Cidadania

Doações de roupas e alimentos crescem durante a pandemia

Ações solidárias fazem bem para corpo, mente e alma tanto para quem doa como para quem recebe

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É normal em época de frio, como a que estamos vivendo, ocorrer diversas campanhas e mobilizações para arrecadar agasalhos e alimentos para pessoas que sofrem de frio e fome. Porém o que se tem notado em 2020 é houve um aumento expressivo de doações. Assim como também houve um grande aumento de pessoas que precisam de doações, devido à pandemia da Covid-19.

Segundo Pedro Campos, um dos fundadores da ONG BSB Invisível, que vem realizando diversas campanhas mesmo durante a pandemia, a procura por doações cresceu. A crise no mercado de trabalho gerada pela pandemia afetou muito as pessoas de menor condição financeira, contou.

A situação no momento é delicada, há pessoas que nunca passaram por isso que estão tendo que pedir ajuda. Afirmou Pedro. “Outro dia, recebemos mensagem de um advogado que estava desempregado, que vivia de trabalhos casuais, mas durante a pandemia não estava surgindo nada e precisava alimentar e comprar agasalhos para os filhos. São situações que comovem a gente e fazemos tudo que podemos para ajudar. Estamos recebendo muitas doações e ajudando muitas pessoas, porém os pedidos de ajudam cresceram muito também”, afirmou Pedro.

Pedro e a ONG, BSB Invisível distribuem alimentos em ocupações no centro da capital.

Pedro e a ONG BSB Invisível distribuem alimentos em ocupações no centro da capital

O educador físico, Vasco Armond, faz trabalhos sociais há mais de 30 anos e conta que percebeu que desde que começou a crise de coronavírus em Brasília, muitas pessoas o procuram para fazer doações e até contribuem com o combustível para ir buscar os donativos. Todas as vezes que sai para fazer ações esbarra com muitas pessoas fazendo o mesmo. E conta: “É óbvio que não gostaríamos de estarmos vivendo uma situação dessas. Mas na minha visão, há males que vêm para o bem. Eu tenho percebido que este momento tem trazido de volta às pessoas o senso de benevolência. O senso de que somos todos iguais e que precisamos um do outro.”

Vasco completou dizendo: “O fato de que precisamos um do outro fica evidente em relação à quarentena. Precisamos de uma alta taxa de isolamento para que menos pessoas fiquem doentes. Precisamos da coletividade e confiar que o outro faça a sua parte para que o mal não chegue à nossa família. Se agirmos juntos e com espírito de benevolência e coletividade, tenho fé que passaremos por esse momento o mais breve possível”.

Alimentos arrecadados por Vasco e amigos, durante a última semana. Os alimentos serão entregues na ocupação próxima ao Iate Clube.

Alimentos arrecadados por Vasco e amigos durante a última semana. Os alimentos serão entregues na ocupação próxima ao Iate Clube

A psicóloga, Simone Roz, diz que em momentos de ruptura, ações sociais surgem como mecanismo para minimizar danos causados pela fragilidade humana. Para Simone, as iniciativas de solidariedade nos fazem sentir mais potentes no plano coletivo, ampliam nossa resistência e nos mostram que somos iguais e estamos juntos, diminuindo o sentimento de impotência e solidão.

A psicóloga cita também alguns estudos, como o do professor de psiquiatria da British Columbia University, no Canadá, e autor do livro “The Psychology of Pandemics”, Steven Taylor, que afirma: “as pessoas estão ficando cada vez mais conscientes sobre a necessidade de se ajudar em vez de apenas se proteger comprando produtos para armazenar”.

Outro estudo citado por Simone foi o da professora do Departamento de Psicologia Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Cris Fernández Andrada, que diz: a principal motivação das iniciativas solidárias está relacionada ao reconhecimento da dor do outro. “Seres humanos são seres coletivos que se identificam com a mesma condição diante de crises agudas que ameaçam nossa existência”.

Benefícios para quem doa

São diversos estudos e relatos de que a doação faz bem não só para quem recebe mas também para quem doa. A doação provoca uma sensação de um bem-estar geral e autoestima melhorada. “Fazer o bem nos deixa contentes e mais satisfeitos com nós mesmos e com a vida. Ajudar o outro estimula o sistema de recompensas que é ativado no cérebro em situações de prazer, como comer chocolate, doar diminui o estresse, melhora o funcionamento do sistema nervoso e do coração e aumenta a expectativa de vida”, afirma Simone.

A psicóloga Simone Roz listou alguns benefícios que podem ser trazidos a quem doa segundo alguns estudos. Confira:

  1. Ajudar os outros contribui para a manutenção da sua saúde e pode diminuir o efeito de doenças físicas e psicológicas;
  2. A euforia sentida após um ato generoso envolve sensações físicas que liberam endorfinas e outras substâncias naturais do corpo que diminuem dores;
  3. Os benefícios na saúde mental e física continuam sendo sentidos por horas e até dias depois do ato solidário, especialmente quando ele é lembrado com carinho;
  4. Problemas ligados ao estresse são revertidos com atitudes positivas direcionadas aos outros, reduzindo sensações de depressão,fobia social, hostilidade e isolamento;
  5. Ajudar o outro gera sensações de alegria profunda, resiliência emocional e vigor;
  6. A consciência e intensidade de dores físicas podem diminuir consideravelmente com um ato caridoso;
  7. Um senso de otimismo e valor próprio é gerado à cada ação solidária, melhorando a autoconfiança;
  8. Segundo pesquisas, ser voluntário com frequência gera uma sensação de alegria equivalente a se formar na faculdade ou dobrar o seu salário.

E completa: Em tempos de crise, a solidariedade pode trazer conforto emocional, sensação de pertencimento, prazer e diminuição da ansiedade causadas pela falta de controle sobre o momento. Doe!

Doações fazem bem para todos os envolvidos!

Doar faz bem para todos os envolvidos!

 

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