Cidadania

Equipe amadora se une para fazer doações a projeto no DF

Com a pandemia, instituições beneficentes precisam ainda mais de doações

Atletas de futebol amador se uniram para ajudar famílias necessitadas no Distrito Federal. Essas famílias amparadas pela iniciativa do Fener, nome da equipe que realizou a ação, são as de crianças que compõem o projeto Maninho Gol de Ouro, na Ceilândia. No total, foram arrecadas 40 cestas básicas, totalizando 769 kg de alimentos, e 30 bolas de futebol entregues de casa em casa no P Sul, P Norte e Sol Nascente, no dia 24 de maio. Diante da pandemia causada pelo novo coronavírus, inúmeras atividades em Brasília foram interrompidas. Entre elas, as dos clubes esportivos que sediam campeonatos de futebol amador, afetando assim centenas de equipes. Os atletas do Fener, que participa de várias competições no setor de clubes, aproveitaram a parada forçada e se organizaram para a ação: incentivaram os atletas a doarem o valor de 1 cesta básica (aproximadamente 60 reais) que seriam revertidos em doações para a instituição do Maninho, na Ceilândia.

Arrecadação da equipe resultou em 769 kg de alimentos e 30 bolas de futebol para as crianças. Arquivo pessoal.

Arrecadação da equipe resultou em 769 kg de alimentos e 30 bolas de futebol para as crianças. Arquivo pessoal.

“O ser humano esquece muito rápido de ajudar o próximo”, alertou William Jesus de Vieira, o Maninho. Idealizador do projeto que surgiu em 2014, Maninho foi jogador profissional, tendo passagens em times como Paysandu (PA) e Guarani (SP), além de Gama e Brasiliense, os dois maiores times da capital, e conta que a iniciativa ajuda cerca de 200 crianças anualmente e sobrevive 100% de doações, que se tornaram cada vez mais escassas. “O objetivo não é formar 200 atletas profissionais, mas sim 200 cidadãos através do esporte”, enfatiza.

Dentro do Fener, quem sugeriu a campanha para doações foi o gestor de recursos humanos Mateus Cardoso. Amigo de longa data de Maninho, com quem jogou profissionalmente, Mateus propôs ao organizador da equipe, Bruno Rios, que promovesse uma campanha de doação no grupo de WhatsApp do time. “Conhecemos as mazelas do nosso país, ainda mais nesse momento, e graças a Deus a gente do grupo está numa condição de poder ajudar”, relata o gestor de RH o que motivou a campanha.

Bruno não teve dúvidas quando lhe foi sugerida a ação. “Eu só penso que não deveria ser preciso um choque tão grande da vida para acordarmos e pararmos para olhar um pouco para o lado, pra quem não teve as oportunidades que tivemos. Essa é a realidade e eu não durmo tranquilo. Eu sinto uma necessidade grande de retribuir um pouco, pelo muito que tive e tenho”, desabafa o advogado de 34 anos.

Foi o próprio Bruno que, junto com Maninho, entregaram as doações. Segundo o fundador do instituição, ele sempre acompanha as doações pois os doadores os conhece e ele conhece a situação das famílias, podendo distribuir melhor os materiais esportivos, escolares e e as cestas básicas. “Eu tenho uma aluna, fera, e sempre que tem uma doação encaminho primeiro para ela pois sei o quanto precisa”. Bruno, que pôde ver de perto a realidade, conta como tiveram que mudar os planos logísticos das entregas: “A ideia era deixar 1 cesta e 1 bola em cada casa, porém em algumas deixamos 2, diante do cenário”, comentou.

Teve um caso em especial que chamou a atenção do advogado. Ao terem dificuldade de localizar a casa de uma das famílias, uma das crianças os encontrou para guiá-los e, chegando na casa da família, o pai dessa criança agradeceu e disse que um amigo do filho estava precisando ainda mais, e por isso destinaria aquela cesta para essa família. “Dentro da solidariedade, você encontra o sentido e a razão quando alguém, sem pestanejar, olha para o lado e de ajudado vira ajudante”, recorda.

Para Maninho, a intenção do grupo de ajudar ficou clara quando não fizeram questão de tirar fotos durante a entrega. “Tem muita gente que ajuda para aparecer. Eles vieram aqui, entregaram [as doações] e não tiraram um única foto com as famílias”, comentou o ex-jogador de 43 anos, que não está preocupado com a volta do projeto, mas sim com outra coisa: “Um dos nossos pilares é a educação, tanto que o aluno que reprova na escola fica um ano sem poder estar com a gente. Por isso é com essa situação das crianças sem escola que eu me preocupo, afinal educação é a essência da vida”.

A fim de contemplar ainda mais crianças e aumentar a influência, o Projeto Maninho Gol de Ouro vai ganhar uma sede própria. Vai ficar no P Norte, na QNP 25 e proporcionar refeições, aulas de reforço e idiomas para as crianças além de acompanhamento psicólogo. Para doar, basta entrar em contato com o próprio Maninho, através do número (61)99228-8816.

Maninho, ao fundo, e as crianças do projeto Maninho Gol de Ouro, em 2018. Arquivo pessoal

Maninho, ao fundo, e as crianças do projeto Maninho Gol de Ouro, em 2018. Arquivo pessoal

 

Saiba como doar ou receber doações

Além do projeto Maninho Gol de Ouro, vários outras iniciativas na capital estão precisando de doações. Professores e ex-alunos da UnB além de outros profissionais lançaram um site e aplicativo gratuitos para que as pessoas encontrem mais facilmente instituições e projetos beneficentes. Já a Globo DF lançou o “Ajuda aí!”, onde divulgam durante a programação do Bom dia DF iniciativas em todas as regiões administrativas e Entorno que estão precisando de doações e auxílio. Já para quem precisa de ajuda, o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e o Centro de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS) abriram novas linhas para aqueles que desejam solicitar auxílio:

  • Arapoanga – 99450-8372
  • Brazlândia – 99450-8450
  • Ceilândia Norte – 99450-9264
  • Ceilândia Sul – 99450-8801
  • Estrutural – 99450-9725
  • Gama – 99450-9219
  • Itapoã – 99450-7072
  • Paranoá – 99450-8834
  • Planaltina – 99450-8795
  • Recanto das Emas – 99450-8862
  • Riacho Fundo II – 99450-9182
  • Samambaia – 99451-1915
  • Samambaia Expansão – 99450-9813
  • Santa Maria – 99450-9744
  • São Sebastião – 99450-8838
  • Sobradinho – 99450-9666
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