Cidadania

A mulher que transformou a sua vida e a de outras mulheres

Conheça a história de Geralda Florisbela, que fundou a Associação de Mulheres de Sobradinho II

Cestas básicas para famílias assistidas

Cestas básicas para famílias assistidas

Geralda Florisbela, como toda mulher, sonhava em constituir uma família, casar-se, ter filhos e ter uma vida feliz e tranquila. Em 1976, esse sonho se realizou. O primeiro filho, André, personificava a família perfeita. Dois anos depois, a filha Andréia nasceu e um ano depois Luciana. Os anos transcorriam normais, as crianças crescendo, estudando e ela cuidando do lar.

Para sua surpresa, no ano de 1986, seu esposo a abandona com três filhos. Ironia ou não do destino, ele a trocou por uma outra mulher com três filhos. Dias ruins vieram, passaram todo tipo de necessidade.

Em 1987, surgiu Antônio, um delegado, prometendo a ela e aos seus filhos uma vida melhor. Passaram 8 longos anos, até ele deixar a máscara cair, pois não só ela era vítima de violência doméstica, mas seus filhos também. Dentro dela surgiram sentimentos antagônicos: amor, ódio, pensamentos de que aquilo seria uma fase e que iria passar, mas, não passou.

Cansada de ver seus filhos e ela sofrerem violências física e psicológica, em 1999, Geralda colocou um ponto final naquela vida, separou-se e se viu sozinha mais uma vez com seus três filhos. E como aquela separação doía, pois, mesmo assim ela o amava.

Aos poucos foi reconstruindo sua vida. No ano 2000, passou a morar em Sobradinho II e, assim, pode observar suas vizinhas, tristes, com marcas roxas pelos braços, rosto e que diziam que haviam caído ou batido em algum móvel.

Abordou cada uma e, infelizmente, todas eram vítimas de violência doméstica. Passaram a se reunir todas as sextas-feiras na sala de sua casa, uma apoiando a outra, para dar um basta naquelas situações. Fundaram a Associação das Mulheres de Sobradinho II.

Reunião Terapia comunitária                                                           Reunião Terapia Comunitária, com Florisbela e a psicóloga Naida Mota

Em 2007, a associação foi registrada e conta hoje com apoio psicológico, jurídico e de assistentes sociais. Ao olhar Bela, como é conhecida, percebo a sua coragem, a sua resiliência; de momentos difíceis soube levantar-se e sua sororidade ao ajudar a resgatar a autoestima de mulheres fragilizadas. Bela é uma fênix que, além de renascer, faz todos os dias mulheres resgatarem seu auto amor, a dizerem não a relacionamentos abusivos. Ela me faz lembrar um poema de Guimarães Rosa: “a vida é assim, esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”. Florisbela é sinônimo de resiliência, sororidade e coragem.

 

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