Cultura

Respeitável público, o circo pede socorro!

Os circos da capital federal enfrentam, mais do que nunca, dificuldades para se manter

Quem diria que um dia o lugar de tanta alegria fome passaria. A rima revela: assim como tantas famílias brasileiras nesse momento de pandemia, famílias circenses também estão passando necessidade. Logo eles, tão acostumados a fazer sorrir, a reunir e a brincar com gente de todo jeito, de toda idade, de toda crença, agora mal conseguem sustentar a si próprios.

O picadeiro nunca foi tão saudoso e nunca esteve tão vazio, o colorido tem enfrentado dias cinzas. O dia do circo, comemorado em 27 de março, não teve espetáculo. Quem antes vivia do aglomerado, agora precisa estar isolado.

 

Palhaço triste / Foto: Júlio Benedito. Agência Brasília

Palhaço triste / Foto: Júlio Benedito. Agência Brasília

Já faz dois meses que os circos da capital federal não podem abrir as portas e ter apresentações. Da mesma maneira que o comércio se mantém por meio das vendas, os circos também vivem – ou sobrevivem – graças à venda de ingressos para os espetáculos.

Além de tudo, os circos são formados por grandes famílias. Quase sempre, a tradição é passada de geração em geração. Foi o que declarou a trapezista Juliana Portugal, do Circo Real Português, localizado em Taguatinga, ao portal Metrópoles: “O circo é casa e trabalho de 10 famílias. Somos 38 pessoas, sendo sete idosos com idades acima de 65 anos e nove crianças”.

E eles estão passando por necessidades. Os mantimentos foram se esgotando ao longo dos dias sem renda. Tiveram que contar com a ajuda de doações de cestas básicas vindas de moradores da região. Os mesmos que, talvez um dia, levaram seus filhos, netos, irmãos, ou toda a família para se divertir.

Circo Real Português, localizado em Taguatinga / Reprodução do Facebook

Circo Real Português, localizado em Taguatinga / Reprodução do Facebook

É o que acontece com outro circo do Distrito Federal, o Circo Vitória, localizado no Guará. Nele, vivem e trabalham 14 adultos, além de quatro crianças e dois idosos. Também estão dependendo de doações. Inclusive, uniram-se à comunidade local para arrecadar alimentos não só para eles, mas para outras pessoas e circos que estejam precisando.

Vitória, o nome já diz. A força de vontade dos integrantes do circo para vencer esse momento difícil é grande. Eles querem, tal como todos nós, que as coisas voltem ao normal. Que a pandemia acabe e os tempos difíceis fiquem para trás. Mas é preciso enfrentar as dificuldades, manter-se fortes e unidos.

Agora, os circos e a comunidade estão se esforçando e se ajudando para ter o que comer. Mas, muito em breve, espera-se que o esforço dos trapezistas, malabaristas, acrobatas e outros artistas circenses, seja apenas na hora de realizar seus números. Daí, cabe a nós, respeitável público, torcer pelo retorno da normalidade num futuro próximo, para que, então, possamos prestigiar as delícias e alegrias que o picadeiro tem a oferecer.

 

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