Entrevistas

Amor ao próximo que faz a diferença em tempos de pandemia

Em entrevista ao Portal Jornalismo IESB o colaborador do projeto Coletivação, Valdemar Silva,fala sobre a atuação do coletivo durante a pandemia

Ajudar o próximo tem sido uma forma que muitos coletivos do DF encontraram para amenizar o sofrimento das pessoas em situação de rua, e esse apoio em tempos de pandemia tem sido essencial. Um desses coletivos é de Ceilândia e existe há 7 anos. O Coletivação foi fundado por 30 voluntários e atua frente a uma das cidades com crescimento significativo de pessoas em situação de vulnerabilidade social, e nesse momento lidera o ranking de mortes mortes por Covid-19 no DF. Um dos colaboradores do projeto, Valdemar Silva, 40 anos, conta sobre a experiência e todo trabalho que é desenvolvido no projeto, antes e durante a pandemia.

Valdemar Silva,40 anos,  colaborador do Coletivação.

Valdemar Silva,40 anos, colaborador do Coletivação

Quais foram as motivações que deram início ao coletivo?

Somos um grupo que acredita que a prova maior da presença de Deus é o amor. Antes de toda essa situação atual que estamos vivendo, já nos envolvíamos com pessoas em situação de rua, ou seja, pessoas que não tem apoio nenhum do governo, seja esse apoio financeiro, psicológico, com saúde ou alimentação.

Quais são os principais desafios do Coletivação uma vez que não contam com ajuda do poder público?

Nossa maior dificuldade é financeira. Como te disse, nosso grupo é pequeno e com poucos recursos, mas especialmente, na situação atual, estamos recebendo várias doações de anônimos, pessoas de bom coração, que conheceram nosso projeto e que nele acreditam. Apesar do medo que existe temos um envolvimento considerável de voluntários, pessoas de outras igrejas ou não.

 

Café da manhã é servido todos os domingos pelo coletivo a pessoas em situação de vulnerabilidade social de Ceilândia

Café da manhã é servido todos os domingos pelo coletivo a pessoas em situação de vulnerabilidade social de Ceilândia

Quantas pessoas em média o projeto atende ?

Todas as noites estamos servindo uma média de 50 lanches, já no café da manhã, que acontece aos domingos, “rola” uma variação.

 Quais os locais de atuação do grupo?

Centro da Ceilândia, Hospital Regional de Ceilândia, Extra Ceilândia e parte da Ceilândia Norte.

 Como é feita a abordagem pelo grupo?

É uma situação muito sensível em tempos normais e agora ainda mais com essa pandemia. Geralmente conversamos com as pessoas, tentamos entender um pouco sobre a história de cada uma, e se podemos ajudar além de um simples lanche. Têm aqueles que se abrem, mas também tem outros que só querem o alimento e respeitamos. Porque por,muitas vezes, estão sob efeitos de drogas. Mas são pessoas que precisam de nós, que precisam de amor, que precisam serem vistas, vistas como irmãos, como seres humanos. Uma das coisas que eu mais sinto falta é o abraço, do aperto de mão,do contato físico com eles.

Como é a distribuição dos insumos arrecadados?

Os lanches são todos preparados na Singelo (hamburgueria parceira do projeto), a equipe escalada do dia é responsável pela retirada e distribuição. Temos também voluntários (dois anjos, Izais e Sabrina) que fazem a triagem das doações (roupas, calçados e agasalho), eles separam, etiquetam, o que facilita muito na hora de doar, uma vez que devemos evitar o máximo de exposição não só pensando em nossa segurança, mas principalmente na deles, moradores de rua.

 

Atuação do coletivo acontece também durante a noite com a distribuição de lanches em parte de Ceilândia

Atuação do coletivo acontece também durante a noite com a distribuição de lanches em parte de Ceilândia

Qual sua experiência pessoal como colaborador do Coletivação?

É uma experiência incrível, o Coletivação me mostrou o que é de fato se envolver na vida das pessoas [em estado de vulnerabilidade].É muito gratificante estar disponível para servir. Hoje sei de fato o que é uma vida em comunidade, as pessoas que participam do Coletivação tem uma forma tão bonita de envolvimento, é algo mágico, é de graça.Não existe um sacrifício, sabe? É sempre um prazer! Não é um projeto de uma pessoa só.Não existe uma auto promoção, não existem holofotes, somos únicos, com um só propósito.

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