Turismo e Lazer

Contravento em quarentena

A arte como forma de viajar em momentos impossíveis, como o de isolamento social

Se sentir preso, limitado e restringido se tornou uma coisa comum na quarentena. As barreiras, físicas e imaginárias, criadas ao não poder sair de casa, são necessárias, mas acabam afetando a psique, especialmente àqueles que estão acostumandos com o sentimento de liberdade no dia a dia. Pode-se sentir, até, longe do seu habitat, porque, muitas vezes, o lar também está do lado de fora.

A arte aparece nesse momento, como uma válvula de escape para os isolados. E eu falo de todas as formas de arte. Os livros que lemos, as músicas que escutamos, as comidas que preparamos e até mesmo a arquitetura do lugar onde, mais do que nunca, mantemos contato durante meses, sem parar.

Novas descobertas artísticas marcam momentos da vida. É fácil relacionar uma banda, por exemplo, a antigos relacionamentos ou a viagens, mesmo que anos depois. E quando uma música, ou melhor, um álbum, faz o papel de uma viagem em um momento como o que estamos vivendo, em que não podemos sair nem de nossas casas, quem dirá passear pelo Brasil como se nada estivesse acontecendo?

Foi isso o que experimentei, durante os últimos meses, com o disco Caravana Sereia Bloom, da cantora paulistana Céu. O álbum foi lançado em 2012, mas só conheci agora, oito anos depois. E não poderia ter sido em um momento melhor. O argumento desse disco é “simular” uma road-trip, saindo do Sudeste do Brasil, em direção ao Nordeste e Norte. E a imagética alcançada por cada música proporciona esse sentimento de dentro de casa, em cada fone de ouvido.

Capa do Caravana Sereia Bloom. Divulgação.

Capa do Caravana Sereia Bloom. Divulgação.

Misturando ritmos do mundo inteiro, como samba, MPB, jazz, hip-hop e afrobeat, Céu faz essa viagem chegar até o ouvinte. Ouvindo a canção ‘Contravento’, por exemplo, me sentia dentro de um carro, a 100km/h, numa longa estrada do interior do Brasil, cenário praticamente impossível para mim em qualquer momento da quarentena: “olho na estrada / Vaga, paisagem que acalma / Veloz, a mente não para / Ah, distraindo o tempo / Árvore parada / Carro em movimento / Rosto na janela / Som do contravento”. Uma calmaria, contraposta paradoxalmente com a velocidade, o barulho e o movimento. Em um momento de estática e inércia, tais sentimentos são poderosos.

Toda arte pode alcançar o âmago de uma pessoa. Claro, algumas pessoas são mais sensíveis a isso do que outras, mas, em momentos de necessidade de uma fagulha de esperança, estamos todos sucetíveis. E devemos nos permitir sermos tocados pela arte. A cantora Céu te garante:”você não vai se arrepender, você não vai esquecer”.

 

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