Meio Ambiente

Reciclando pela vida

Processo de reciclagem permite a redução do consumo de produtos naturais e é um dos caminhos para tentar diminuir a pressão sobre o meio ambiente

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A produção de lixo é um dos grandes problemas mundiais, que afeta diretamente o meio ambiente e a vida urbana. Infelizmente, nem todos os países adotam da melhor maneira o processo de reciclagem. Um exemplo é o Brasil.

Segundo o Compromisso Empresarial para Reciclagem (Cempre), associação sem fins lucrativos dedicada à promoção da reciclagem, dos mais de 5.571 municípios brasileiros, em 2018, apenas 1.227 possuíam coleta seletiva. Essas cidades estão assim distribuídas: 45% no Sudeste, 42% no Sul, 8% no Nordeste, 4% no Centro-Oeste e 1% no Norte. No total, o valor representa 22% dos municípios, ou seja, menos de 1 a cada 4.

A reciclagem é um processo de modificação dos resíduos sólidos (lixo), que envolve a alteração de suas propriedades físicas, químicas ou biológicas, a fim de transformar esses materiais em insumos ou novos produtos. Essa é uma das melhores alternativas para minimizar os impactos ao meio ambiente.

O processo de reciclagem faz parte dos 5Rs da gestão ambiental: reduzir, reciclar, reutilizar, recuperar e reintegrar. Os três primeiros podem ser praticados pela população.

Luciane Coelho, 54, do Rio Grande do Sul, utiliza o processo de reciclagem para ensinar artesanatos a adolescentes em situação de vulnerabilidade. Como professora da rede pública do estado, divide o tempo em dois turnos, lecionando à tarde em seu projeto social. “Ensino artesanatos com vidros, CDs, papelão, molduras velhas, rolhas, madeiras, latas e potes. Também trabalhamos culinária com cascas de frutas e legumes”, detalha.

Luciane explica que separa cada tipo de material que será usado para os trabalhos, para os quais busca inspiração na internet. “Caixas de leite e vidros precisam ser higienizados para serem guardados. Lata enferruja rápido, então utilizamos primeiro. O papelão atrai baratas, então, são dobrados e guardados em armário hermético, as molduras também. Caixas de ovos e sobra de MDF são separados, escovados e guardados”, detalha.

Luciane compartilha seus conhecimentos com seus alunos que reproduzem

Luciane compartilha os conhecimentos da reciclagem com seus alunos que reproduzem (foto: arquivo pessoal)

De acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2018 o Brasil gerou 79 milhões de toneladas de resíduos. Deste total, 92% foram coletados.

Outra artesã, Fátima Jacintho, 54, de Cotia (SP), começou há 9 anos o processo de reutilização de embalagens de pizzas como quadros. A intenção foi tentar esquecer a síndrome do pânico que desenvolveu após um acidente de carro. Por não conseguir sair mais de casa ou ficar sozinha encontrou no trabalho artesanal uma forma de distração e de ocupação.

Fátima viu nos trabalhos manuais como este com rolos de papel higiênicos um novo motivo para viver

Fátima viu nos trabalhos manuais um novo motivo para viver (foto: arquivo pessoal)

Hoje, Fátima vende quadros feitos de embalagens de pizza e jarros confeccionados a partir de garrafas. Há pouco tempo, um novo desafio pessoal ressignificou sua arte: “Há 1 ano e quatro meses perdi um filho com 24 anos, vítima de uma bactéria, e esses artesanatos me ajudam a ter vontade de continuar a vida”.

A reutilização de materiais recicláveis ajuda a gestão ambiental ao fazer o reaproveitamento de uma matéria-prima que seria descartada em lixões e aterros ou queimada. O processo contribui, ainda, para reduzir a exploração de recursos naturais para produção de novos materiais.

Em Curitiba (PR), Claudete Claudino, 54, reutiliza tudo o que pode. Ele fez cursos e pesquisa on-line como reaproveitar garrafas, potes de plásticos, vidros, revistas e até cordas. Para ela, é um hobby, mas Claudete diz que já recebeu encomendas. Ela tem orgulho e dizer que o único material comprado para fazer os produtos é a cola.

