato muito próximo com a Covid-19

Era dia 18 de março, um dia normal de quarentena. Estudando, fazendo as coisas em casa, tensa com o que estava acontecendo com o mundo. Mas entre tudo isso, a preocupação com o meu padrasto que estava doente, aparentemente com sinusite e com uma febre, hora alta, hora controlada. Eu estava tranquila, sabia que nada de ruim poderia acontecer e que a minha casa não ia ver essa doença de perto. Coitada de mim, mal sabia que àquela altura a minha casa estava enfrentando a pandemia da covid-19, doença que, até maio, já havia infectado 4,17 milhões de pessoas, com 1,45 milhões de recuperados e 285 mil mortes ao redor do mundo.

Na tarde do dia 25 de março, eu já sabia que havia algo de muito errado na energia da minha casa (sou muito sensitiva, percebo muito fácil a energia dos lugares), que algo não estava nada bem. Além de que já havia 182 pessoas diagnosticadas com a doença no DF, mas ainda sem mortes.

Por volta de 16h, meu padrasto resolveu ir para o Hospital Home (Hospital Ortopédico e Medicina Especializada), que é perto da nossa casa, depois de entender que os sintomas realmente estavam se agravando. Alguns dos sintomas eram tosse, febre, falta de ar e moleza no corpo. Esses sintomas variam de pessoa para pessoas, mas no caso dele eram esses.

Confesso que eu já estava bem brava nesse momento, porque eu já sabia que as coisas não estavam bem, e ele continuou em casa sem ao menos ir ao médico, como se nada estivesse acontecendo…

Quando já eram quase 18h, soubemos por uma ligação que o meu padrasto já estava em isolamento em um quarto de hospital. Ainda sem o resultado, ficamos apreensivos, porém positivos. Como eu disse, nada de ruim poderia acontecer na minha casa. Lembro que nesse momento a minha ansiedade já havia atacado, eu já não estava mais pensando em nada, estava muito preocupada e ainda sem notícias.

Umas oito horas da noite, meu padrasto ligou para a minha mãe e deu a notícia de que ele já havia feito o exame e tinha que esperar, isolado, dentro do quarto de hospital, e que o resultado só iria sair em dois dias. Nessa altura eu e minha família estávamos esperançosos de que era apenas uma sinusite e que por precaução ele estava lá isolado.

Depois de longos dois dias o resultado chegou, e a melhor notícia era que deu negativo. Nossa… que alívio, mas ele ainda teria que ficar internado por conta de uma pneumonia, nada muito grave, mas ainda assim melhor do que o corona. A paz e a felicidade reinaram na minha casa, foi realmente um alívio. Mas como diz o ditado “felicidade de pobre dura pouco”. Os médicos decidiram que o meu padrasto tinha que fazer uma contra prova — um novo exame para ter certeza de que ele não estava com coronavírus. Com um novo resultado, foi provado ele estava, sim, com a doença.

Lembro muito bem da sensação quando minha mãe nos contou do resultado. Era um misto de sentimentos, raiva, tristeza, preocupação, angústia, tudo em uma pessoa só, parecia que eu ia explodir a qualquer momento. Ele teria que ficar mais um tempo internado, por conta da pneumonia, que durou uma semana.

 

 Esses foram alguns dos cuidados que tivemos que ter nesses dias em casa

Separar os utensílios foi um dos cuidados que tivemos que ter nesses dias em casa

Retorno para casa

No dia 6 de abril, ele chegou em casa. Quando ele abriu a porta eu, minha mãe, meu irmão e minha cachorra fomos direto para o quarto do meu irmão com o coração na boca de nervoso. Ele entrou no quarto e só saia de lá para ir ao banheiro, isso por mais sete dias. Fiquei muito mal, pedia para minha mãe para que ele saísse de casa, estava completamente revoltada com a situação, pois sabia que tudo isso era irresponsabilidade dele.

Minha ansiedade não me deixava fazer nada, eu fiquei paralisada por sete dias. Cada ida ao banheiro era um acontecimento, pois logo após ninguém podia entrar, tinha que limpar tudo com água sanitária. Minha mãe ficou responsável por cuidar dele, mas sempre com máscaras, luvas e muito álcool em gel. Ela dormia na sala, estava muito cansada de toda essa situação, por isso eu estava mais preocupada com ela do que com ele, na verdade.

Alguns cuidados como separação de utensílios domésticos, como talheres, prato, toalhas e até sabonetes e pasta de dentes, foram necessários para a segurança de todos nós aqui de casa. São recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde). Então a rotina da minha casa mudou completamente.

 

Tivemos que ficar separados do meu padrasto, não podíamos nem nos comunicar

Tivemos que ficar separados do meu padrasto, não podíamos nem nos comunicar

Ficamos nessa situação até o dia 14 de abril, que foi quando ele fez um novo exame. O resultado saiu dois dias depois, deu negativo. Ufa, graças a Deus, parece que saiu uma energia muito pesada da minha casa, mas tivemos que esperar mais alguns dias para “voltar ao normal”. Nessa altura eu já estava bem melhor, voltei a fazer as minhas atividades do dia a dia, voltei a ficar mais esperançosa.

Mas não desejo nada disso a ninguém, por isso cuidem-se, quem puder ficar em casa, fique, não dê mole. Se você acredita que essa doença não chega na sua casa, então continue se conscientizando. Pense nos outros, não apenas em você, o mundo é muito maior que o seu umbigo.

* Este texto é de inteira  responsabilidade do autor/autora e sua opinião não representa a do Portal de Jornalismo Iesb

 

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