Comportamento

Morar sozinho torna-se desafio para os idosos em isolamento social

Dados do IBGE trazem um número de 35.153 habitantes idosos com mais de 65 anos em moradias unipessoais

O isolamento social como medida de prevenção ao coronavírus tem mostrado a importância de valorizar a companhia de uma pessoa, assim como as antigas rotinas a que a sociedade costumava não dar tanta atenção. Entre os grupos que enfrentam os desafios de morar sozinho nesse período de isolamento os mais afetados são os idosos. Dados de 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que, no Distrito Federal, o número de idosos com mais de 65 anos em moradias unipessoais é de 35.153 habitantes.

Maria de Fátima Gomes, 66 anos, aposentada, conta que sempre morou sozinha. E agora nesse período de isolamento está com algumas dificuldades para realizar suas atividades, mas procura se organizar na medida do possível. Explica que está sempre recebendo ajuda da família quando precisa. Ela diz que a pior parte é estar se sentindo presa dentro de casa, pois possui ansiedade e tenta relaxar fazendo leitura e ligando para amigos.

A psicóloga Débora Rosa explica que nesse período alguns idosos tendem a querer demonstrar independência de seus familiares, mostrando que conseguem fazer tudo sozinho. Já os familiares tendem a sentir uma certa preocupação com os idosos da família, por serem mais “teimosos”, e quererem manter os hábitos anteriores. Para alguns ficar dentro de casa faz parte da rotina.

Segundo Débora Rosa, “para ajudar os familiares idosos que moram sozinhos a seguirem o isolamento da melhor forma, meu conselho é não tentar controlar tudo o que fazem”, completa explicando que dessa forma evita-se o estresse de ambos. Assim como acompanhá-los ao que for necessário de forma que lhes faça companhia também pode ajudar.

Segundo a Pesquisa Distrital Por Amostra de Domicílios (PDAD), feita pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), no ano de 2018, o Distrito Federal tinha uma população residente de 2.881.854 habitantes, distribuída em 883.437 domicílios. A Codeplan ainda não realizou uma nova pesquisa.

Foi feita uma distribuição para entender como essas pessoas estão organizadas dentro de seus domicílios. Dentre essa distribuição observou-se os seguintes dados: arranjo unipessoal (apenas uma pessoa) 11,5%; e outro perfil 9,5%. A pesquisa foi feita com base no rendimento médio de cada localidade.

Entre os desafios de morar sozinho nesse período de isolamento os mais afetados são os idosos

Entre os grupos que enfrentam os maiores desafios de morar sozinho nesse período de isolamento os mais afetados são os idosos

O antropólogo Cláudio Ferreira explica que, para a grande maioria das pessoas o isolamento social está afetando o consumismo. A necessidade de que o ser humano tem de estar em bares, eventos e shoppings está limitada. Para ele o que as pessoas necessitam nesse momento é rever os aspectos de consumo e sustentabilidade.

O momento agora, segundo Cláudio, é das famílias reverem as interações entre si, filhos que são acostumados a ficarem isolados dentro do quarto, no seu próprio mundo, precisam mudar os hábitos. Ele conta que: “as pessoas nos espaços estão cada vez mais isoladas. Esse vírus está dentro de uma ontologia do ser humano, uma forma de ver o tanto que as pessoas já estão sozinhas”, conclui.

Ferreira diz que espera para um mundo pós-pandemia uma noção de solidariedade e vida saudável vindo das pessoas, assim como uma ajuda mútua das pessoas para uma tentativa de pressionar o governo. Pois para ele, nada garante que no futuro o mundo não esteja à mercê de uma nova pandemia, então dessa forma as pessoas devem trabalhar um sistema coletivo diante da noção de fragilidade da vida humana.

O que diz a OMS

Em um anúncio para a imprensa, Michael Ryan, diretor do programa de emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS), chama atenção para que a quarentena não seja substituída por nada. Ressaltando que outras medidas de limpeza e saúde pública precisam ser mantidas por um longo tempo, como lavar as mãos com frequência.

Foram confirmados no mundo 4.170.424 casos de Covid-19 (81.577 novos em relação ao dia anterior), e 287.399 mortes (4.245 novas em relação ao dia anterior) até 13 de maio de 2020.

Segundo Pesquisa Distrital Por Amostra de Domicílios (PDAD), 11,5% das pessoas moram sozinhas

Segundo Pesquisa Distrital Por Amostra de Domicílios (PDAD), 11,5% das pessoas moram sozinhas

Amanda Beatriz Silva, 32 anos, conta que mora com a mãe que é idosa. Explica que sua rotina de trabalho não foi muito afetada, pois já fazia home office, é arquiteta e urbanista, e seu escritório fica em casa. Em sua rotina de trabalho o que foi alterado foi a visita aos clientes. Ela explica que tudo que pode ser feito a distância, está optando por fazê-lo. As visitas que costumavam ser semanais às obras passaram a ser de 15 em 15 dias.

A arquiteta cita que tem tomado bastante cuidado por ter uma mãe idosa dentro de casa. Ela conta que: “todos os produtos que são trazidos de fora são higienizados, as sacolas de mercado são lavadas com água e sabão”, conclui. Para Amanda essa pandemia tem mostrado o quanto ela sente falta das pessoas, e do contato com elas. Explica que tem momentos ansiosos em que tenta se distrair com serviços dentro de casa, mas que possui dias em que a ansiedade é mais forte do que em outros.

A psicóloga Débora Rosa aconselha as pessoas a se distraírem nesse período, quando não tiverem serviços de casa ou do trabalho que tirem um tempo consigo mesmo. Explica que é importante relaxar, seja lendo um livro, meditando, ou fazendo atividade física em casa. E chama atenção para sempre que for necessário buscarem ajuda de um profissional de psicologia.

Felipe Oliveira, 23 anos, técnico de laboratório, mora em uma república e divide a casa com mais 3 amigos. Ele explica que apesar de dividir a casa, só tem contato de fato com os outros moradores quando estão na cozinha. Explica que enxerga o isolamento social como algo necessário, e tenta manter a mínima interação com os amigos pela internet.

Segundo o jovem, antes da pandemia, e durante a semana, sua rotina e dos moradores da república não permitiam muito contato entre si. Agora estão na maior parte do tempo em casa, contudo mesmo que a interação na cozinha tenha aumentado passam mais tempo realizando tarefas pessoais.

Para Felipe sua maior preocupação é com os pais, pois são autônomos e estão sem renda nesse período. Cita que sempre que possível liga para eles, já que recentemente fez uma visita depois de um bom tempo de isolamento, e menciona que evita vê-los para garantir-lhes a saúde. Felipe diz que: “como trabalho na área científica e possuo um certo conhecimento, meus pais e minha irmã confiam em mim. Sei que estão seguindo as recomendações e posso orientá-los no que for preciso”, finaliza.

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