Comportamento

Dia das mães foi reinventado e relembrado de diferentes formas

Apesar das medidas de isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus, o dia das mães não foi esquecido e serve de reflexão do que é ser mãe e o que é idealizado pela sociedade

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O dia das mães é comemorado anualmente no segundo domingo do mês de maio. Devido a pandemia do novo coronavírus a data foi comemorada e repensada de diferentes formas. Em vez do almoço de domingo, e os abraços, as famílias apostaram em chamadas de vídeo para homenagear as mamães. Ser mãe é uma dádiva. Além de ter que lidar com a maternidade, o papel da mulher e da mãe sempre é contestado e idealizado.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, o Distrito Federal é o segundo estado com maior diferença salarial entre homens e mulheres do país. As mulheres ganham 27% a menos que os homens. O salário médio das mulheres foi de R$3.204 e dos homens é de R$4.392, a remuneração é de 1,4 vezes maior que a das mulheres.

Na opinião do antropólogo, Cláudio Ferreira, desde os anos 60, com os avanços dos estudos culturais da emancipação e da entrada da mulher no mercado de trabalho, as conquistas vão se legitimando. “No Brasil, por mais que a mulher avance no mercado de trabalho, ainda sim é cobrado aquele papel da mulher historicamente passiva, que fica servindo o marido’’.

Idealizando o papel

A palavra “idealizado’’ significa um teor ideal, perfeito, a idealização de muitos personagens ou de uma figura específica. Muitas das vezes temos em mente o papel da mãe como aquela figura materna, dona de casa que cuida do marido e das obrigações diárias, idealizando assim o papel da mulher como mãe e do que é esperado.

O antropólogo explica que esses papéis são uma invenção das tradições: ‘’ Essa tradição é criada e inventada, então o papel da mulher como progenitora acaba sendo uma constatação de uma imagem idealizada dessa mãe que cuida da prole, que serve o marido, que organiza a vida feliz dessa família’’.

“Eu acho, sim, que é idealizado, pensam que a mulher tem que cuidar da criança, da casa, dar conta de coisas que na verdade ela não quer. Algumas ideias são enraizadas na sociedade sobre a maternidade, que a mãe precisa viver apenas pro filho. Ainda temos vontade de nos arrumar, de sair, de ter um tempo só com nosso companheiro e não temos que nos culpar por isso porque ainda amamos nossos filhos acima de tudo’’, relata Amanda Wang, mãe da Maria Julia de 5 meses.

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”Ser mãe pra mim é ter um pedaço do meu coração fora de mim, um amor que não tem tamanho”, conta Amanda Wang  Foto:arquivo pessoal

Alana Silva, mãe da Ayla de 1 ano e 10 meses, conta que o papel da mãe é muito idealizado e cobrado na sociedade. “Existe uma linha muito tênue entre você ser julgada por se sacrificar pelo seu filho, onde é visto o papel de mulher que esqueceu de si mesma e que vive pelos filhos e daquela mãe irresponsável que ainda não acordou que virou mãe, na minha opinião isso não existe’’.

Dados levantados pelo IBGE mostram que uma a cada três famílias com filhos no DF é composta por mulheres que criam os filhos sozinhas. O DF é o maior índice do Brasil com 31,6%, seguido do Rio de Janeiro com 31,2%.

O antropólogo Cláudio explica que o conceito de família e a sua estrutura são transformados diariamente: ‘’ Hoje vemos as mudanças com a entrada da mulher no mercado de trabalho, a vida urbana precisa de mais dinheiro e foi sendo notório que só o salário do marido não dava mais. Isso não é só transformado nas classes médias,vemos costureiras e empregadas domésticas sustentando suas casas e seus maridos. Essa mudança estrutural muda dentro do pensamento, mas isso ainda é muito recente’’.

Amor de mãe

O amor de mãe se ressignifica a cada momento, a cada sentimento, a cada etapa. Athalita Ramos é mãe do Mateus de 6 meses, conta que ser mãe é uma junção de sentimentos: “Ser mãe para mim é a materialização do amor em sua maior grandeza, e doação de cuidado.  É um laço que não se rompe e não se acaba , é eterno e para sempre’’.

Alana Silva diz que ser mãe é se reinventar: “É estar pronta pra qualquer situação, é me desdobrar em duas, ser forte para aguentar a minha rotina pesada e para contra-argumentar críticas infundadas, é saber que eu tenho liberdade pra sair do rótulo criado de mãe. Ser mãe pra mim é me olhar no espelho e me sentir ansiosa para mostrar do mais comum ao mais diverso para minha filha e o mais importante é ensinar e aprender’’.

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”A minha gravidez foi uma surpresa, tinha várias expectativas para o meu futuro. Hoje vejo que é diferente, só exige mais um pouquinho de empenho e perseverança”, conta Alana Silva                                      Foto: arquivo pessoal

Comemoração virtual

A comemoração dos dias das mães este ano foi atípica com relação aos anos anteriores. Famílias investiram e renovaram o modo de comemorar em tempos de isolamento social.

Amanda Wang conta que o seu primeiro dias das mães foi especial: ‘’ Minha expectativa era pelo menos passar esse dia ao ar livre em um parque, mas teremos que esperar essa quarentena acabar. Passei o dia ligando por FaceTime para a minha mãe e para a minha sogra, foi simbólico e significativo’’.

‘”O dia das mães foi uma ressignificação ao nível máximo, tô com o meu filho saudável, não tem felicidade maior. Apesar que não possamos sair existe uma conectividade e um amor indescritíveis ’’, relata a Athalita Ramos.

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Athalita Ramos relata que a maternidade é um laço que não se rompe, é eterno e para sempre                                Foto: arquivo pessoal

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