Saúde

Só quem vive com um guerreiro da pandemia sabe

O Brasil registrou 31,7 mil casos confirmados de profissionais de saúde com coronavírus

Chegar em casa à noite. Há dias que 22h, outros mais cedo. Antes de entrar em casa precisa passar álcool nos lugares em que encostou, tanto objetos da bolsa, quanto o carro. Higienizar as mãos e sapatos. Após isso tudo, assistir o filho de três anos, em prantos, querendo abraçá-la, mas a mãe não pode nem tocá-lo, nem confortá-lo. Depois, ir direto para o banho para tirar todo resquício de vírus que possa existir. Por fim, jantar e contar para a família o tanto que a situação da saúde brasileira está triste ou simplesmente se deitar e rezar para que isso acabe logo.

Presenciar as pessoas que você ama saírem de casa para trabalhar, durante a pandemia, é preocupante e chega a ser doloroso. Mas e se essa pessoa trabalhar na área da saúde? Pior ainda. Afinal, os guerreiros da pandemia não são os governantes e líderes, muito menos os ignorantes. São, sim, os profissionais de saúde.  Eles que estão lutando na linha de frente contra um vírus perigoso, ainda que invisível. Só conseguimos enxergar o mal que ele causa. Os milhares de doentes que afeta. As famílias que destrói. As diversas vítimas que ele fez, principalmente entre os profissionais de saúde.

De acordo com o jornal O Globo, o Brasil registrou 31,7 mil profissionais de saúde infectados pelo coronavírus. Os dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que cerca de 200 mil profissionais de saúde foram identificados como suspeitos de casos do vírus. Dos casos suspeitos, os técnicos ou auxiliares de enfermagem são os que mais são afetados, com 34,2%. Também, os enfermeiros (16,9%) e médicos (13,3%).

Com isso, os heróis da saúde estão em uma batalha arriscada, onde eles enfrentam um inimigo global e difícil de ver. Uns perdem a guerra. Outros insistem e lutam, apesar de correr o risco de se contaminar, de ficar sem ver a família ou ter que se isolar completamente. O maior medo é perder, significa o fim de uma vida, porém há o orgulho em ver o esforço e sacrifício desses profissionais, mesmo diante de todas as consequências. Para realmente saber, só tendo um guerreiro dentro de casa, vendo a rotina e torcendo todos os dias para que ele volte saudável, sem vírus.

Os dados mostram que no Brasil, cerca de 200 mil profissionais de saúde foram identificados como suspeitos de casos do vírus. Photo by Luis Galvez on Unsplash

Os dados mostram que, no Brasil, cerca de 200 mil profissionais de saúde foram identificados como suspeitos de casos do vírus causador da covid-19
Photo by Luis Galvez on Unsplash

O Brasil é um dos países que mais tem casos no mundo. Um levantamento do portal de notícias, G1, junto às secretarias estaduais de saúde, mostrou que foram registradas 16.941 mortes por coronavírus (covid-19) e 257.396 casos confirmados da doença em todo o país, em meados de maio. Também, como não sermos um desses países? Os profissionais brasileiros têm que ouvir absurdos como: “é só uma gripezinha”, “estou levando a minha vida normalmente, saindo com amigos” ou “sou contra o isolamento”.

Esse tipo de comportamento e comentário fere a existência do sacrifício da minha mãe, técnica administrativa de um centro de saúde, e de todos os outros profissionais da saúde, que estão no foco do vírus, onde o risco de contaminação é maior. Eles estão no núcleo de uma parcela da população que está procurando atendimento e pedindo socorro, todos infectados pelo vírus. Uns clamando por respiradores, outros assintomáticos.

Bom, então como é ter um profissional de saúde em casa, durante uma pandemia? É arriscado e preocupante, mas dá muita satisfação de vê-los na linha de frente e de fazer parte da rotina com tantas higienizações e máximos cuidados. Com isso, os nossos guerreiros estão fazendo o que podem, sacrificando-se e trabalhando, mesmo sem recursos e com um sistema de saúde entrando em colapso. Eles não desistem para que, no final, a humanidade esteja a salvo. Então, por eles, que estão lutando; por nós, a família que se angustia com o sacrífico; pela humanidade, que morre e sofre: adote o isolamento, fique em casa.

 

* Este texto é de inteira  responsabilidade do autor/autora e sua opinião não representa a do Portal de Jornalismo Iesb

 

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