Economia

Mulheres empreendedoras trocam dicas de como se reinventar durante pandemia

As microempresas e o setor do comércio estão entre um dos mais afetados pela pandemia do novo coronavírus, segundo Sebrae

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Em decorrência do isolamento social e do estado de calamidade provocados pela covid-19, todos os setores da economia foram afetados. O país, que já enfrentava uma crise econômica, passou também a lutar contra os impactos da pandemia nas áreas como o turismo, infraestrutura, ciência e comunicação, agricultura, administração pública, saúde, cultura, comércio, e por consequência, o trabalho dos brasileiros.

Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), 89% dos negócios enfrentam uma queda no faturamento. Desde o início da pandemia, o período de quarentena marcou um dos fatores que prejudicou ainda mais a população que atua com as microempresas e que também depende do comércio local como principal fonte de renda. Em sua maioria, as mulheres que trabalham com o comércio são as mais afetadas economicamente por conta dos fatores advindos do novo coronavírus.

Jennyfer Martins tem 19 anos. Atualmente trabalha em conjunto com a mãe Cleide Martins em um sacolão de frutas, verduras e legumes, localizado na cidade de Jardim Ingá, município do estado de Goiás. Entre seus maiores desafios, as autônomas citam que conquistar os clientes, mesmo neste período, tem sido uma das grandes dificuldades.

“Neste período, o dinheiro virou um luxo. As pessoas pensam onde devem ou não comprar, se é realmente essencial. O medo de faltar também se tornou um fator preocupante. Nós investimos 5 mil pagar e fazer compras, tudo nosso é pago à vista e, às vezes, a nossa perda também é grande” – lamenta Jennyfer.

Outra pesquisa, também realizada pelo Sebrae, informa que 36% dos empreendedores afirmam que diante do cenário atual será preciso fechar os negócios permanentemente. Em caso das medidas de restrição do funcionamento perdurem por mais tempo, a situação se torna ainda mais desesperadora para quem é autônomo, ou seja, não tem um salário fixo.

Natália Sodré, empreendedora autônoma no mercado a dois anos, conta que precisou de muito jogo de cintura para se adaptar a realidade em tempos de pandemia || (Foto/reprodução: Lia Sodré)

Natália Sodré, empreendedora autônoma no mercado há dois anos, conta que precisou de muito jogo de cintura para se adaptar à realidade em tempos de pandemia || (Foto/reprodução: Lia Sodré)

Natália Sodré é outro exemplo de empreendedora. Atua como fotógrafa no mercado e, hoje, é proprietária do estúdio de fotografia e agência de filmagem Sublime. Segundo ela, a pandemia foi uma surpresa que ocasionou uma série de mudanças em seu negócio.

“Fui pega de surpresa, a pandemia cancelou toda minha agenda de eventos, como casamentos, aniversários e chás. Hoje, estou trabalhando com uma agenda reduzida, sempre com ensaios ao ar livre, mas tomando todas as medidas de recomendação das autoridades” – ela cita.

Mesmo em meio aos desafios, a fotógrafa mostra que conseguiu se adaptar ao novo cotidiano. Ela ainda informa que o período de readaptação foi bem difícil, mas necessitou de muita paciência, também um jogo de cintura.

“Um investimento que fiz foi me adaptar à situação. Neste caso, busquei criar conteúdo para manter minhas páginas nas redes sociais sempre atualizadas, mesmo fazendo tudo de casa. Houve um retorno financeiro que pude notar, alcancei mais clientes e uma agenda lotada para o pós-pandemia” – comemora a empreendedora.

Desafios

Com uma expressiva queda nas vendas em decorrência do isolamento social, os dados também afirmam que 54% dos empreendedores terão que recorrer a empréstimos para manter o seu negócio em funcionamento sem a dispensa de funcionários. Além do mais, a crise inviabilizou o funcionamento dos bares, shoppings, fechou escolas e faculdades, academias, lojas, também cancelou eventos e viagens.

A empreendedora Juliana Amâncio revela que as dificuldades no contexto de pandemia ainda são muitas para aqueles que não tem um salário fixo || (Foto/reprodução:  Juliana Amâncio)

A empreendedora Juliana Amâncio revela que as dificuldades no contexto de pandemia ainda são muitas para aqueles que não tem um salário fixo || (Foto/reprodução: Juliana Amâncio)

Juliana Amâncio tem 36 anos, é autônoma e trabalha como artesã. Durante o período de quarentena, a empreendedora conta que faz de tudo para não se manter parada e mesmo com a dificuldade de realizar vendas neste período, prefere optar por produzir em casa e esperar pela volta dos eventos.

“Neste período os clientes diminuíram bastante, além disso, aos fins de semana eu trabalho na feira de artesanato ao lado da Torre de TV. Mesmo antes da pandemia, o movimento já era bastante fraco, agora, meu objetivo é produzir em casa e quando tudo voltar ao normal, pretendo levar os produtos até os clientes” – afirma a artesã.

