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Violência contra motoristas de aplicativos também afeta passageiros

Moradores das cidades satélites que utilizam os aplicativos de transporte relatam como a insegurança dos motoristas afetaram seus deslocamentos

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Maria Eduarda de Oliveira, estudante de jornalismo, de 19 anos, moradora de Sol Nascente, bairro localizado na Ceilândia, enfrenta quase sempre dificuldade quando precisa chamar um motorista de aplicativo. A maioria de suas solicitações são recusadas toda as vezes que o motorista verifica de onde começará a viagem. Além dos cancelamentos, ela também enfrenta outro problema, a falta de carros de motoristas de aplicativos no seu bairro.

“Sempre quando eu chamo eles demoram muito, e quando solicito para ir pra casa muitos ainda cancelam”.

Infelizmente, o caso de Maria Eduarda não é isolado. Adalice Alves, moradora de São Sebastião, sempre que precisa chamar um motorista de aplicativo para ir a algum lugar, precisa chamar com muita antecedência, já que provavelmente o motorista que aceitar a corrida não se encontrará no momento dentro da cidade. Também precisa torcer para que a corrida não seja cancelada pelo motorista, algo que ocorre frequentemente quando solicita.

A prática até poderia ser considerada estranha se o motorista não perguntasse aos passageiros “Qual o destino?” e logo em seguida cancelassem. O motivo para a pergunta é único, saber se o local ou o destino que o passageiro quer não é considerado perigoso.

Segundo o último levantamento realizado pela Secretaria de Segurança Pública do DF, nos dois últimos anos a capital teve 145 ocorrências de roubo com restrição de liberdade em que as vítimas trabalhavam como condutores de aplicativos. Apenas este ano, até o momento, três motoristas de aplicativos foram mortos e um foi sequestrado.

O medo de ser vítima de violência e a falta de procedimentos de segurança cadastrais para os passageiros têm feito com que os motoristas tomem medidas por conta própria, como cancelar a corrida ou não rodar em determinadas regiões.

Essa prática, além de prejudicar o condutor que por temer pela sua vida não está fazendo renda, prejudica também aqueles que viram nos aplicativos de carro mais uma opção para se locomover sem depender de meios de transportes mais caros, como o táxi.

É o caso de Marlene Vaz, que mora em Cabeceira Grande-MG, mas frequentemente está em Brasília para realizar exames. Por ficar no Riacho Fundo 1, Marlene não encontra dificuldades ao solicitar um motorista por aplicativo. Diferente de quando solicita para visitar familiares em Samambaia. “É muito difícil, demora muito e alguns até cancelam”.

Seu filho, Eduardo Vaz, que já trabalhou como motorista de aplicativo defende a reclamação da mãe, mas também explica a posição dos motoristas. “Eles têm medo. Direto no grupo do Whatsapp um avisa sobre um livramento que teve em determinado local. Não dá para arriscar”. O grupo ao qual Eduardo se refere é o que os motoristas criaram para contar histórias do dia a dia e compartilhar alertas e até as precações que estão tomando.

 

Uber e 99pop são os aplicativos mais utilizados no DF

Uber e 99pop são os aplicativos de mobilidade mais utilizados no DF

Medidas que estão sendo adotadas

De acordo com a Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade do Distrito Federal, são 29 mil motoristas de aplicativos cadastrados. Um número que pode até ser considerado alto, mas que não é sentido pelos moradores de determinadas cidades que esperam quase 1 hora para localizar um motorista de aplicativo.

Adalice Alves, empregada doméstica de 47 anos, reclama da demora, mas não tira a razão dos motoristas. “A cidade é realmente perigosa, precisa ter cuidado. Infelizmente, a polícia não é suficiente para quem já mora aqui imagina para motoristas de aplicativos que nem conhecem o local?”

No mês de fevereiro, um projeto de lei que estipula novas medidas de segurança para os motoristas de aplicativos no DF foi aprovado pela Câmara Legislativa. O projeto que prevê entre as medidas de segurança a instalação de câmeras de monitoramento e de um “botão de pânico” nos carros dos motoristas, custeado pelas empresas, precisa ser sancionado pelo governador. No momento, não se tem um prazo para que isso aconteça.

As empresas de aplicativos Uber e 99 foram contatadas, mas não se manifestaram sobre o assunto. O Sindicato dos Motoristas Autônomos de Transporte Privado Individual por Aplicativos do DF (Sindmapp-DF) também foi contatado, mas não se manifestou.

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