Claudete reciclou uma garrafa utilizando guardanapos

Os trabalhos de Claudete são feitos a partir de guardanapos (foto: arquivo pessoal)

No DF

No Distrito Federal, o Sistema de Limpeza Urbana (SLU) é a autarquia responsável por atender diariamente a população de mais de 3 milhões de habitantes com diversos serviços relativos aos resíduos, o que incluir a coleta. A ideia é também conscientizar a população sobre a importância da coleta seletiva, entre outras questões que prioritárias para a saúde pública e o meio ambiente.

De acordo com o Relatório Anual de 2019, da SLU, a taxa de recuperação dos resíduos coletados no Distrito Federal alcançou 11,4% ano passado, quando a meta foi de 15%. O documento aponta que o indicador foi prejudicado pela falta de informações precisas sobre o que foi coletado e triado por parte das associações e cooperativas de catadores contratadas. Em 2019, foram coletadas e transportadas 782 mil toneladas de resíduos sólidos domiciliares.

Neuza Martins Santos, 41 anos, moradora de Planaltina de Goiás (GO), avalia que é possível dar novos usos para tudo. A técnica em agroindústria cansou de móveis convencionais e decidiu decorar toda a casa com objetos reciclados ou reaproveitados. “Todo e qualquer resíduo é possível ressignificar, basta ter em suas entranhas o desejo de ser sustentável”, garante. Com pedaços de granito descartado, por exemplo, fez parte do pavimento da casa.

O sofá encontrado por Neuza foi reciclado e encontra-se na sua sala de estar

O sofá encontrado por Neuza foi reciclado e encontra-se na sua sala de estar (foto: arquivo pessoal)

Neuza acredita que a reciclagem pode mudar economicamente a vida de uma família. “Economizamos nos imóveis de casa, ajudamos o meio ambiente e conseguimos investir em outras coisas, como fazer um churrasco em casa convidando os amigos, uma viagem, sair a dois e até resolver algo que surgir de emergência”, explica. Ela também faz e sugere a compra de objetos usados.

De acordo com o SLU, há no DF cinco galpões de triagem onde as cooperativas recebem os materiais levados pelos caminhões que fazem a coletiva seletiva. “São 22 cooperativas, que têm 29 contratos com o SLU. 18 contratos são para triagem e 11 para a coleta. Algumas cooperativas possuem dois contratos”, detalha a Assessoria de Comunicação.

A moradora de Samambaia Patrícia Maria Tavares, 51, encontrou no trabalho com materiais recicláveis uma terapia manual após se aposentar por conta da paralisia de parte do corpo. Ela transforma papelão em porta-joias, caixas e até decoração de aniversários. Também recicla latas de leites em pó, que transforma em suporte para papel higiênico. “Quando tenho alguma ideia para fazer algum objeto novo, vou na rua mesmo e pego. Quase não estoco por falta de espaço”, completa.

Em sua cidade, o serviço de coleta seletiva é realizado em dias alternados, conforme a programação do SLU. O Relatório Anual aponta que em 2019 foram recuperadas 31.808 toneladas de materiais recicláveis no Distrito Federal e Entorno.

O que está sendo feito

Em outubro de 2019, o SLU assinou novos contratos com empresas para fazer a coleta. O Distrito Federal foi dividido em três lotes e houve a ampliação da coleta seletiva para todo o DF. O SLU também está desenvolvendo um aplicativo para informar o horário exato de coleta dos recicláveis. O objetivo é que o cidadão deixe os resíduos fora de casa apenas minutos antes de o veículo passar, já que com a aproximação do caminhão o aplicativo emitirá um alerta aos cadastrados.

A responsável pela educação ambiental no SLU, Luana Sena, diz que os projetos não param no sentido de ampliar a conscientização da população: “Neste momento, estamos realizando Webinar com diversos temas, produzindo vídeos educativos disponibilizados nas mídias e redes sociais, além de realizar interação nos grupos de Whatsapp e apoio em eventos on-line”.

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