Iniciativas

Nos últimos tempos, os profissionais que garantem a própria renda, por todo produto que oferecem, tiveram que buscar soluções para minimizar os impactos do isolamento. Uyara Braga tem 33 anos e atua como Microempreendedora Individual (MEI), também é proprietária do estúdio de beleza “Toda Linda”, localizado na cidade de Valparaíso de Goiás. A empreendedora cita que o início da pandemia foi um grande susto tanto para ela, quanto para toda a classe dos trabalhadores autônomos.

“No primeiro momento foi tudo um susto, nos disseram para fechar as portas, a maior recomendação das autoridades era fechar o comércio. A partir disso, quando você tem um negócio e é preciso fechar as portas, o dinheiro não entra” – ela lamenta.

A empreendedora também conta que mesmo com os desafios, uma das formas que utilizou para reverter os gastos com o fechamento do comércio foram os vouchers promocionais. Funcionam como uma espécie de compra adiantada onde o cliente paga metade na hora da compra e a outra metade quando realizar o procedimento.

“Uma das primeiras ideias que tive foi a de criar vouchers promocionais onde elaborávamos uma promoção, por exemplo, um pacote de mechas que tinha um determinado valor, nós dávamos um desconto promocional neste voucher. Os procedimentos poderiam ser marcados e realizados até março de 2021” – explica.

Uyara Braga, proprietária do salão de beleza "Toda Linda" também é um dos exemplos de profissionais que sempre mantém suas redes sociais sempre atualizadas como forma de atrair o público || (Foto/reprodução: Uyara Braga)

Uyara Braga, proprietária de um salão de beleza é m é um dos exemplos de profissionais que mantêm suas redes sociais sempre atualizadas como forma de atrair o público || (Foto/reprodução: Uyara Braga)

Além do mais, os vouchers não são apenas o único método que estes profissionais se utilizam. Nos últimos dias as divulgações nas redes sociais têm mantido um aumento significativo, desde os serviços de dellivery até a divulgação em compras locais.

O Instagram é um exemplo das redes sociais que tem contribuído efetivamente para que isso aconteça. Recentemente a plataforma divulgou uma série de medidas em apoio às microempresas. Entre os serviços oferecidos estão as ferramentas de dellivery, que funcionam com a finalidade do cliente realizar pedidos online em parceria com as empresas Happi, Ifood e a Uber Eats. Também adicionou o serviço de divulgação na compra local, onde através deste recurso os clientes ou proprietários de pequenas empresas podem compartilhar entre si, serviços e produtos como a fotografia, maquiagem, personal trainer, vestuário e salões de beleza.  Todos se uniram em busca de soluções para estes trabalhadores.

Em meio ao cenário de pandemia que gera incertezas e desafios, a solução está em não desistir. Kauanne Vieira tem 21 anos e trabalha como confeiteira autônoma juntamente com seu esposo. Durante o ano, a microempreendedora investe nas datas comemorativas para aumentar seu faturamento, que com os efeitos da pandemia, tem diminuído drasticamente.

A autônoma Kauanne Vieira investe na decoração e nas datas comemorativas como forma de aumentar o seu faturamento || (Foto: Alexia Oliveira)

A autônoma Kauanne Vieira investe na decoração e nas datas comemorativas como forma de aumentar o seu faturamento || (Foto: Alexia Oliveira)

“Acho que um dos meus maiores faturamentos durante o ano, foi no período da páscoa. Vendemos bastante, mas não tanto quanto esperávamos. Para não desistir, acredito que devemos aguentar firme. Acreditamos que uma hora tudo vai se estabilizar, sei que não tem sido fácil para nenhum de nós com tantas contas que não esperam, mas acreditem, esta é a hora de sermos fortes” – aconselha.

O governo federal também preparou um auxílio através de voucher para as pequenas empresas, autônomos ou pessoas de baixa renda, intitulado como auxílio emergencial ou coronavoucher. É solicitado por meio do aplicativo Auxílio Emergencial que assegura os empreendedores com valores de 200 até 1200 reais. De início, a medida pode perdurar em até 3 meses e o benefício pode ter o pagamento em 3 parcelas.

Impactos na economia

Segundo dados da revista Exame, em apenas 2 meses o novo coronavírus impactou o Produto Interno Bruto (PIB) em uma média com valor de 7,7% neste ano. Também aumentou o valor do dólar em quase R$ 6,15 reais.  Em um estudo divulgado pelo Banco Asiático de Desenvolvimento (ABD), afirma-se que os custos globais da pandemia podem chegar a uma estimativa de US$ 8,8 trilhões dependendo da evolução do surto. O valor é equivalente a 10% do PIB global.

Os dados mostram um dos cenários mais alarmantes desde o início da pandemia. A população tem tentado se adaptar da melhor forma, mas em contrapartida, ainda é impossível mensurar como será a recuperação de todo o dano causado.

Em decorrência disso, o Sebrae também contribuiu com orientações de como manter os negócios em funcionamento, no intuito de ajudar aqueles que precisam se recuperar dos efeitos da pandemia. O site do Sebrae reúne dicas e informações sobre empresários de todo o Brasil e do mundo. Funciona como um SAC exclusivo para ajudar os donos dos pequenos negócios. E além do mais, também oferece cursos online gratuitos para que juntos os empreendedores e autônomos possam fortalecer os seus negócios em meio ao contexto de crise.

 

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