Ciência e Tecnologia

Quarentena para pessoas com e sem internet mostra realidades diferentes

Pesquisa aponta que 70% da população do Centro-Oeste possui acesso à internet; por outro lado, no Nordeste, 35% não possui

No isolamento social, navegar online tem sido essencial para as pessoas, principalmente para se comunicarem, se informarem e até mesmo combaterem o tédio. De acordo com a pesquisa TIC Domicílios, de 2019, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), em 2019, 70% da população do Centro-Oeste possui acesso à internet.

Para a estudante de direito Dannielly Melo, estar online tem sido muito importante para os seus estudos e trabalho, além do lazer em casa. “Estamos muito acostumados com a internet, usamos ela para fazer tudo, então uso muito as redes sociais para trabalhar, para assistir as aulas e me comunicar com as pessoas da minha sala. Também, o meu entretenimento é baseado em séries, filmes, ouvir músicas e acompanhar as lives, que os artistas estão fazendo”, afirma.

A estudante de 18 anos, Ana Júlia Firmiano, conta como a rede digital está sendo necessária para ela nesse período de quarentena. A estudante afirma que se não tivesse acesso à internet não conseguiria se conectar com as pessoas que não podem estar perto dela.

“As redes sociais são um bom passatempo ao visualizarmos que não estamos sozinhos nesse momento difícil. A internet permite a minha aproximação com as pessoas que não posso ver, me ajuda a passar o tempo, me possibilita a utilização de muitos recursos e conteúdo. Além de ser essencial nessa época, por exemplo, para o trabalho e estudo”, reconhece Ana Júlia.

“As redes sociais são um bom passatempo ao visualizarmos que não estamos sozinhos nesse momento difícil", conta a estudante Ana Júlia. Foto de geo uc no Unsplash

“As redes sociais são um bom passatempo ao visualizarmos que não estamos sozinhos nesse momento difícil”, conta a estudante Ana Júlia.
Foto de geo uc no Unsplash

 

Isolados digitalmente

Além disso, a pesquisa TIC Domicílios também registrou que 30% das pessoas no Centro-Oeste não possuem acesso à internet. Desse grupo, 60% das pessoas não tem o acesso por acharem muito caro. Os outros motivos são: por falta de computador em casa, falta de necessidade, porque não sabem usar, por evitarem contato com conteúdo perigoso e preocupações com segurança e privacidade.

Por região, 35% da população do Nordeste não possui esse acesso. Desse grupo, 50% das pessoas não aderem a navegação online por acharem muito caro. Por outro lado, a região que mais possui pessoas navegando é a Sudeste, com 75%. Sendo que 72% da população analfabeta digitalmente não acessa a rede por falta de habilidade com computadores.

Em relação a classe social, a “C” tem o maior número de pessoas que não acessam a rede digital, com 19%. Já a classe social “A” e “B”, apresentaram 1% e 5%, respectivamente. Sendo assim, na quarentena, a rotina dessas pessoas é completamente diferente, afinal elas estão em isolamento social e isoladas digitalmente também.

A dona de casa, Genildes Mendonça, conta que não acessa a navegação online por falta de conhecimento. “Não usar a internet não me atrapalha em nada. Eu nem sei o que é internet, então tenho feito caminhadas, tomo banho de sol pela manhã, ajudo na cozinha, lavo minhas roupas, passo mais tempo com o meu filho e netos. Inclusive, me distraio fazendo costuras, comendo mais e conversando com os meus parentes”, afirma.

Em relação a informação, a dona de casa afirma que não tem interesse em se informar sobre a pandemia. “Eu não tenho procurado saber, apenas ouço boatos. Eu não tenho interesse em saber sobre o coronavírus, para mim nem existe e não mudou nada, eu nem saio mesmo”, conta.

Já a aposentada Maria Francisca dos Reis diz que a rede online não faz parte dos seus maiores interesses. “Eu prefiro atividades que preservem minha saúde e bem-estar. Então, a internet para mim é ‘tanto faz, tanto fez’. Estou dormido bem, cuidando da alimentação, fazendo caminhadas em trilhas e costuras, como máscaras para usar ao sair de casa. Para comunicação, ainda preservo meus grandes amigos, o telefone fixo e a TV para informações”, declara.

As caminhadas tem sido opções  de passatempo durante a quarentena. Foto de Arek Adeoye no Unsplash

As caminhadas têm sido opções de passatempo para as pessoas sem acesso à internet durante a quarentena.
Foto de Arek Adeoye no Unsplash

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