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Max Maciel: “Agora o que queremos é fazer um festival on-line”

Em entrevista ao Portal Jornalismo IESB, o produtor cultural contou a história do festival Elemento em Movimento e avaliou alternativas para eventos durante a pandemia

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Sem atividades desde 2018, ano em que foi realizada a sexta edição, o Elemento em Movimento previa um grande retorno para 2020. As divulgações nas redes sociais estavam fortes: “2020 já têm bons motivos para ser um ano potente, pois 8 e 9 de agosto tem Festival Elemento em Movimento. Produzido pela quebrada e feito para a quebrada, apostando no protagonismo da juventude e na ação coletiva como mecanismo de impacto social. Não queríamos dizer não, mas essa promete ser a melhor edição da nossa história”, dizia uma publicação de 27 de janeiro no perfil oficial do evento no Instagram.

Em entrevista ao Portal Jornalismo IESB, o produtor cultural do Distrito Federal Max Maciel, membro do coletivo Ruas, que está por trás do Elemento em Movimento e do Ruas Convida, diz que o evento está em stand-by até a situação se normalizar. “Por conta da pandemia os eventos estão parados, não sabemos o que fazer até o momento, porque realmente vamos seguir todas as orientações da Organização Mundial da Saúde”.

O governador do DF, Ibaneis Rocha, decretou que os eventos esportivos e culturais estão suspensos, desde 12 de março, sem previsão de volta. Por promoverem grandes aglomerações de público, shows e festivais são tidos como última opção na lista de retorno das atividades.

Como alternativa, artistas de todo mundo têm realizado shows on-line, por meio das redes sociais, nos quais conseguem diminuir a saudade do público e continuar trabalhando. As atividades em transmissões ao vivo pela internet são vistas com bons olhos por Max. “Agora o que queremos é fazer um festival on-line, saiu o edital, nos inscrevemos, estamos fazendo curso de formação, para, quem sabe, conseguir fazer um evento pela internet”.

Confira a entrevista:

Pode contar como foi a história do Elemento em Movimento? Quando foi realizada a primeira edição? Até hoje quantas edições já fizeram?

Começamos em 2008, na verdade, desde 2003. Em 1998 a gente organizava as escolas e em 2003 já fazíamos atividades. Sempre fizemos coisas separadas, basquete em um dia, skate no outro mês, festival de música em um outro momento, até que um parceiro nos disse “por que você não reúne tudo isso em um só lugar?”. Então em 2008 fizemos um evento de teste, um festival e foi um fiasco completo, achávamos que era só montar um palco e botar o pessoal pra cantar, mas não. Em 2010 começamos oficialmente o Elemento em Movimento, com esse nome e com as características que ele tem hoje. Estamos com seis edições e a sétima está em stand by por causa da pandemia.

Quais grandes atrações já passaram pelos palcos do Elemento?

A maioria do DF já passou. Gog, Viela 17, Câmbio Negro, Rapadura, Marcão Aborígene, Sobreviventes de Rua, Rebeca Realeza, Tribo da Periferia, Dj Donna. Nacional temos o Emicida, Ponto de Equilíbrio, Tribo de Jah, Mato Seco, Planta e Raiz, Baco Exu do Blues, Marechal, Rincon Sapiência, Detonautas, muita gente já passou.

Max Maciel no Festival Elemento em Movimento. Crédito: Cobertura Coletiva/DUCA

Max Maciel no Festival Elemento em Movimento. Crédito: Cobertura Colaborativa/DUCA

Percebeu alguma evolução desde a primeira edição até a última?

Com certeza. Como disse, no primeiro só metemos um palco e chamamos de festival. Hoje não, temos uma concepção de um festival, temos múltiplas áreas, desde um lounge para galera descansar até espaço para criança, local para fliperama, tenda, bar, área de alimentação e o palco para show. Então a pessoa enquanto espera o show, ela pode fazer tudo o que quiser, inclusive nada, mas ela fica no nosso evento. É o conceito de experiência do usuário, muito comum nos grandes festivais e nós fazemos isso. Com isso saímos de um número pífio nos primeiros, para 20 mil nos últimos.

Vocês planejavam realizar mais uma edição este ano. Como fica agora com a pandemia?

Nós tínhamos planejado pelo menos mais três eventos, eram duas edições do Ruas Convida e mais uma do Elemento em Movimento. Por conta da pandemia os eventos estão parados, não sabemos o que fazer até o momento, porque realmente vamos seguir todas as orientações da Organização Mundial da Saúde. Agora o que queremos é fazer um festival on-line, saiu o edital, nos inscrevemos, estamos fazendo curso de formação, para, quem sabe, conseguir fazer um evento pela internet.

Qual a importância de trazer um festival gratuito, com toda essa produção para quebrada? Traz um sentimento de que a gente pode fazer também?

A importância de ser gratuito é porque o festival não é uma festa. É um projeto que debate a descentralização do lazer e cultura, empoderamento dos territórios, ocupação dos espaços públicos, debatemos tudo isso, então o festival tem um conceito por trás muito forte. A importância de ser gratuito também é pela acessibilidade, todo mundo consegue ir nos determinados dias. As pessoas que vão lá conhecem e já fizeram alguns eventos inspirados no nosso, isso é muito gratificante. Se for pra deixar de ser gratuito não fazemos.

Quais as dificuldades e recompensas de produzir um evento para a quebrada?

As dificuldades vêm desde o início, hoje temos histórico e portfólio para mostrar que sabemos fazer. Mas o preconceito territorial é gigante, primeiro que estamos em um lugar violento (Ceilândia), essa é a real. A nossa missão é mudar esse panorama do mapa.

Quais as principais diferenças entre o Ruas Convida e o Elemento em Movimento?

O Elemento é um conceito e discute uma série de temas. É também um processo formativo, grande parte dos profissionais que trabalham no Elemento são formados por nós. Na parte de audiovisual, cenografia, produção de evento, roadie, são galeras que formamos nos nossos projetos educativos. O Ruas Convida é pago, mas com preço acessível, e é pago para trazer recursos para o Jovem de Expressão, mas tem essa característica de trazer bilheteria para o território.

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