Educação

Ensino a distância durante pandemia pode prejudicar alunos da rede pública

Escolas públicas e privadas têm enormes diferenças no ensino a distância durante a pandemia

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Com a proibição das aulas presenciais em todo o Distrito Federal, escolas, universidades, faculdades, alunos, professores e outros profissionais envolvidos no processo educacional foram obrigados a se adaptar ao que o período de quarentena exige.

Aulas gravadas, videoconferência, e trabalho acadêmicos enviados por e-mails são alguns dos exemplos. Alunos e professores tiveram que se unir para, alinhados, conseguirem manter o cronograma e não perder o semestre letivo.

A maioria das escolas da rede privada de ensino do Distrito Federal manteve o cronograma com aulas e atividades a distância. Já os alunos da rede pública aguardam decisão do governo para o retorno. Com isso, ao final do ano, haverá enorme diferença na qualidade de ensino entre as duas modalidades, visto que a quantidade de horas de aulas lecionadas será distinta.

Para a professora Bianca Kawashima, a Secretaria de Educação do Distrito Federal já deveria ter desenvolvido algum projeto de ensino a distância. “Se houvesse pelo menos um programa de ensino a distância, ele poderia ser amplamente usado neste momento de pandemia”, relata.

Porém, a professora ainda lembra que a maioria de seus alunos não têm acesso à rede mundial de computadores. “Grande parte dos meus alunos, com idades entre 10 e 12 anos, não têm sequer um computador conectado à internet em casa. Isso dificultaria, ainda mais, a implantação de um sistema de aulas virtuais”, afirma a profissional de educação.

Contudo, a realidade nas escolas privadas é completamente diferente. A maioria delas já trabalhava com alguma ferramenta de ensino a distância, que complementava as aulas presenciais.

Plataformas como o Moodle, o Blackboard e o Aprender já eram conhecidas dos estudantes das escolas particulares. Isso facilitou o acesso aos conteúdos que, agora, precisam ser ministrados integralmente por meios virtuais.

Na escola em que trabalha a professora Beatriz Marques, os alunos já estavam habituados a utilizar tablets e outras ferramentas tecnológicas em sala de aula. “Trabalho em uma escola com alunos muito privilegiados. Todos eles têm computadores em casa”, afirma.

Segundo Beatriz, os professores fizeram treinamentos nas duas primeiras semanas de quarentena para poderem aprimorar os conteúdos e alinhar o ensino a distância de modo que os alunos não se sentissem prejudicados.

“Nós estamos ministrando aulas on-line e dando o feedback das atividades para os alunos. Eles não terão prejuízos no ensino durante esse período em que o mais importante é cuidar da saúde”, conta a professora.

Muitos pais e responsáveis por estudantes da rede pública estão preocupados com a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM 2020). A prova ainda não sofreu alteração no calendário e permanece confirmada para os dias 1º e 8 de novembro deste ano.

É o que preocupa a professora Ludmila Ataídes. Ela diz que alguns pais de seus alunos a procuraram para saber se ainda será possível recuperar os dois primeiros bimestres do ano letivo.

Segundo Ludmila, os professores ainda não obtiveram nenhuma resposta por parte da Secretaria de Educação. “Nós, professores de escolas públicas, estamos tão apreensivos quanto os pais. Não sabemos quais decisões serão tomadas neste período tão difícil para todos”, relata a educadora.

Segundo decreto do Governo do Distrito Federal (GDF), pelo menos até o dia 31 de maio, as aulas continuam interrompidas. E, até lá, as diferenças nos ensinos público e privado continuam afetando a vida e o futuro e milhares de crianças e adolescentes de todo o D.F.

O que diz o GDF 

Segundo o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em entrevista ao jornal DF1, da Rede Globo, a prioridade agora é salvar vidas. Ele afirma que as escolas públicas não têm condição alguma para a reabertura. Também confirmou que as escolas particulares que conseguirem prosseguir com as atividades remotamente podem e devem continuar até que a pandemia do novo coronavírus seja controlada e as aulas presenciais sejam reestabelecidas.

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