Política

Vidas negras importam no Brasil?

A população parda e negra do Brasil exige uma política de maiores direitos e defesas para as minorias; segundo o IBGE os negros tem 2,7 % mais chances de serem vítimas de homicídios que brancos

Segundo os dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira é composta, em sua maioria, por pardos e negros. Somos 209,5 milhões de brasileiros, sendo 46,5% pardos, 43,1% brancos e 9,3% negros em 2018 de acordo com o IBGE.

De alguns anos para cá mais pessoas se consideram negras ou pardas que brancas e isso vem de uma questão política e social onde as manifestações e grupos de conscientização da raça negra cada vez têm mais força.

Mas o Brasil ainda tem muito que aprender. Aqui, crianças negras da periferia são mortas quase que diariamente pela polícia e contrário ao que aconteceu nos EUA, com a recente morte de George Floyd por um policial branco, provocando uma revolta mundial contra o racismo, nada é feito nem pela população e nem pelo governo.

A Lei de 5 de janeiro de 1989, lei conhecida como Lei Caó, que torna o racismo crime e não uma simples contravenção como era,  ainda é pouco usada na defesa do cidadão de bem da raça negra.

Políticas Públicas

A política de cotas de 2000, onde um número de vagas tanto em vestibular como em concurso público é destinado à desigualdade racial e visa acabar com o racismo estrutural, foi uma das maneiras encontradas para diminuir a desigualdade que o negro sofre.

Antes das eleições de 2019 o atual presidente Jair Bolsonaro, mais de uma vez pronunciou argumentos racistas quando disse que havia negros quilombolas que pesavam várias “arrobas” e não faziam nada, ou que o filho dele nunca casaria com uma negra por ter dado educação a eles, respondendo a Preta Gil no programa CQC.

Os comentários do presidente servem para ilustrar o tamanho das dificuldades que os negros ainda enfrentam no país. Se nos EUA temos George Floyd, no Brasil tem Marielle Franco como o nosso símbolo de mulher, negra, política, lésbica e da comunidade, lutando contra a discriminação e morte de jovens na favela da Maré.

A verdade é que o Brasil é um país racista, e o negro é quem mais sente isso na pele. Simone Santos, negra e cabeleireira conta que voltando um dia do trabalho, ouviu do quintal de uma casa gritos de dois rapazes, chamando-a de macaca, escrava e outros xingamentos.

“Eu não imagino porque uma pessoa se dá ao trabalho de querer humilhar outra apenas por sua cor, eu não fiz nada, só estava indo para casa depois de um dia de trabalho.

Falo aos meus filhos que nunca devem abaixar a cabeça diante de uma atitude racista. Eu ignorei os insultos que recebi naquele dia, acho que hoje seriam caso de polícia”, desabafa Simone.

Simone

Simone foi chamada de macaca por vizinhos quando voltava do trabalho para casa

Racismo, o que a vítima deve fazer

Segundo a advogada Ana Pula Freitas, “o crime pode ocorrer de diversas formas, como a não contratação de pessoas negras, a proibição de frequentar alguns lugares, entre outras atividades que têm o condão de bloquear o acesso de pessoas negras”, afirma. Nesses casos, o crime é inafiançável e imprescritível.

Quando for pela internet, deve-se juntar os prints da agressão como prova, denuncie ao hospedeiro da rede social e registre um boletim de ocorrência. Injúria racial é crime e tem que ser punida.

Ana Paula

Ana Paula, advogada, explica que o racismo pode se dar também pela não contratação de pessoas negras ou proibição de frequentar alguns lufares

Notice: Tema sem comments.php está obsoleto desde a versão 3.0 sem nenhuma alternativa disponível. Inclua um modelo comments.php em seu tema. in /var/www/publicacao/jornalismo/site-root/wp-includes/functions.php on line 2957

Deixe uma resposta

Educação
GabrielLino_03 Insight no ensino brasileiro
Meio Ambiente
Jardim montado na casa de Juscilene Lima Conheça a história de quem trabalha para salvar o meio ambiente
Comportamento
FOTO 1 PRODUÇÃO9 População brasileira desrespeita o isolamento social

Mais lidas