Comportamento

Sonho interrompido: pandemia afeta vida de brasileiros nos EUA

Durante a pandemia, brasileiros ficam “presos” nos Estados Unidos e convivem com a incerteza de volta ao país natal

O sonho de morar fora, aprender uma nova língua, conhecer novos costumes e se testar em meio a um país completamente diferente fazem parte dos objetivos de muitos brasileiros que deixam tudo para trás no Brasil para conseguirem realizar seus sonhos.

No entanto, quem foi em busca do sonho no primeiro semestre de 2020 se deparou com uma grande pedra no caminho: a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Com isso, várias pessoas não conseguiram completar as atividades de que foram em busca, seja trabalho, estudos ou turismo.

De acordo com números divulgados pelo Itamaraty, no último dia 30 de abril, cerca de sete mil brasileiros estão espalhados pelo mundo e na busca por retorno para casa. Com o isolamento e espaços aéreos fechados, muitos deles tiveram seus voos cancelados e tentam recorrer ao órgão para conseguir o retorno.

O estudante-atleta Gabriel Dias foi um destes brasileiros que teve o sonho “freado” por conta da pandemia. Morando nos Estados Unidos desde julho de 2019, após conseguir uma bolsa de estudos para estudar e jogar futebol em uma Community College no estado de Iowa, Dias sofreu uma lesão que o deixou longe dos gramados assim que chegou ao país e, quando se recuperou, não pôde jogar por conta da pandemia.

“Foi um atraso absurdo. Era um momento crucial, porque eu já estava fazendo fisioterapia, ia ter uma nova consulta para saber como estava, mas foi cancelada porque o hospital não estava recebendo gente. Era um dos motivos de querer voltar ao Brasil logo, porque ia poder cuidar melhor, mas agora estou preso no meio dessas incertezas”, desabafa Dias.

O estudante-atleta – como se referem aos contratados nas faculdades por causa dos esportes – se preparava para o retorno ao Brasil no último dia 5 de maio, mas cerca de duas semanas atrás recebeu um comunicado da companhia aérea informando que todos os voos com o destino estavam cancelados durante todo o mês de maio.

“Eu estava me preparando para voltar para o Brasil já e cancelaram os voos e afirmaram que só poderiam marcar para depois de 3 de junho. Mas se Deus quiser dessa vez vai dar certo e eu vou poder matar a saudade da família e continuar a minha recuperação no Brasil”, afirma Gabriel.

Por fim, Dias contou um pouco da experiência da quarentena nos EUA. Ele relatou, que em Marshalltown, onde mora, não foi decretada quarentena obrigatória, mas os locais com muita aglomeração foram fechados, o uso de máscaras foi recomendado e o comércio funciona com limite de pessoas. Em Iowa, aproximadamente 11 mil pessoas testaram positivo para o vírus e cerca de 230 morreram.

Ansiedade

Do outro lado dos Estados Unidos, na Califórnia, Lucas Gules viu os estudos com o mercado financeiro serem atrapalhados por conta da pandemia e as noites de sono tiradas, por conta de uma ansiedade que se agravou com o período de crise e a saudade da família.

“A questão psicológica de ficar nessa situação e ainda longe de casa é complicada. Acabei tendo um pouco de problema com ansiedade, porque já estamos envoltos nisso tudo e ainda estou em outra cultura, outra rotina. Somado ainda que, aqui tudo ligado a saúde é muito caro, o que me deixou muito preocupado”, explica Lucas.

Ele relata que em um momento das crises, sentiu falta de ar e considerou inclusive estar contaminado com o coronavírus e ficou ainda mais preocupado com os custos ligados ao hospital. “Paguei pela consulta, de cerca de 300 dólares para saber se podia fazer o exame. Felizmente ele deu negativo, mas o médico constatou as crises de ansiedade”, conta Gules.

O brasiliense chegou no condado de Novato, na Califórnia, na primeira quinzena de janeiro, com previsão de retorno para julho. Ele conta que em pouco mais de dois meses lá, o primeiro caso no estado foi confirmado e o governador declarou estado de shelter in place, que é basicamente a quarentena aplicada no Brasil.

Hoje ele convive com a incerteza de voltar ao Brasil na data planejada. Com os voos sendo cancelados diariamente, ele disse que já não sabe mais se vai conseguir voltar em julho. O estado da Califórnia conta com pouco mais de 66 mil casos e 2 mil mortes.

 

 

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