Economia

Reflexo da pandemia do novo coronavírus na economia já é visível

A dívida pública poderá atingir 84,9% do PIB, em 2020, mas sem a venda de reservas subiria para 87,9%

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, o que se viu foi uma verdadeira guerra envolvendo políticos, empresários, profissionais de saúde e a população. O tema da polarização da vez é: “saúde e economia”, apesar de a duas coisas coexistirem e não serem motivos de uma escolha em detrimento da outra, o assunto veio à tona quando as primeiras medidas restritivas foram tomadas nos estados e no Distrito Federal em março.

O Brasil está entre os países com a situação mais preocupante quanto à pandemia do novo coronavírus, com mais de 241 mil casos e mais de 16.000 mortes, até 18/05. O sistema de saúde do Brasil, que é um dos melhores da América Latina, está sentido pressão, principalmente em áreas onde a capacidade dos serviços de saúde é mais fraca como o Norte e Nordeste.

Impactos já podem ser observados na economia

Impactos já podem ser observados na economia

De acordo com o Relatório de Acompanhamento Fiscal da Instituição Fiscal Independente, do Senado, liberado em abril, o impacto do coronavírus sobre o ambiente econômico, ainda que de difícil mensuração, está condicionado à duração das medidas de distanciamento social e da maneira como a pandemia afetará as atividades produtivas no país e no resto do mundo.

Nesse primeiro momento, espera-se que a crise atual produza efeitos permanentes sobre o cenário econômico, que poderão, por outro lado, ser atenuados pela efetividade das medidas de política econômica anunciadas até o momento e pela capacidade de recuperação da economia mundial. No cenário base, otimista e pessimista, a variação real do PIB em 2020 é estimada em -2,2%, 0,5% e -5,2%, respectivamente.

A dívida pública poderá atingir 84,9% do PIB, em 2020, mas sem a venda de reservas subiria para 87,9% do PIB. A partir de 2021, a evolução da dívida pública bruta dependerá da reversão das medidas expansionistas adotadas ao longo do período de combate ao coronavírus. A piora do déficit primário para além de 2020 poderia ser evitada adotando-se agenda de contenção do gasto obrigatório a partir de 2021.

​Para manter a oferta de crédito e minimizar impactos da Covid-19 na economia, o Banco Central editou medida que diminui, temporariamente, o requerimento de capital para operações de crédito destinadas a pequenas e médias empresas. Também possibilitou que as instituições financeiras (IFs) mantenham as operações renegociadas na classificação de risco em que estavam em fevereiro de 2020, antes do agravamento da crise, diminuindo a necessidade de provisão para perdas. As medidas foram editadas no dia 14 de abril.

“O Banco Central monitora constantemente os níveis de liquidez e de capital no Brasil. Considero prudente antecipar medidas que permitam às instituições do Sistema Financeiro Nacional manter a oferta de crédito ao setor real e, assim, minimizar os potenciais impactos da Covid-19 na atividade econômica”, afirmou o diretor de Regulação, Otávio Damaso.

Renan Silva, economista da BlueMetrix Ativos, percebe que o mercado teve um fluxo de entrada em meados do mês de abril e maio, porém, o atual cenário é de volatilidade e muita incerteza. “As empresas foram parcialmente afetadas, se os balanços de março já estão vindo negativos, em junho, a situação pode ficar bem difícil. A recessão pode ser mais dura do que imaginamos”, afirma o economista.

Para Silva, o cenário é confuso, e a bolsa perde força por conta da Covid-19. “Lá atrás havia uma esperança em algum remédio ou vacina de uma forma inusitada porém, percebemos que não há solução rápida e nem fácil pro vírus.”

Ele destaca que o cenário de aversão ao risco continua. “O risco Brasil já atingiu 500 pontos então nós fomos de 200 para 500 pontos, que foi a pontuação que atingimos no ápice da recessão pré-impeachment.” O economista finaliza falando que o movimento em termos gerais é, de certa forma, precipitado e que o mercado ainda vai ver muita turbulência.

Inflação

Para este ano, no entanto, já há quem fale em queda de 10% no PIB

Para este ano, já há quem fale em queda de 10% no PIB

A economia parada também se reflete na inflação. Em abril, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) registrou queda de 0,31%, a maior deflação desde agosto de 1998. O problema maior, no caso brasileiro, é que a economia ainda lutava para se recuperar de uma recessão que deixou estragos profundos. Na crise que se estendeu de 2014 a 2016, o PIB brasileiro caiu cerca de 7%.

Para este ano, no entanto, já há quem fale em queda de 10%, com os gastos públicos para combater os efeitos da doença fazendo a dívida pública atingir níveis alarmantes. O caminho de volta deve ser longo e trabalhoso. Alex Agostini, analista da Austin Rating, prevê uma queda mais moderada, de 4,3%. “Antes da pandemia, todo mundo estava olhando para 2020 como um grande elo de oportunidades de recuperação porque o Brasil estava no caminho do ajuste fiscal.”

“Aprovaram a reforma da previdência e tinha essa expectativa de retomada, Paulo Guedes estava à todo vapor em relação a aprovação da PEC da liberdade econômica. Eu mesmo não achava que não iria ser tão drástico”, afirmou o especialista. O analista afirmou que, no dia 27 de março, foram divulgadas as projeções e já nos últimos dias do mês, com os dados do final de março, foi comprometido o primeiro trimestre. “Alguns indicadores de produção mostram quedas fortes então tudo isso acelerou em um curto espaço de tempo.”

Para Agostini, “o Congresso e o Executivo tem que parar de brigar”. De acordo com o analista da Austin Rating, essas turbulências políticas afetam o crescimento do país. “Isso pode dar uma aliviada, o governo tem várias propostas como a reforma administrativa para o ano que vem.” Para ele, o pior cenário seria uma segunda onda da pandemia e aí mais um lockdown até o fim do ano. “Nesse momento a resposta em números é impensável, mas seria um cenário de depressão econômica.” De acordo com Agostini a situação pode piorar, mas não se sabe o quanto.

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