Entrevistas

Infectologista fala sobre retomada das atividades durante a pandemia

A médica Joana D’arc Gonçalves contou em entrevista ao Portal Jornalismo Iesb sobre a flexibilização das medidas e retorno de serviços

A médica infectologista, Joana D’arc Gonçalves trabalha no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) e na clínica Quality Life Serviços de Infectologia, além de lecionar no curso de medicina do Uniceub. A médica conta que não tinha muito interesse na especialidade, mas ao fazer um curso de extensão na Universidade de Brasília sobre doenças tropicais, acabou gostando da modalidade, afinal ela pode ver doenças mais raras e sobre as quais muitos médicos não têm interesse. Depois, ao trabalhar no Acre com populações mais vulneráveis, apaixonou-se pela especialidade.

Como infectologista e trabalhando na parte de controle de infecção, a sua função na pandemia é visualizar a situação de risco para o paciente e para os profissionais de saúde, além da preparação adequada para trabalhar e lidar com inúmeras doenças infecciosas.

A especialista diz que a pandemia veio para nos ensinar que precisamos mudar nosso comportamento. Segundo a infectologista, os primeiros dias foram de muita dedicação e capacitações, pois muitos não sabiam como proceder diante de um paciente infectado, já que estavam preparados para atendimento a casos de Ebola e H1N1, mas nada foi como agora.

Para ela, trabalhar nesse cenário é uma oportunidade única para valorização da vida. “Por diversas vezes sentimos medo, desespero e desamparo. Em alguns momentos, simplesmente era como ir para uma batalha, sem ter uma estratégia ou as armas apropriadas. Cada dia uma publicação nova e uma mudança no curso da doença”, afirmou.

"Os primeiros dias foram de muita dedicação e capacitações, pois muitos não sabiam como proceder diante de um paciente infectado", afirma a infectologista. Foto de SJ Objio no Unsplash

“Os primeiros dias foram de muita dedicação e capacitações, pois muitos não sabiam como proceder diante de um paciente infectado”, afirma a infectologista.
Foto de SJ Objio no Unsplash

Confira a entrevista:

Na sua opinião, o sistema de saúde está pronto para aguentar a volta das atividades durante a pandemia?

De forma alguma, estamos em ascensão, aumento do número de casos infectados e pessoas graves. Sabemos das características do nosso país. Temos problemas crônicos que se sobrepõem aos agudos, vulnerabilidades que a pandemia favorece a piora do cenário. Entretanto, sabemos que muitos cidadãos nunca respeitaram as medidas de controle, por diversos motivos, sejam socioeconômicos, culturais ou políticos e, que muitos precisam trabalhar para manter o alimento, mas a abertura trará consequências muito tristes para algumas famílias.

Alguns estados estão flexibilizando as medidas. Isso pode acelerar uma nova onda de casos, afinal as pessoas estarão nas ruas correndo o risco de se infectarem novamente?

Com certeza. Não temos vacinas e nem tratamentos capazes de frear a doença. A medida mais eficaz é o isolamento e o distanciamento social. Se não fizermos, assumimos um risco de elevada letalidade. Ainda não temos certeza sobre quanto tempo dura a imunidade ou se quem já teve a doença não corre o risco de reinfecção.

Com a retomada do comércio e outras atividades, quais medidas e prevenções serão necessárias?

Principalmente, manter o distanciamento seguro entre as pessoas, higienizar as mãos com frequência e o uso de máscara.

- A máscara de pano deve ser trocada a cada 3 horas;
- Manter um saquinho para guardar a máscara suja, para ser higienizada em casa;
- Em intervalos, evitar aglomeração em copas e cozinhas do estabelecimento;
- Reservar uma sacolinha para guardar a máscara nos momentos de refeições e café.  Deixá-las em mesas e locais inadequados pode contaminar a superfície ou a máscara;
- O uso prolongado pode levar a lesões de pele. Portanto, use uma máscara confortável, ajustável ao rosto e hidrate sempre a pele.
- Higienize a máscara em casa após o uso seguido de três horas (lavar com água e sabão, deixar de molho em água sanitária por 10- 30 min e após secagem, passar com ferro quente);
- Sempre que possível, manter barreira física de vidro ou acrílico entre o funcionário e o cliente;
- Dependendo do local, pode ser ofertado o face de acrílico que protege todo o rosto;
- Orientar a etiqueta respiratória (tapar boca e nariz ao espirrar ou tossir);
- Evitar tocar na frente da máscara e usar de forma adequada, sempre tampando boca e nariz;
- Higienizar sempre as mãos com água e sabão ou álcool em gel.

Depois do isolamento social, como será o lazer das pessoas, como aglomerações em aviões, cinemas e idas às praias?

Acredito que não seremos mais os mesmos, algumas atitudes serão parecidas com as da Europa. Evitaremos tocar, beijar, abraçar estranhos e manteremos um distanciamento razoável. Shows, grandes eventos, igrejas terão que ser repensados. A era virtual irá se propagar de forma acentuada.

Em relação às escolas e faculdades, como deverá ser o ambiente e comportamentos dos alunos e professores, com a retomada das atividades?

Algumas universidades já programaram todas as conferências de forma virtual para o ano de 2021. As aulas presenciais deverão ser revistas, com mudança de estrutura e comportamento, o que requer mais tempo para ajustes.

Quais lições podemos tirar dessa pandemia para levar para frente e para as outras gerações?

Temos que estar preparados para o enfrentamento de epidemias, catástrofes e eventos adversos com um mínimo de planejamento. As ações devem ser coordenadas, multi e interdisciplinar com comando confiável para que a população participe de forma mais efetiva com relação as ações preventivas. O nosso comportamento social deve mudar para salvarmos quem amamos, portanto: lavar as mãos e manter distanciamento social são as principais ferramentas de controle de doenças infecciosas.

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