Comportamento

Entre um isolamento e outro, gostamos de nos isolar

A quarentena causada pelo coronavírus apenas acentuou um processo que já havia começado na era digital

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isolamento social

Ficar até tarde na rua, sair para comer, ir a faculdade ou a escola, fazer exercícios, conversar com vizinhos e amigos pessoalmente, calma! Este último ponto talvez não seja o mais ideal para citar. Nestes exemplos acima enumerei coisas que deixam saudade durante essa quarentena. Mas será que a conversa pessoal com amigos, parentes ou outros, realmente é sentida? Fatos me levam a crer que não.

Pois bem, fazendo um rápido exercício, me recordo bem que antes da pandemia do coronavírus o mundo passava por um intenso processo de isolamento social.

Mas sem doenças com a capacidade de infecção e letalidade da Covid-19, qual seria o motivo? Parafraseando o presidente da república, “Oras bolas”, a responsável é a mudança de comportamento causada pela internet.

Não querendo entrar em temas saudosistas, mas quem nunca escutou dos avós ou até da própria mãe que em épocas não tão remotas e, antes da internet, as pessoas conversavam em locais públicos, parentes se visitavam, crianças brincavam nas ruas ou até que se enviava cartas para conversar com pessoas em locais muito distantes.

Pois é, a internet veio com grandes avanços, mas também, trazendo consigo alguns problemas. Escutei de um amigo certa vez que estava com saudade até de conversar com os missionários Testemunhas de Jeová. Claro, é uma brincadeira, mas revela nossa carência pela interação social. Mas, que já vem sendo construída há um bom tempo.

O uso constante de smartphones, de aplicativos e redes sociais deixam nosso tempo preso durante várias ocasiões do dia.

Lembrei-me de um artigo que li no jornal norte-americano The New York Times, que tinha o título “Presos na Rede”, onde um interessante estudo sobre como as relações humanas eram afetadas pelas redes sociais foi apresentado pela Universidade Stanford.

No estudo, a universidade entrevistou 4.113 adultos em 2.689 lares. Entre os usuários regulares da internet, 8% disseram frequentar menos eventos sociais por conta do uso constante da rede, 13% reconheceram passar menos tempo com os amigos e familiares e 26% informaram utilizar menos o telefone para se comunicar com pessoas próximas.

É gozado, a internet traz tantas opções de comunicação, que poderiam ser usadas para unir as pessoas mais distantes, mas o seu efeito é contrário. O que ocorre é a separação dos mais próximos, e aqueles mais distantes então, ficam com mensagens protocolares: “Como você está?, Há quanto tempo”, e por aí se encerra.

Ver duas pessoas juntas e cada uma em seu celular virou cena comum nos dias atuais. Ou pelo menos, nos dias atuais que antecederam a terrível epidemia. Mas veja, caro leitor, essa não é uma crítica de um velho rabugento que acha que após a quarentena todos devem voltar aos tempos antigos, sentar nas calçadas de casa e conversar com amigos. Não. Mas vale refletir sobre o próprio isolamento que já praticávamos.

De isolamento para isolamento, acho que vamos continuar nos isolando. Mas esse é um ponto difícil sobre o qual refletir nesse momento pandêmico. Por enquanto, precisamos continuar nos protegendo do vírus e torcendo por uma vacina. Mas, como será que vamos lidar, não com o vírus, mas com o fenômeno da internet, após tudo passar? Isso, só o tempo pode responder.

 

* Este texto é de inteira responsabilidade do seu autor/autora e sua opinião não reflete a do Portal de Jornalismo Iesb.

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