Saúde

A história se repete

Pandemias não são novidade na história da humanidade e todas elas têm algo em comum

No dia 27 de abril, Papa Francisco concedeu a bênção extraordinária de “Urbi et Orbi”, normalmente realizada apenas na Páscoa e no Natal. Sozinho na Praça São Pedro, a autoridade máxima da Igreja Católica rezou em frente ao crucifixo milagroso que, de acordo com a tradição, salvou Roma da Peste Negra. Esta é a segunda vez na história que o objeto religioso é exposto.

O primeiro surto da Peste Negra é datado entre 1348 e 1350 e estima-se que o número de vítimas fique entre 75 e 200 milhões de mortos. Além disso, alguns estudos apontam que a doença tenha reduzido ⅓ da população europeia da época. Na segunda qinzena de junho deste ano, foram confirmadas 466.548 mortes por coronavírus em todo o mundo.

Durante a Peste Negra, médicos usavam uma vestimenta que lembra um corvo para buscar se prevenir do contagio. Foto por Kuma Kum em Unsplash

Durante a Peste Negra, médicos usavam uma vestimenta que lembra um corvo para buscar se prevenir do contágio. Foto por Kuma Kum em Unsplash

 

Em 1918 surgiu a Gripe Espanhola, a pandemia atingiu todos os continentes e se iniciou de uma mutação do vírus Influenza. Como a maioria das doenças respiratórias, a Gripe Espanhola era de fácil contágio e difusão o que fez com que sistemas de saúde de diferentes países entrassem em colapso. Em busca de conter a doença, muitos lugares, como Brasil e Austrália, adotaram medidas de isolamento social e quarentena. Não só isso, alguns países, como Estados Unidos, aderiram ao uso obrigatório de máscaras respiratórias. Hoje, em 2020, o Brasil completa quase três meses de quarentena como medida preventiva e de contenção da covid-19, além do uso obrigatório de máscara respiratória em locais públicos.

Muito esquecida, a Gripe de Hong Kong foi a terceira pandemia de gripe do século 20. A doença fez Nova York decretar estado de emergência e Berlim guardar cadáveres nos túneis de metrô. Em Londres, pelo menos 20% das enfermeiras foram infectadas e, em algumas regiões da França, o vírus contaminou metade da força de trabalho. Em entrevista à BBC Mundo, o diretor do Museu Basco de História da Medicina e especialista em história das doenças, Anton Erkoreka disse acreditar que, como acontece agora, um dos motivos que fez essa antiga pandemia se espalhar tanto foi o fato de ter sido subestimada por governantes.

Com o enorme número de infectados pela Gripe Espanhola, medidas emergenciais, como a improvisação de hospitais e leitos, foram tomadas pelo países que tiveram seus sistemas de saúde sobrecarregados. Foto por British Library em Unsplash

Com o enorme número de infectados pela Gripe Espanhola, medidas emergenciais, como a improvisação de hospitais e leitos, foram tomadas pelo países que tiveram seus sistemas de saúde sobrecarregados. Foto por British Library em Unsplash

 

Todas as pandemias já vividas pela humanidade provocaram redução na população e causaram desafios socioeconômicos. Eu não sei se saber disso tudo causa alívio ou pânico. Parece que o mundo caminha em círculo. Mas, talvez, conhecer a História sirva para, pelo menos, nos fazer entender de que isso que estamos passando não é tão novo assim. Constantemente temos essa sensação de que vivemos algo inédito e, realmente, é tudo muito diferente para mim e para você que vivemos neste período, mas para o mundo isso é mais do que comum.

Meu objetivo quando pesquiso sobre antigas pandemias não é reduzir o sofrimento atual nem banalizar a dor de quem perdeu uma pessoa amada para o coronavírus. Três meses de quarentena, três meses de isolamento social criam a sensação que de que isso nunca vai passar. As pesquisas avançam, mas o tratamento não aparece e a cura ainda é um sonho. Mas olha o que o passado tem a nos dizer, a humanidade já passou por isso e sobreviveu. A medicina progrediu. Demorou, mas a vida se normalizou antes e vai se normalizar de novo. Não quero dizer que sairemos mais fortes disso tudo, só quero falar que um dia sairemos. Meio quebrados, talvez traumatizados e com os corações ainda apertados, mas sairemos.

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